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lida Rafisa
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Coordenadora de Gesto Ambiental
LIBRAS e Educao Ambiental: A Formao dos Educadores e os Sinais numa Perspectiva Bilingue
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Publicado em 2010
IV Colquio Internacional Educao e Contemporaneidade
lida Rafisa
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Resumo

Com o decorrer dos tempos, comea a haver um maior conhecimento do ambiente e uma maior explorao dos seus recursos. As cincias evoluem e os fenmenos naturais comeam a ser compreendido. A natureza passa a ter uma relao de subservincia em relao espcie humana. O conhecimento da natureza e a transmisso desse conhecimento serviam apenas para que o ambiente fosse mais dominado e explorado. No caso da comunidade surda no se tem este acesso. O presente trabalho vem viabilizar e discutir os sinais propostos e sua insero no cotidiano do surdo. No caso do Educador Ambiental investigar a neutralidade buscando verificar se a atual postura exigida proporciona resultados que vo ao encontro da base da prtica inclusiva: a autonomia.

Introdução

A Constituição das Leis Brasileiras em seu primeiro artigo, trata da igualdade entre os homens com relação aos seus direitos, até há pouco tempo excluía-se os deficientes no processo educacional, tendo-os como diferentes, e só possibilitando aprendizado escolar apenas em alguns casos nas escolas especiais e a quem possuísse um melhor poder aquisitivo. Com a regulamentação da Lei nº 10.436 de 24 de abril de 2002, que se dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, ficou estabelecido à inclusão escolar da criança desde os primeiros anos, seja publica ou privada, com o direito a educação e oportunidades iguais aos que nasceram sem nenhuma deficiência.

Tomando por base o capítulo V, da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) de 96, define educação especial como modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para portadores de necessidades especiais, ou seja, deverá ser promovida a esses alunos uma escolarização juntamente com os demais alunos. A Educação Especial tem passado no Brasil por um momento novo, na qual se faz uma reflexão sobre a educação inclusiva. Isto se deve as novas leis implantadas e nas mudanças de atitude sociais que vem se estabelecendo ao longo do tempo.

Diante de tudo que está garantido pela legislação vigente no que tange à Educação Inclusiva, vê-se a linha entre o real e o ideal. Admirados com as mudanças permanentes num contexto altamente competitivo e globalizado, os cidadãos, muitas vezes, encontram-se entregues à força dos apelos da mídia ou das manipulações disfarçadas. Se pensarmos apenas nas pessoas ditas “normais”, a situação já é no mínimo assustadora. Tal quadro se intensifica ao analisarmos a situação dos surdos.

O professor não capacitado encontra significativas barreiras na comunicação com o aluno surdo, assim a atuação do intérprete é de extrema importância para junto com o professor propiciar a construção do conhecimento que leve o aluno ao pleno exercício de sua cidadania. O despreparo de profissionais agrava-se diante de uma inclusão feita com pouco ou nenhum apoio especializado, salas de aula superlotadas e a supervalorização da escrita e da norma culta da Língua Portuguesa, área na qual os surdos têm maiores desvantagens na aprendizagem.

Tendo a escola, principalmente a pública, o papel de formar para a cidadania, cabe ater-se ao verdadeiro papel do intérprete, uma vez que o educador de escola regular não se encontra preparado para atender os alunos surdos. Se o aluno surdo não mantém uma comunicação eficiente, em sala de aula e na sociedade, e o homem como ser histórico-cultural é também formado pela linguagem, a essência do processo educativo ficaria assim, comprometida. Marchesi comenta sobre o equitativo do desenvolvimento intelectual da criança surda com o da criança ouvinte:

Devemos sempre lembrar que o desenvolvimento intelectual não depende do desenvolvimento lingüístico. A criança surda alcança o mesmo nível de desenvolvimento que a criança ouvinte, e as dificuldades encontradas durante a aprendizagem podem ser devido à deficiência no conjunto de experiências vividas pelo surdo. Dentro desse contexto, é necessário considerar a importância da Língua de Sinais para a educação e para o desenvolvimento da pessoa surda por ser sua primeira língua. É através de sinais que o surdo pode se comunicar, compreendendo com mais facilidade o mundo e participando da comunidade em que vive. Para crianças surdas, é muito importante a aquisição dos sinais logo nos primeiros anos de vida, pois a aquisição e interiorização de um código lingüístico é um fator fundamental para a interação social e para a aquisição dos conceitos (MARCHESI, 1987).

Um fato que precisa ser destacado é a inclusão dos alunos que necessitam de atendimentos especiais na educação ambiental. Isso tem sido dificultoso, pois não temos disponíveis os sinais dos quais são necessários para a comunicação e crescimento do conceito ecológico dos mesmos. Para buscar uma interação da LIBRAS com a Educação Ambiental, é necessário um relacionamento diário tornando comum o uso da LIBRAS. A inserção da linguagem de sinais no contexto da educação ambiental, tem sido trabalhada a pouco tempo. Viu-se a necessidade das pessoas surdas entrarem neste novo mundo de descobertas. A dificuldade do ensino-aprendizagem com surdos é estritamente igual a de pessoas ouvintes. São pessoas dotadas também do intelecto, então tem capacidades normais de aprendizagem.

Fundamentação Teórica

A Educação Ambiental vem sendo incorporada como uma prática inovadora em diferentes âmbitos. Neste sentido, destaca-se tanto sua internalização como objeto de políticas públicas de educação e de meio ambiente em âmbito nacional, quanto sua incorporação num âmbito mais capilarizado, como mediação educativa, por um amplo conjunto de práticas de desenvolvimento social.

Esse é o caso, por exemplo, do diversificado rol de atividades e projetos de desenvolvimento impulsionados pelas atividades de extensão em resposta às novas demandas geradas pela transição ambiental e a comunidade surda. Este processo de mudanças no mundo inclusivo, que tende a gerar novas práticas sociais e culturais em que se verifica a assimilação de um ideário de valores ambientais. Uma vez identificada a entrada da Educação Ambiental como parte dos processos de transição ambiental e suas inúmeras interfaces com diferentes campos de ação da inclusão social, cabe abrir um debate sobre as modalidades desta prática educativa, suas orientações pedagógicas e suas conseqüências como mediação apropriada para o projeto de mudança social e ambiental no qual esta vem sendo acionada. Em primeiro lugar, caberia perguntar: existe uma educação ambiental ou várias? Será que todos os que estão fazendo educação ambiental comungam de princípios pedagógicos e de um ideário ambiental comuns? A observação destas práticas facilmente mostrará um universo extremamente heterogêneo no qual, para além de um primeiro consenso em torno da valorização da natureza como um bem, há uma grande variação das intencionalidades sócio-educativas, metodologias pedagógicas e compreensões acerca do que seja a mudança ambiental desejada.

Neste sentido, a Educação Ambiental é um conceito que, como outros da "família ambiental", sofre de grande imprecisão e generalização. O problema dos conceitos vagos é que acabam sustentando certos equívocos e, neste caso, o principal deles é supor uma convergência tanto da visão de mundo quanto das opções pedagógicas que informam o variado conjunto de práticas que se denominam de Educação Ambiental.

Educação Ambiental no Brasil

Introduzir, na atualidade, qualquer trabalho cuja temática envolvida seja de cunho ambiental é tarefa de fácil execução, tendo em vista que é cada vez mais evidente a gravidade dos problemas ambientais no planeta. Esse quadro pressupõe medidas para diminuir os impactos negativos no ambiente natural e na sociedade e tais medidas devem ser tão rápidas quanto foi o avanço da ação humana predatória.

Apesar da expressão “Educação Ambiental” ter surgido apenas por volta dos anos 70, o Homem faz educação ambiental desde que surgiu à face da Terra. No início, a sobrevivência do Homem estava dependente da sua relação com o meio ambiente. Ao interagir com o mundo que o rodeava e ao ensinar os seus filhos a fazer o mesmo, o homem primitivo fazia Educação Ambiental. (LOUREIRO, 2009)

O aparecimento da escola institucionaliza a educação formal. Os programas das várias disciplinas veiculam o conhecimento das várias ciências. Pensava-se que a interligação de todas as ciências iria permitir uma visão completa do funcionamento do planeta, de forma ao homem interagir com ele de forma mais proveitosa.

Com o desenvolvimento da Ecologia e outras ciências afins, torna-se evidente que o conhecimento sobre o meio ambiente é insuficiente, para apoiar tomadas de decisão, neste domínio.

Postulou-se que a Educação Ambiental é um elemento essencial para uma educação formal e não formal, e que dela resultarão benefícios para a Humanidade. A educação deveria, simultaneamente, preocupar-se com a conscientização, a transmissão de informação, o desenvolvimento de hábitos e a promoção de valores, bem como o estabelecimento de critérios e orientações para a resolução de problemas. Nesta perspectiva foram estabelecidas estratégias internacionais para ações no campo da educação e formação ambiental.

Dessa forma, o componente “reflexivo” da Educação Ambiental é tão importante quanto o “ativo” ou o “comportamental”, onde:

(...) a Educação Ambiental é uma práxis educativa e social que tem por finalidade a construção de valores, conceitos, habilidades e atitudes que possibilitem o entendimento da realidade de vida e atuação lúcida e responsável de atores sociais individuais e coletivos no ambiente. Nesse sentido, contribui para a tentativa de implementação de um padrão civilizacional e societário distinto do vigente, pautado numa nova ética da relação sociedade-natureza. Dessa forma, para a real transformação do quadro de crise estrutural e conjuntural em que vivemos, a Educação Ambiental, por definição é elemento estratégico na formação de ampla consciência crítica das relações sociais e de produção que situam a inserção humana na natureza. (LOUREIRO, 2002, p. 69).

Como estabelecida pelo MEC, a educação ambiental deve ser abordada como tema transversal nas escolas. Em tempos atuais, a moda é se falar dos problemas ambientais. Existe uma paráfrase nisto tudo: como a pessoa surda, irá saber, qual o significado e valor do meio ambiente? Apenas falar que “não pode” fica difícil para eles, pois perguntariam o porque do não. E como educadores não podemos deixar que o vazio continue nas mentes destes.

Formação dos Sinais

Brito (1995) estudou alguns aspectos muito importantes referentes à constituição da LIBRAS. Ela apresentou três parâmetros primários que se combinam: a Configuração das Mãos (CM), o Ponto de Articulação (PA) e o Movimento (M). A Configuração das mãos (CM) é a forma como estão posicionados os dedos, a maneira como está a mão, ou as duas mãos (conforme o sinal). A LIBRAS apresenta 46 configurações de mão, e elas variam muito quanto às posições dos dedos, desde a mão com os dedos todos abertos até os dedos fechados, e variam quanto a posição em que a mão está.

Resumidamente, podemos afirmar que: “Os sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um determinado formato em um determinado lugar, podendo este lugar ser uma parte do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas articulações das mãos, que podem ser comparadas aos fonemas e às vezes aos morfemas, são chamadas de parâmetros, portanto, nas Línguas de Sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros:

  1. Configuração das mãos: são formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros), ou pelas duas mãos do emissor ou sinalizador. Os sinais APRENDER, LARANJA e ADORAR têm a mesma configuração de mão;
  2. Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical (do meio do corpo até à cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais TRABALHAR, BRINCAR, CONSERTAR são feitos no espaço neutro e os sinais ESQUECER, APRENDER e PENSAR são feitos na testa;
  3. Movimento: os sinais podem ter um movimento ou não. Os sinais citados acima tem movimento, com exceção de PENSAR que, como os sinais AJOELHAR, EM-PÉ, não tem movimento;
  4. Orientação: os sinais podem ter uma direção e a inversão desta pode significar idéia de oposição, contrário ou concordância número-pessoal, como os sinais QUERER E QUERER-NÃO; IR e VIR;
  5. Expressão facial e/ou corporal: muitos sinais, além dos quatro parâmetros mencionados acima, em sua configuração tem como traço diferenciador também a expressão facial e/ou corporal, como os sinais ALEGRE e TRISTE. Há sinais feitos somente com a bochecha como LADRÃO, ATO-SEXUAL.

Na combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos que formam as palavras e estas formam as frases em um contexto.” (Revista da FENEIS, número 2: 16)

A Formação de Educadores e a Educação de Surdos

A educação inclusiva na educação de surdos no final do século passado apresentava a oralidade como fundamentação pedagógica, não existia a figura do intérprete em sala de aula e os surdos eram discriminados e marginalizados pela grande maioria das pessoas justamente por não saberem como lidar com esta especificidade, o ciclo vicioso confirmava a deficiência e o atraso na aprendizagem, não se aprendia como lidar, como se comunicar e a quem servir enquanto modelo verticalizado de ensino e formação.

Os saberes docentes eram baseados na criatividade e na sensibilidade pessoal e quem deteve este conhecimento, se mantinha manipulador das tendências pedagógicas, fato que, ainda se observa na maioria dos conteúdos curriculares dos cursos de formação de professores e educação continuada, num modelo conceituado como terapêutico por se reconhecer e valorizar os aspectos nosológicos e medicamentosos cujo conteúdo se apresenta híbrido e monopolizado e por vezes manipulador como formador de opinião.

Uma alternativa saudável para este impasse entre os saberes comuns e os científicos (re-) surge com a universalização da LIBRAS e a sua oficialização nos cursos de formação de professores e demais cursos de educação, licenciaturas e fonoaudiologia. Os centros de formação e as universidades recebem a responsabilidade de transpor este modelo casuístico e conteudista, contudo, não existem profissionais qualificados para este fim, é como se rodassem em círculos, alimentando-se da própria inoperância. Não houve formação ao longo da história. Os recursos humanos são insuficientes e inoperantes para atender ao mercado. Eis o dilema: não existem surdos (qualificados para o ensino superior) para a educação de surdos. São muitas dificuldades por falta de surdos nos cursos universitários e de pósgraduação. Pela falta de adequação curricular, muitos desistiram por não conseguirem transpor a barreira da formalização dos conhecimentos através da escola. A responsabilidade do ensino dos surdos ainda vai permanecer por muito tempo nas mãos dos ouvintes, segundo o modelo universitário vigente no país, a formação de professores ouvintes fluentes em Libras permanecem assumindo este ensino até que algum dia os surdos consigam, de forma universal assumir o seu papel social de professor e pesquisador universitário.

Modelos de Inclusão Bilíngüe

Numa abordagem sensível e humanizadora, procura-se potencializar no educando oportunidades e habilidades pessoais. Assim, o entendimento sai da esfera do preconceito e da discriminação da pessoa com deficiência, e se qualifica pela oportunidade e respeito de ser diferente despertando para novas formas de interação com o mundo e com relação aos surdos, numa perspectiva lingüística de comunicação, expressão, percepção e interação com o meio, enquanto cidadão consciente, participativo e interativo através das LIBRAS, oficialmente reconhecida como língua materna dos surdos.

Aprende-se LIBRAS para conhecer melhor as pessoas, o mundo, o pensamento, refletindo, construindo e constituindo-se de amor e respeito pelas diferenças. Aprender LIBRAS é respirar a vida por outros ângulos, na voz do silêncio, no turbilhão das águas, no brilho do olhar. Aprender LIBRAS é aprender a falar de longe ou tão de perto que apenas o toque resolve todas as aflições do viver, diante de todos os desafios audíveis. Nem tão poético, nem tão fulgaz.... apenas um Ser livre de preconceitos e voluntário da harmonia do bem viver. (FALCAO, 2007)

Nesta perspectiva de agregar valores além da Língua Portuguesa, a LIBRAS se apresenta como intensificador da formação bilíngüe, LIBRAS e Língua Portuguesa. Despertase com um salto qualitativo no ensino público superior em alguns estados brasileiros, e ainda mais, na qualidade da formação profissional e educação continuada das diversas profissões e espaços sociais existentes sensíveis e aflitos pela concretização por mudanças sociais.

O papel da conscientização de que nos fala Paulo Freire é: “A decifração do mundo, dificultada pela ideologia; é esse “ir além das aparências”, atrás das máscaras e das ilusões, pagando o preço da crítica, da luta, da busca, da transgressão, da desobediência, enfim, da libertação”. (FREIRE, 1995 e 2000)

A LIBRAS numa Perspectiva Bilíngüe

A aprendizagem de uma segunda língua pode ocorrer de diversas formas:

  • Aquisição bilíngüe da linguagem, ou simultânea: ocorre, por exemplo, quando crianças ouvintes, filhas de pais surdos usuários de Língua de Sinais, ficam expostas precocemente ao fenômeno social do input lingüístico, língua de sinais em situações com os pais surdos e língua oral de seu país com os avós ou familiares ouvintes. Mas pode ocorrer um prejuízo para essa criança ouvinte que só convive com os pais surdos, geralmente apresentam atraso no desenvolvimento da linguagem (língua oral). Os pais surdos que utilizam a Língua de Sinais para falar com seus filhos a respeito de conhecimento social e normas culturais, e as crianças absorvendo grande parte destes conceitos podem não apresentar necessariamente um atraso no desenvolvimento cognitivo, pois a língua de sinais desenvolve a função de instrumento do pensamento no lugar da linguagem oral. Consideramos que estas proposições ainda necessitam serem investigadas, pois lançamos aqui uma nova esfera para discussão.
  • Aquisição da linguagem: relacionada a vivencia social com surdos, as condições gerais de exposição são na família, Igreja, Associações de Surdos, escolas de surdos, entre outros. Essa socialização ocorre nos aspectos sutis e indiretos da própria interação lingüística. Para Kemp (2001) há um conjunto de fatores emocionais que desencadeiam a motivação interferindo diretamente na aprendizagem.
  • Aprendizagem da Língua de Sinais: de forma sistemática se dá em curso de línguas de sinais, geralmente ministrado por professores surdos que sejam pessoas bilíngües, conforme indica a FENEIS (2004). Como então, pessoas ouvintes adultas aprenderiam a Língua de Sinais? Através de cursos e língua sinais e/ou convívio com a comunidade de surdos. Este trabalho que hora apresentamos tem como foco analisar o processo de aprendizagem de pessoas ouvintes, que já na fase adulta se matriculam nos Cursos de Língua de Sinais, portanto esta população vai passar por um ensino sistemático da língua.

Há diversas metodologias de ensino de segunda língua, observamos na proposta do Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos e pela produção do material didático denominado “LIBRAS em Contexto” características do método funcionalista e de Lingüística Contrastiva, geralmente trabalham com o conhecimento explicito no ensino de segunda Língua. Envolvem a comparação entre duas ou mais línguas quanto aos níveis fonológico, morfológico e sintático, semântico/pragmático.

Metodologia

Os sinais já existentes dão boa parte da comunicação entre surdos e ouvintes. O paradigma que se vem enfrentando são os sinais disponíveis para esta comunicação quando se é trabalhado a Educação Ambiental. A isonomia entre a EA e a LIBRAS tem sido uma árdua tarefa de anos, pois a criação de novos sinais e disponibilizá-los leva tempo e é necessário que seja integrado ao dicionário. Mesmo assim não encontramos dificuldades de abordar certas temáticas da EA.

Utilizou-se a comunicação diária do educando surdo, pois a tentativa de comunicação e aprendizagem deles depende da disposição das palavras utilizada por eles mesmos. Vale salientar que para a criação de novos sinais é necessário que os mesmos sejam de acordo com o cotidiano deles e de fácil acesso para eles.

Resultados e Discussão

Observamos que o processo de construção lingüística é complexo, principalmente pela diferença de modalidade da língua de sinais em comparação à língua portuguesa.

Um exemplo que temos como referencia é o termo “Educação Ambiental”, não existe sinal ou código de linguagem manual que possa descrever com clareza este termo essencial para a introdução à educação ambiental. Então foi proposto que o termo educação ambiental tivesse o seguinte sinal: a junção dos sinais estudar e natureza. Assim pode-se obter um novo sinal para o dialogo inicial com alunos surdos sobre a Questão ambiental. A aplicação dos sinais elaborados é única e exclusivamente para o ensino da educação ambiental.

Os primeiros sinais a serem dispostos são: Educação Ambiental, Reciclagem, Lata, Reutilizar, Saneamento.

Mesmo com esta iniciativa, o sentido científico ainda se mantém na superficialidade, sabendo da dificuldade de expressarmos alguns contextos. Não há como definir um modelo único para o ensino ao surdo, entretanto, a incorporação da linguagem de sinais na educação ambiental pode contribuir para um melhor processo da construção de conhecimento.

Do ponto de vista pedagógico, temos consciência que falta toda uma construção de proposta de ensino pautada no processo de aprendizagem do surdo. É deveras surpreendente constatar que os instrutores, ainda com formação incipiente para o ensino das disciplinas regulares, utilizem métodos que primam pela comunicação, princípios de métodos ora funcionalistas, constroem situações sociais onde na interação é produzida a negociação de significados.

Identificamos que muitas competências pertinentes à educação ambiental ainda não foram introduzidas nas disciplinas das ciências, principalmente para os surdos, mas em um diálogo cotidiano conseguiam compreender a mensagem.

O fator mais importante, porém, é a necessária mudança de atitude do lingüista diante de sua pesquisa, abandonando a ilusória neutralidade diante de seus “informantes”, e tendo que se envolver com os problemas psicossociais e educacionais dos surdos. É evidente que quando o pesquisador é surdo, quando sua língua nativa é a Língua de Sinais, todos os fatores acima descritos terão um maior aprofundamento.

A própria existência do processo requer o planejamento que se direcione a responder às dúvidas e “erros” dos alunos. A propósito, os dados compilados neste estudo servem de base para a organização de algumas aulas, para que esses conteúdos sejam apresentados de forma explicita.

Considerações Finais

A construção de uma consciência ambiental inclusiva se afirma pela livre convivência e pelo conhecimento e reconhecimento da diversidade como pluralidade e respeito às diferenças. A LIBRAS, portanto, assume um papel lingüístico de permitir a comunicação, a interação social e a constituição da própria personalidade. É uma característica diferenciadora dos animais. A LIBRAS como língua oficial é patrimônio da população brasileira, este status deve ser garantido não apenas por Decreto, mas acima de tudo, como motivação societária e sua utilização deve ser assumida em todos os currículos escolares e em todas as salas de aula como disciplina regular, tão mais do que as línguas estrangeiras, servindo de atributo social, político, econômico e cultural da população.

A interação familiar possibilita a aquisição de valores culturais e morais imprescindíveis na formação da pessoa cidadã. Acreditamos que quando todos que compõem a sociedade brasileira souberem se comunicar fluentemente em LIBRAS e com os surdos, poderemos interagir idéias e costumes universais rompendo barreiras sociais, divergindo dos preconceitos e convergentes para a consciência de sociedade inclusiva.

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