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Vincius Nascimento
Vincius Nascimento
Professor/Investigador
Interpretao da Libras para o portugus na modalidade oral: Consideraes Dialgicas
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Publicado em 2012
Traduo & Comunicao: Revista Brasileira de Tradutores, v. 24, p.79-94
Vincius Nascimento
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Resumo

O tradutor intérprete de Libras/português é o profissional responsável pela mediação discursiva entre surdos e ouvintes e sua atuação constitui-se na mediação de discursos que são produzidos a partir de determinados lugares sócio-históricos e de línguas de modalidades linguísticas diferentes. É o processo de transposição desses elementos constitutivos da arquitetônica de uma enunciação, por meio de um ato tradutório/interpretativo, que esse artigo se concentra. O objetivo aqui é tecer considerações sobre o processo de interpretação da Libras para o português na modalidade-oral tomando como objeto de estudo e análise uma atividade formativa realizada em um curso de pósgraduação para tradutores/intérpretes de Libras português, abordando a voz e a expressividade oral como elementos que constituem a produção de sentido nesse processo de interpretação. Espera-se que os aspectos aqui pontuados possam contribuir para os estudos da tradução e interpretação de línguas sinalizadas e para os processos formativos desses profissionais.

1. Introdução 1

No decorrer da história os sujeitos surdos foram impedidos de falar em sua língua e de posicionarem-se enquanto cidadãos. Deixaram de ser reconhecidos como sujeitos membros de uma minoria linguística e social, tendo a surdez não como traço constitutivo de sua subjetividade, mas como, apenas, uma deficiência.

No entanto, foi a partir dos movimentos multiculturais protagonizados pelas minorias sociais, constituídas de grupos étnicos até pessoas com deficiência (MOURA, 2000; SKLIAR, 1997), que tomaram força na década de 1980 e que impulsionaram uma luta pelo reconhecimento cultural e social de comunidades minoritárias, que a comunidade surda iniciou um movimento em prol do reconhecimento da importância de sua língua no trabalho com o surdo. Movimento que ganhou força, também, com as recentes pesquisas e estudos teóricos iniciados na década de 1960 sobre as línguas de sinais, além de trabalhos sobre os aspectos relacionados a identidade, comunidade e cultura, assim como a reivindicação do acesso às informações por meio de sua língua: a língua de sinais.

Como resultado desses movimentos, os surdos têm assumido seu lugar enquanto cidadãos participando socialmente das decisões que englobam aspectos relacionados à inclusão social de pessoas surdas. E para além disso, vêm ocupando patamares sociais antes considerados impossíveis de serem alcançados, posicionando-se por meio da língua de sinais. Com essa participação, os surdos vêm retomando o fio de suas histórias, deixando de ser somente falados, para se tornarem falantes em sua língua, narrando-se como sujeitos autônomos na linguagem e capazes de ser, fazer, significar e produzir significados.

Como condutores de sua história, os surdos adentram nas mais diversas instâncias sociais falando em sua língua e atuando nos mais variados campos de conhecimento como agentes de produção e como sujeitos ativos socialmente. E a partir desse movimento inclusivo e de participação social, surge a necessidade de profissionais que façam a tradução/interpretação dos discursos produzidos em línguas de sinais e em línguas orais.

O profissional responsável por essa função no Brasil é o tradutor intérprete de Libras/português (TILSP) 2 que medeia a interação entre pessoas surdas e ouvintes que não saibam se comunicar em Libras (língua brasileira de sinais).

Basicamente, esse profissional atua em três frentes: a) intermedeia a comunicação entre as pessoas surdas usuárias de Libras e as pessoas ouvintes usuárias da língua portuguesa em diferentes contextos; b) traduz os textos da Libras para a língua portuguesa e os textos da língua portuguesa para a Libras; c) auxilia no esclarecimento da forma escrita produzida pelos surdos em quaisquer contextos que se façam necessários (concursos, avaliações em sala de aula, documentos, etc.) (QUADROS et al., 2009).

Dentre as frentes de atuação supracitadas encontra-se o processo de interpretação da Libras para o português na modalidade oral, comumente chamada de interpretação de voz pelos profissionais da área. Nessa modalidade, os TILSPs dão voz sonora ao discurso gestual-visual-espacial dos sujeitos surdos, legitimando, para os leigos em Libras, a voz política conquistada por essa comunidade.

A voz sonora do TILSP possui papel preponderante na compreensão do discurso do surdo pela sociedade ouvinte. É nela que esse discurso ganhará significado para aqueles que desconhecem a Libras. O ato tradutório da Libras para o português, materializado nessa voz, pode qualificar ou desqualificar o enunciador surdo e, a depender do gênero discursivo em que esses sujeitos se enunciam, as escolhas realizadas pelo tradutor intérprete na língua alvo pode causar no interlocutor ouvinte efeitos de sentidos diferentes do planejado pelo locutor surdo.

O TILSP tem a função de mediar a interação entre surdos e ouvintes que desconheçam sua língua. Com conhecimento da Libras e da língua portuguesa, sua atuação não se dá apenas na transmissão dos códigos linguísticos entre a língua fonte (LF) e a língua alvo (LA). Sua atuação constitui-se na mediação de discursos que são produzidos a partir de determinados lugares sócio-históricos específicos, de línguas em que as modalidades linguísticas são diferentes. Portanto, os discursos, as ideologias, as subjetividades e as culturas diferentes estão entrelaçadas e envolvidas nessa interação.

É no processo de transposição desses elementos constitutivos da arquitetônica de uma enunciação, por meio de um ato tradutório/interpretativo, que este artigo se concentra. O objetivo aqui é tecer considerações sobre o processo de interpretação da Libras para o português na modalidade-oral. Tomando como objeto de análise uma atividade formativa realizada em um curso de pós-graduação para tradutores/intérpretes de Libras – português, busco olhar para as escolhas tradutórias realizadas pelos alunos no processo de interpretação do discurso de um locutor surdo em Libras para o português oral.

No entanto, antes de iniciar a discussão central desta análise, faz-se necessário explicitar os diferentes lugares de que falarei aqui: da Linguística Aplicada, convoco a perspectiva bakhtiniana de estudos da língua e da linguagem para olhar a prática de interpretação da língua de sinais, considerando-a um ato enunciativo-discursivo que envolve, para além do sistema da língua, a arquitetônica sujeito/ discurso/ texto/ espaço/ tempo existente em qualquer ato de enunciação. Da Fonoaudiologia, de que trago aspectos do funcionamento biopsiquíco da linguagem, enquanto característica constitutiva da existência humana, e da voz, como um dos elementos de expressividade dessa constituição subjetiva. E, por fim, da condição empírica de Tradutor Intérprete de Libras/Português, visto que não possuo formação acadêmica (em nível de graduação) para atuar nessa profissão, assim como grande parte dos profissionais TILSPs, mas que assim como a maioria dos profissionais atuantes construí estratégias discursivas de (re)significação de sentido entre as línguas envolvidas no ato tradutório, a partir das coerções existentes nas próprias esferas nas quais atuei.

São três topos (lugares) diferentes, alcançados em cronos (tempos) específicos, mas que constituem um cronotopo (espaço-tempo) indissolúvel em minha formação e que me direcionam para reflexões de cunho teórico-prático sobre a identidade, formação e atuação do Tradutor Intérprete de Libras/Português (TILSP). Buscarei articular as concepções oriundas desses diferentes lugares para discutir e analisar a interpretação da Libras para a língua portuguesa na modalidade oral, focalizando a voz como aspecto de extrema importância nesse processo.

2. Interpretação da Libras/Português como ato Enunciativo Discursivo

O processo de interpretação da Libras para a língua portuguesa é, por excelência, um ato enunciativo de mediação que envolve não apenas as língua-fonte e língua-alvo em sua prescrição linguística, mas é caracterizado por um processo de discursivização entre sujeitos singularmente distintos que desconhecem a língua (as línguas) à qual pretende ter acesso.

Assim como em qualquer enunciação, na interpretação Libras-português-Libras existem sujeitos que falam de determinados lugares sócio-históricos e que, a partir de um projeto discursivo, pretendem alcançar seu interlocutor, desejando que o sentido do seu discurso (aquilo que se pretende dizer) alcance, em sua totalidade, o sujeito que está do outro lado.

Na perspectiva teórica do Círculo de Bakhtin, a enunciação é protagonizada, a priori, pela interação entre dois sujeitos: o locutor e o interlocutor, isso porque a palavra comporta duas faces, “[...] ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009, p. 117). Nessa interação, o locutor é aquele que, a princípio, detém a palavra, de forma inalienável, é ele o “dono da palavra” (p.117). No entanto, esse seu domínio acontece no momento de materialização dessa palavra, no instante do ato fisiológico de sua externalização, pois a palavra, enquanto produto dessa enunciação, é o “território comum do locutor e do interlocutor” (p. 117).

Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ela se apoia sobre mim numa extremidade, na outra apoia-se sobre o meu interlocutor (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009, p. 117).

O falante, ao enunciar-se, falar, expressar-se, coloca em movimento no seu enunciado uma série de respostas que foram construídas na interação com outros falantes em outros momentos históricos, em determinadas esferas ideológicas, sendo ele, nessas interações, ouvinte (empiricamente) ou, mesmo, falante, pois quando interage com outro por meio da comunicação discursiva já assume os dois papéis, isto é, ele é falanteouvinte/ouvinte-falante.

Na interpretação da Libras-português, abordada como ato enunciativo, a interação é constituída dessa relação: um sujeito surdo (locutor), falante de língua de sinais que enuncia de determinada esfera (acadêmica, política, educacional, etc.) e um sujeito ouvinte (interlocutor) que desconhece a língua de sinais e que acessa esse discurso de outro lugar, como auditório social historicamente situado (ouvinte de uma palestra, diretor de uma faculdade, professor do aluno surdo, etc.).

No entanto, esse acesso, caso ele realmente não saiba se comunicar em Libras, acontecerá pela intermediação do TILSP, que será chamado aqui de enunciador/mediador. A construção da ponte de que fala Bakhtin/Volochínov (2009) só será possível pela presença desse profissional que é responsável pela mediação entre esses sujeitos “discursivamente estranhos” (Figura 1). E nessa interação mediada, o construtor dos caminhos de passagem de sentido, o TILSP, lançará mão de recursos que transcendem a palavra, em termos estritamente linguísticos. A relação de transmutação lexical, comum nas práticas de interpretação de profissionais iniciantes, não dará conta da passagem da totalidade de sentido existente no discurso do locutor.

Os aspectos extralinguísticos, isto é, aquilo que não faz parte do sistema abstrato da língua, será determinante na produção de sentido e na compreensão do interlocutor. Isso se dá pelo fato de o enunciado – enquanto elo de toda a comunicação discursiva – ser composto não apenas pelos elementos linguísticos (do sistema), que podem ser considerados “internos” ao enunciado, mas pela determinação dos elementos extralinguísticos que “[...] penetram o enunciado também por dentro” (BAKHTIN, 2010, p. 313). O linguístico e o extralinguístico fundem-se no acontecimento do enunciado interna e externamente e “do ponto de vista dos objetivos extralinguísticos do enunciado todo, o linguístico é apenas um meio” (p. 313).

Aquilo que, tradicionalmente, a ciência linguística, de tradição prescritiva, pontuou como extralinguístico e não passível de descrição, é visto, na perspectiva bakhtiniana, como elemento constitutivo da produção de sentido. Na interpretação da Libras para o português, a voz, abordada em algumas correntes teóricas como elemento extra-língua, será fundamental para a construção de sentido no discurso em língua portuguesa na modalidade oral. Os aspectos anatomofisiológicos de produção da voz e os elementos prosódicos constituem o discurso oral e determinam, quase de maneira totalitária, a compreensão da interpretação de um enunciado produzido em língua de sinais.

3. Voz e Expressividade no ato Interpretativo para o Português Oral

Como elementos constitutivos da produção do discurso oral, a voz e a prosódia são aspectos de extrema importância no processo de interpretação Libras-português, pois são delineadores do que a Fonoaudiologia e a Linguística denominam expressividade oral. Esse conceito refere-se

à forma como o falante faz uso dos recursos comunicativos, que geram impressões aos ouvintes, não importando se interpretados por esses como negativos ou positivos, adequados ou inadequados, agradáveis ou desagradáveis, contextualizados ou fora de contexto ou qualquer outra classificação[...]. (MOREIRA-FERREIRA, 2007, p. 44)

Madureira (2005) acentua que a construção da expressividade se dá pela “interação entre elementos segmentais (vogais e consoantes) e prosódicos (ritmo, entoação, qualidade de voz, taxa de elocução, pausas e padrões de acento) e das relações que se estabelecem entre som e sentido” (p. 16).

Em relação aos aspectos prosódicos ligados à interpretação da Libras para o português oral, Albres (2010) tece considerações pontuando que a altura da voz, a entonação, a articulação e a velocidade da fala são elementos desse processo a que o profissional TILSP deve ater-se no momento do ato interpretativo. Dessa forma, a expressividade constitui a indissolubilidade de todo ato interpretativo da Libras para o português na modalidade oral.

É por meio da fala oral do intérprete que os interlocutores ouvintes terão acesso ao discurso produzido em língua de sinais pelo locutor surdo, e a voz e a expressividade devem ser observadas cuidadosamente, sendo tratadas por esse profissional como instrumentos de sua atuação.

A recorrência do uso da voz pelo TILSP vem acontecendo devido a um deslocamento sócio-histórico do lugar do surdo na sociedade. Se em tempos passados o surdo apenas seria interlocutor de discursos orais por ser considerado um sujeito desprovido de condição biopsíquica de produção discursiva e por seu sistema de comunicação não ser abordado e reconhecido como língua, atualmente esse lugar se inverte. Cada vez mais o surdo tem assumido posições sociais de extrema relevância e significância social, deslocando-se do lugar historicamente imposto de (apenas) interlocutor, para tornar-se locutor e falante em sua própria língua.

Esses novos espaços sociais assumidos pelo surdo na sociedade atual (a política, a academia, a docência, a direção de entidades corporativas) exigem desse sujeito uma adequação discursiva na língua de sinais, com a esfera a partir da qual ele se enuncia. Bakhtin (2010) denomina gêneros do discurso esses diferentes usos da linguagem a partir de diferentes campos da atividade humana. Trata-se de tipos relativamente estáveis de enunciados e “[...] nenhum fenômeno novo (fonético, léxico, gramatical) pode integrar o sistema da língua sem ter percorrido um complexo e longo caminho de experimentação e elaboração de gêneros e estilos” (BAKHTIN, 2010, p. 268).

Alguns estudos já têm investigado os gêneros do discurso na Libras e no processo de tradução/interpretação dessa língua para o português (LODI, 2004a, 2004b; HARRISON, 2006; LODI; ALMEIDA, 2010; ALMEIDA, 2010; NASCIMENTO, 2011) e apontam que a seleção de recursos estilísticos linguísticos, a construção composicional e o conteúdo temático, tal como acentua Bakhtin (2010), próprios das línguas de sinais, definem e pontuam os diferentes gêneros do discurso em que os surdos têm se enunciado atualmente.

Com as políticas inclusivas e a inserção significativa de surdos nessas diversas esferas sociais, a demanda de profissionais que realizem interpretação de Libras para o português na modalidade oral será cada vez maior. Logo, o deslocamento do lugar do intérprete acompanhará o “empoderamento” dos novos espaços sociais assumidos pelo surdo. Se a disposição do intérprete num ato interpretativo em uma conferência, por exemplo, está à frente do auditório que é composto também por interlocutores surdos, com o avanço social desse sujeito, o intérprete passará a não mais se expor fisicamente, deixando o espaço frontal para o surdo, que assumirá a posição como conferencista, isto é, como locutor, e o intérprete terá não mais o seu corpo empírico e discursivo exposto, (uma vez que estará sentado no auditório, diante do surdo, para a visualização do seu discurso em língua de sinais para realização a interpretação), mas a sua voz, e é por meio dela que esse auditório acessará o discurso do surdo como locutor.

O TILSP é o responsável por dar, aos discursos produzidos em língua de sinais, sonorização strictu senso, construindo a ponte discursiva pontuada anteriormente. É por meio da sua voz que o discurso em língua de sinais do surdo será desvestido de um estranhamento inicial por parte do interlocutor ouvinte que desconhece essa língua para ganhar sentido como um discurso oriundo de um enunciador em potencial: um professor, um candidato/vereador/deputado, um pesquisador, um supervisor bancário, um advogado, etc.

Nesse sentido, a voz aqui não é considerada um elemento extralinguístico, mas é observada como constitutiva dessa modalidade interpretativa: Libras-português. Ela penetra o enunciado e o torna real, acessível, possível e, assim como pontua Bakhtin (2010), a língua (o sistema), nesse caso, é apenas um dos meios para a produção de sentido nessa discursivização tradutória/interpretativa.

Sem a produção vocal do intérprete, o discurso do surdo não ganhará sentido para o interlocutor ouvinte e a sua “voz”, enquanto enunciador, será silenciada, não pela ausência do som que é constitutiva de discursos nas línguas sinalizadas, mas pela falta de uma compreensão por parte do interlocutor ouvinte localizado na outra extremidade da ponte interativa.

No caso desse tipo de mobilização do discurso, o enunciador/mediador, isto é, o TILSP, deve estar atento às variações prosódicas do discurso do surdo. A intensificação do articulador no momento da produção lexical (mão), o posicionamento do corpo no momento da sinalização (movimentos rotatórios, frontais, posteriores e laterais), o uso das expressões não manuais (tanto faciais como corporais: arqueamento de sobrancelhas, movimento dos lábios, abertura e fechamento dos olhos, posicionamento da cabeça, etc.) são elementos prosódicos da língua de sinais que marcam a variação da entonação do discurso, a marcação do tipo do discurso utilizado (o gênero discursivo) pelo surdo e, inclusive, o estilo individual do falante.

Esses movimentos prosódicos devem ser mobilizados para a língua portuguesa na modalidade oral com a flexibilidade constitutiva da oralidade. Nesse sentido, o TILSP deve saber identificar essas marcas no discurso do locutor surdo e mapear os recursos segmentais e prosódicos da língua portuguesa (MADUREIRA, 2005) para, então, articular, coerentemente, a sua fala com o fala do surdo. Por exemplo, a intensidade e velocidade da mão (articulador lexical) aliada a uma expressão facial em que as sobrancelhas estão arqueadas para dentro, somado ao contexto de produção desses elementos linguísticos, devem (obrigatoriamente) aparecer na voz do intérprete, uma vez que também constituem o processo de produção de sentido.

É comum presenciarmos interpretações da Libras para o português em que o discurso oral destoa não apenas do discurso produzido na língua de sinais, mas também é constituído de uma incompatibilidade da própria produção da oralidade. Esse fato ocorre nos casos em que o intérprete não realiza uma interpretação em si, isto é, conduz o sentido do discurso do locutor em língua fonte “quebrando” a forma dessa língua para vesti-lo com a forma da língua alvo (NASCIMENTO, 2011), mas realiza a nomeação, em português, dos léxicos da língua de sinais, e conserva sua sintaxe, causando no interlocutor ouvinte certo estranhamento dessa produção oral.

Essa quebra na organização linguístico-discursiva, que pode causar estranhamento inicial no interlocutor ouvinte, é a mesma que aparece no discurso de um sujeito com afasia, uma patologia decorrente de Acidente Vascular Encefálico (AVE) e que se caracteriza por uma alteração de processos linguísticos de significação de ordem articulatória e discursiva (nesta incluídos aspectos gramaticais), produzida por lesão focal adquirida no sistema nervoso central, em zonas responsáveis pela linguagem (ORTIZ, 1997). Nesse tipo de discurso, existe a dificuldade no nível de compreensão da linguagem, bem como no de seleção lexical e organização sintática, gerando um enunciado incompleto, com quebras nessa sintaxe e incompletude do corpo léxico. Com esse tipo de interpretação, além de não construir a ponte interativa para a passagem do sentido, o intérprete pode desqualificar o enunciador surdo por meio da sua interpretação.

Se seu discurso em língua portuguesa oral se distanciar dos aspectos estilísticos, temáticos e composicionais do discurso em língua de sinais, o TILSP pode confirmar, para alguns ouvintes, a representação social existente ainda no imaginário da sociedade sobre o sujeito surdo: deficiente e, portanto, incapacitado de falar em sua própria língua. Desse modo, na interpretação da Libras para o português oral, o TILSP está localizado em uma zona de conflito 3 em que diante de si há um locutor surdo, falante de uma língua de outra modalidade, que, historicamente, foi considerada como não-língua. E às suas costas um auditório composto por sujeitos (seja um, sejam quinhentos) que desconhecem essa língua. Sobre si a responsabilidade de mobilizar esse discurso para esses interlocutores e construir uma passagem para os sentidos instaurados pelo projeto discursivo do locutor surdo.

Assim, os cuidados com a voz, a preocupação com a prosódia e a ortoépia da fala, elementos que propiciam uma boa expressividade oral (ANDRADE; APPA, 2005) por parte do TILSP, são de extrema relevância para a sua atuação profissional. O TILSP que realiza a interpretação da Libras para o português oral deve procurar: evitar hábitos prejudiciais para a qualidade de produção vocal, cuidando do seu aparelho fonatório; ampliar seu repertório linguístico na língua portuguesa para ter disponíveis, no momento do ato interpretativo, léxicos compatíveis com o estilo do gênero e do falante surdo e, primordialmente, conhecer a Libras em suas faces linguísticas, enunciativas e discursivas para mobilizar o discurso gestual-visual-espacial para um discurso oral-auditivo.

4. A Interpretação: Análise de uma Atividade de Mobilização do Discurso em Lingua de Sinais para o Discurso em Língua Oral

Todo texto possui um autor, conforme pontua Bakhtin (2010b), e não há a possibilidade de existência de um autor se ele não produzir textos e, por consequência, discursos. O TILSP, assim como todo enunciador que transita na zona de mediação linguística em um ato tradutório/interpretativo, também é dotado dessa característica constitutiva para essa mediação, isto porque, ao ter acesso ao texto de língua fonte, o TILSP vai acessar a sua bagagem cultural e linguística para buscar as melhores possibilidades de (re)significação de sentido na língua alvo. Se colocarmos dois TILSP para realizarem a interpretação de um mesmo discurso e posteriormente analisarmos o produto final dessa interpretação, veremos a impossibilidade de igualdade do discurso traduzido. Isso se dá pela característica constitutiva de todo ato enunciativo: a irrepetibilidade, ou seja, cada TILSP buscará melhores maneiras de ressignificar o discurso em língua alvo, de acordo com suas experiências tradutórias e interpretativas, com sua bagagem linguística e discursiva nas línguas envolvidas no ato e, também, a partir do público a ser alcançado pelo locutor.

No entanto, a autoria, enquanto condição discursiva de intérpretes e tradutores, por vezes, pode levar esse profissional a considerar-se tão “dono” daquilo que se traduz/interpreta que o discurso não passa mais a ser um discurso traduzido em que é possível encontrar marcas do enunciador da língua fonte, mas torna-se um texto citado, isto é, um texto submetido às vontades e adaptações do tradutor/intérprete. Esse distanciamento do discurso em língua fonte, devido a essa condição autoral do intérprete, pode anular o projeto discursivo do locutor impossibilitando a produção do sentido (daquilo que o próprio locutor planejou dizer) para o seu interlocutor, sendo suprimido por aquilo que o tradutor/intérprete acha por bem traduzir/interpretar ou não.

Tomemos como objeto de análise uma atividade realizada com os alunos do curso de pós-graduação lato sensu em Interpretação Tradução de Libras – Português promovido na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo entre os anos 2009 e 2010, na disciplina Exercícios de Interpretação III, cujo objetivo era o aperfeiçoamento da interpretação da Libras para o português na modalidade oral.

Para tanto, utilizamos o vídeo 4 de um adolescente surdo (que será chamado aqui de enunciador) discursando, em Libras, contra o implante coclear e a favor da utilização da língua de sinais, 5. O enunciador está posicionado em um lugar em que o cenário montado ao fundo constitui-se de um pano escrito com letras em recorte manual: “Feliz 2010!”. Ele, por sua vez, veste uma camiseta regata vermelha e é enquadrado pela câmera da cintura para cima (Figura 2). O objetivo do exercício era, justamente, trabalhar a flexibilidade discursiva do intérprete frente a diferentes textos produzidos a partir de diferentes gêneros e em diferentes esferas de produção de discurso.

O enunciador inicia seu discurso desejando a todos um feliz ano novo com uma Expressão Não Manual (ENM) 6 marcada pelo estiramento lateral dos lábios, caracterizando uma expressão sorridente, aliada a movimentos de expansão espaciais nos sinais, transmitindo o sentido de felicitação. No entanto, quando entra na temática sobre o implante coclear, o enunciador muda a expressão de sorriso para a de seriedade, retraindo os lábios internamente e abaixando as sobrancelhas, antes arqueadas, marcando, a partir dos léxicos AGORA e SÉRIO, a transição de um discurso de felicitação para o de protesto.

Durante a sua fala sobre o implante coclear, o enunciador utiliza léxicos como IMPLANTE COCLEAR, MÉDICO, DOUTOR, SOCIEDADE, ORALISMO, FALA e BEBÊ. No entanto, mesmo dotado de léxicos que estão presentes também no discurso acadêmico a respeito dessa temática, o adolescente surdo não se refere ao implante da mesma maneira como um surdo doutor em educação se referiria. Primeiro, porque ele não é um professor doutor em educação; segundo, porque a situação concreta que ele sinaliza não é um ambiente acadêmico; e terceiro, seu objetivo nesse vídeo é registrar, com o conhecimento que ele possui a respeito da temática, um protesto enquanto surdo adolescente membro dessa comunidade.

Durante o exercício, um dos alunos que interpretou o discurso presente no vídeo realizou escolhas linguístico-composicionais em língua portuguesa que destoavam do real tema do vídeo. Aquilo que era IMPLANTE COCLEAR em língua de sinais, transformouse, na língua portuguesa, em “cirurgia para correção da audição visando o amoldamento do surdo em ouvinte”, o que era DOUTOR virou “médico otorrinolaringologista” e o que era BEBÊ tornou-se “criança recém-nascida implantada sem desejo próprio”.

Nesse caso, a interpretação suprimiu o objetivo do discurso do enunciador e excluiu as características constitutivas dessa enunciação. A interpretação ficou presa a equivalências lexicais não contemplando a totalidade do enunciado e nem os aspectos extralinguísticos que “gritavam” para aparecer no discurso interpretado. Se retirássemos o texto em língua fonte e apresentássemos somente o texto final, na língua alvo, para um ouvinte que não conhece a língua de sinais, ele possivelmente diria que a interpretação em língua portuguesa oral partiu de um discurso de um sinalizador acadêmico defendendo, de maneira incisiva, o uso da língua de sinais contrariando o implante coclear defendido pelos profissionais da área médica.

A expressividade oral e a prosódia (entonação, pausa, articulação), no entanto, estavam adequadas ao contexto de enunciação do vídeo, marcando o prolongamento de alguns sinais na variação entonacional vocal e a variação das ENM quanto aos tipos de orações produzidas. Nesse caso, as escolhas linguístico-composicionais distanciaram-se do discurso produzido pelo locutor surdo, enquanto os aspectos relacionados à expressividade foram mobilizados. Embora o aluno tenha conseguido mobilizar os aspectos ligados à expressividade oral o sentido do discurso não foi produzido, pois é a totalidade desses aspectos que delineiam a compreensão do discurso do locutor e “[...] compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar seu lugar adequado no contexto correspondente” (BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009, p. 137).

A partir desta análise podemos considerar a importância da observação, por parte do TILSP, em mobilizar a totalidade do discurso do sujeito surdo na interpretação da Libras para o português da modalidade oral. Além desse aspecto, a questão da autoria do processo tradutório/interpretativo aponta para a periculosidade inerente a esse processo, haja vista que o empoderamento do discurso alheio enquanto enunciador/mediador pode fazer com que ele, na qualidade de construtor dessa ponte interativa, na verdade, não a construa entre os pólos locutor (falante na língua fonte) e interlocutor (receptor na língua alvo), mas de si mesmo (enunciador/mediador) para o interlocutor (receptor da língua alvo na qual o discurso deveria alcançar em toda a dimensão do sentido produzido em língua fonte).

Por esse motivo, a atuação do TILSP frente a textos e discursos, tanto em língua de sinais como em línguas orais, estará sempre submetida à compreensão do(s) outro(s) (considerando aqui o TILSP como um “outro” participante dessa interação discursiva em que a sua compreensão também é constitutiva, e fundamental, para a chegada do discurso em língua alvo), já que “ver e compreender o autor de uma obra significa ver e compreender outra consciência, a consciência do outro e seu mundo, isto é outro sujeito” (BAKHTIN, 2010b, p. 316.).

5. Considerações Finais

O discurso vem a existir fundamentalmente por meio de um processo de produção de sentidos realizados por, para e entre sujeitos (SOBRAL, 2008), e por esse motivo não se pode compreender um discurso sem compreender quem são os sujeitos envolvidos na relação dialógica, na situação sócio-histórica de produção do discurso e das coerções presentes nas esferas de produção discursiva.

Para compreender o processo de interpretação da Libras para o português na modalidade oral, abordei os sujeitos envolvidos nesse processo: o TILSP, enquanto enunciador/mediador, e o surdo, enquanto locutor, para compreender quão complexo é o ato de conduzir o discurso em que a materialidade linguística constitui-se a partir do gesto, produzido no espaço e percebido/recebido pela visão, para outra materialidade que, por sua vez, é constituída pela oralidade e recebida/percebida pela audição.

Os estudos referentes aos processos interpretativos que envolvem a Libras e o português ou uma dessas línguas com outros pares linguísticos nas suas diversas possibilidades ainda estão em expansão. No entanto, chamo atenção para a necessidade de observar esse processo a partir da totalidade linguística, enunciativa e discursiva, abordando os sujeitos envolvidos nessa interação, as modalidades das línguas envolvidas nesse processo e seus efeitos na mobilização de um discurso por meio de outro discurso.

Desse modo, o processo de interpretação da Libras para o português na modalidade oral envolve muito mais que o conhecimento linguístico de ambas as línguas. Essa modalidade de interpretação, assim como qualquer outra, exige do intérprete a expansão de suas competências discursivas e a exploração dos recursos considerados extralinguísticos, tais como a voz, a precisão articulatória e o conhecimento dos tipos de variação prosódica presentes nas línguas envolvidas nesse ato, mas que contribuem, constitutivamente, para a produção do sentido nesse processo de interpretação.

Notas

1 Este artigo constitui-se em um texto expandido de uma palestra proferida na mesa redonda “A saúde do intérprete” no III EPILRJ (Encontro de Profissionais Intérpretes de Língua de Sinais Brasileira do Estado do Rio de Janeiro) organizado e promovido pela APILRJ (Associação de Profissionais Intérpretes de Língua de Sinais do Rio de Janeiro) em parceria com a Universidade Presbiteriana Mackenzie – Rio/Faculdade Moraes Júnior em 2011.
2 As recentes publicações na área de estudos de tradução e interpretação de língua de sinais têm usado a sigla TILS para referir-se ao tradutor intérprete de língua de sinais (VASCONCELLOS 2010; ANATER, PASSOS, 2010) ou ILS para Intérprete de Língua de Sinais (LACERDA, 2009; RUSSO 2009; METZGER 2010; SANTOS 2010). Na legislação, a referenciação a esse profissional como tradutor intérprete de Libras/português aparece, pela primeira vez, no decreto 5.626/05, e em documentos anteriores a referência usada é intérprete de Libras ou intérprete de língua de sinais. Neste artigo será usada a sigla TILSP referindo-se ao tradutor intérprete de Libras/português. A escolha de acrescentar o “português” baseia-se na concepção de que traduzir/interpretar significa “[...] mobilizar um texto por meio de outro discurso” (SOBRAL 2008, p.70). Em um primeiro momento o profissional que atua no Brasil, irá deparar-se com a relação biunívoca: Libras-português-Libras, mas essa relação não impede que os pares linguísticos no processo de tradução/interpretação sejam outros.
3 Segundo Bakhtin/Volochínov (2009) “[...] toda enunciação efetiva, seja qual for a sua forma, contém sempre, com maior ou menor nitidez, a indicação de um acordo ou desacordo de alguma coisa. Os contextos não estão simplesmente justapostos, como se fosse indiferentes uns aos outros, encontram-se numa situação de interação e de conflito tenso e ininterrupto” (p.111). Nesse sentido, o processo de interpretação em Libras-português-Libras constitui-se conflituosa por ser um ato de enunciação, mas chamamos atenção para o fato da tensão produzida nesse tipo específico de interação: o do “empréstimo” da voz do intérprete para que o discurso do surdo alcance os ouvintes não falantes de sua língua.
4 Disponível no site de vídeos Youtube. Disponível em: <http://www.youtube.com/>.
5 A escolha de um material visual desse site de disponibilização de vídeos justifica-se por ser um recurso amplamente utilizado pela comunidade surda para exibição de suas produções culturais e artísticas, bem como o de visibilização de sua língua e de seus posicionamentos ideológicos (PINHEIRO, 2011).
6 Parâmetro fonológico da língua brasileira de sinais. Segundo Quadros e Karnopp (2004) são cinco as unidades fonológicas dessa língua: Configuração de mão (CM), Movimento (M), Locação (L), Orientação da Palma da Mão (Or) e Expressões Não Manuais (ENM).
7 Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Ws3TcMyuxmw>. Acesso em: 22 jul. 2011.

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