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Vincius Nascimento
Vincius Nascimento
Professor/Investigador
Contribuies bakhtinianas para o estudo da interpretao da lngua de sinais
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Publicado em 2013
TradTerm, So Paulo, v. 21, p.213-236
Vincius Nascimento
  Artigo dispon�vel em vers�o PDF para utilizadores registados
Resumo

Este trabalho tem por objetivo realizar uma análise descritiva da atuação do tradutor/intérprete de libras/português (TILSP) na esfera de atividade televisiva, a partir do gênero jornalístico. Com base na arquitetônica do pensamento bakhtiniano foi adotado como corpus um recorte do Programa Sentidos, que se constitui em uma produção telejornalística do tipo revista eletrônica interpretada para a libras. Foram descritos e analisados os elementos linguísticos e extralinguísticos da língua alvo – a libras – no ato tradutório/interpretativo. A análise mostrou que os elementos verbo-visuais e a totalidade das imagens das reportagens são fatores de modificação das marcas linguísticas da libras como direção do olhar e do corpo, e que essas imagens são decisivas para a negociação de sentidos discursivos provenientes dessa esfera no momento da interpretação.

1. Introducão

O estudo e a investigação da tradução e interpretação da língua de sinais têm ganhando projeção exponencial na esfera acadêmico-científica nos últimos anos. São diversas as bases epistemológicas que fundamentam a escolha, delimitação e análise de corpus cuja materialidade é constituída de práticas tradutórias e interpretativas de línguas dessa modalidade. No Brasil, a investigação da tradução/interpretação da libras (língua brasileira de sinais)/português tem ganhado espaço devido às demandas instauradas pela legislação que determina a inclusão social de pessoas surdas em diversos âmbitos da sociedade.

Essas legislações, instauradas a partir das lutas protagonizadas por movimentos sociais de e para surdos, tem propiciado o deslocamento da libras para o centro das investigações acadêmicas tanto em termos linguisticamente descritivos como no seu uso em diversas esferas de produção de discurso.

Por essa razão, os sujeitos usuários dessa língua, os surdos, também passam a ser observados em seu ato de linguagem por assumirem patamares sociais, outrora impensados, enquanto cidadãos, participando de decisões que englobam aspectos relacionados à inclusão social e educacional de pessoas surdas.

De certo que o posicionamento desses sujeitos a partir de determinados lugares sociais é constituído e instituído pelo enunciar em sua língua, a língua de sinais, e, por essa razão, a interação com interlocutores que a desconhecem demanda mediação de natureza enunciativo-discursiva. O sujeito habilitado legalmente para propiciar essa mediação é o tradutor/intérprete de libras/português (TILSP), e é nessa perspectiva que a prática de tradução/interpretação da libras assume um lugar de prestígio em áreas cuja centralidade de observação, descrição e análise de corpus é a linguagem em suas diferentes dimensões.

Essa prática de linguagem caracterizada pelo processo de construção de uma ponte enunciativo-discursiva, isto é, pelo "[...] mobilizar um texto por meio de outro discurso" (SOBRAL, 2008: 70), acontece na medida em que os usuários nativos das línguas de sinais adentram às diversas esferas de atividade como locutores e interlocutores. Dentre as múltiplas esferas em que o sujeito surdo se apresenta como interlocutor encontra-se a esfera televisiva. Essa que tem sido, historicamente, uma ferramenta utilizada como um importante meio de transmissão de informações a grande parte da população brasileira, desconsidera que entre seus telespectadores existem pessoas que não acessam as informações pelas vias auditivas.

A portaria 310 de 27 de junho de 2006 do Ministério das Comunicações aponta recursos de acessibilidade na televisão para pessoas com deficiência visual e auditiva, dentre os quais se encontra o TILSP que é considerado canal de mediação entre surdos e ouvintes. A norma de acessibilidade na televisão - NBR 15.290 - estabelecida pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) oferece parâmetros técnicos para a captação e edição da imagem do TILSP, porém os aspectos da prática interpretativa na esfera televisiva e nos diferentes gêneros que nela circulam, não são abordados nesses documentos, o que torna necessários olhares e pesquisas que delineiem a prática do TILSP, contribuindo para a formação de profissionais para atuação nesse campo.

Nesse sentido, este artigo apresenta resultados de uma pesquisa de mestrado 58 cujo objetivo foi realizar uma análise descritiva do processo de interpretação da língua brasileira de sinais na esfera televisiva, no gênero jornalístico, a partir da experiência do autor desta pesquisa como TILSP nessa esfera e nesse gênero. Com base na arquitetônica teórica do Círculo de Bakhtin, foram observados os elementos verbo-visuais que constituem esse ato enunciativo-discursivo a partir dessa esfera.

O corpus analisado constitui -se de um recorte do Programa Sentidos, produção audiovisual tele jornalística exibida semanalmente por meio de um canal de TV a cabo e disponibilizado posteriormente na internet, com temática específica sobre a inclusão social das pessoas com deficiência e aspectos relacionados ao desenvolvimento sustentável. A edição do Programa analisada foi retirada do banco de dados virtual disponível no site http://www.youtube.com/tvsentidos que e o canal do Programa Sentidos na internet. Para descrição, delimitação e análise do corpus, adotamos como referencial teórico-metodológico a perspectiva enunciativo-discursiva da tradução e interpretação que, por sua vez, foi construída com base no pensamento bakhtiniano.

2. Tradução e interpretação na perspectiva enunciativo-discursiva

AMORIM (2004: 15) inicia sua obra O pesquisador e seu outro: Bakhtin nas ciências humanas invocando o pensamento de Michel Foucault sobre autoria para afirmar que Bakhtin é um instaurador de discursividade, isto é, sua obra

[...] permite que outros pensem algo diferente dele. Dito de outra maneira, sua obra é condição de possibilidade para que determinados pensamentos se produzam, mas ao invés de serem pensamentos que repetem o que diz essa obra, ao contrário trazem diferenças em relação a ela.

Quando AMORIM (2004) adjetiva Bakhtin com a expressão foucaultiana de instaurador de discursividade, ela atesta a possibilidade de uso e aplicação do construto teórico deixado, como legado, por esse filósofo da linguagem em parceria com os membros de seu Círculo nos diferentes campos de estudo em que a centralidade está na linguagem em suas diferentes dimensões e manifestações.

Para o Círculo de Bakhtin, o estudo da língua é inseparável da vida, pois é nela, nas relações entre os sujeitos, na realização da língua por meio da interação entre esses mesmos sujeitos, que a linguagem acontece e os sentidos se instauram. Portanto, o olhar para a linguagem deve ocorrer em suas reais condições de produção, pois, obrigatoriamente, os sentidos implícitos nessas práticas só emergem na interação real e viva entre sujeitos singulares.

A compreensão do olhar direcionado para as reais condições de uso da linguagem implica na exploração de dois conceitos fortemente presentes nos estudos sobre a linguagem e discurso: enunciação e enunciado. Esses conceitos, também utilizados em outras teorias linguísticas e de análise do discurso, são preenchidos de diferentes sentidos e de uso e, conforme mostram BRAIT e MELO (2009), diferem-se dos sentidos a eles implicados no pensamento bakhtiniano. Segundo as autoras, para algumas teorias a enunciação é caracterizada por processo, enquanto enunciado é tomado como produto desse processo e, ainda, em outras, enunciado é tomado como frase ou como cadeias frasais.

Nos estudos bakhtinianos, enunciação e enunciado podem ser observados no conjunto da obra deixada pelo Círculo e aparecem como constitutivos um do outro. Olhar para o enunciado concreto, a partir de lentes dialógicas, significa abordá-lo "[...] muito mais do que aquilo que está incluido dentro dos fatores estritamente linguísticos, o que, vale dizer, solicita um olhar para outros elementos que o constituem (BRAIT e MELO, 2008: 6). O conceito de enunciação está diretamente ligado ao de enunciado concreto e à interação em que ele se dá:

o enunciado concreto (e não a abstração linguística) nasce, vive e morre no processo de interação social entre os participantes da enunciação. Sua forma e significado são determinados basicamente pela forma e caráter desta interação (VOLOCHINOV, s/d: 10).

BAKHTIN/VOLOCHÍNOV (2009: 116) apresenta a enunciação como "produto da interação entre dois indivíduos socialmente organizados", em que a palavra, enquanto materialização dessa enunciação, está sempre dirigida ao outro. O autor afirma que é na enunciação, ou enunciações, pelo fenômeno da interação verbal, que a verdadeira substância da língua se constitui, deixando de ser apenas um sistema abstrato de formas linguísticas, pois "a enunciação só se torna efetiva entre falantes" (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2009:
132).

A enunciação é protagonizada, a priori, pela interação entre dois sujeitos: o locutor e o interlocutor, isso porque a palavra comporta duas faces, "[...] ela é determinada tanto pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém" (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2009: 117). Nessa interação, o locutor é aquele que, a princípio, detém a palavra, de forma inalienável, é ele o "dono da palavra". No entanto esse seu domínio acontece no momento de materialização dessa palavra, no instante do ato fisiológico de sua externalização, pois a palavra, enquanto produto dessa enunciação, é o "[...] território comum do locutor e do interlocutor".

Através da palavra, defino-me em relação ao outro, isto é, em última análise, em relação à coletividade. A palavra é uma espécie de ponte lançada entre mim e os outros. Se ele se apoia sobre mim numa extremidade, na outra apoia-se sobre o meu interlocutor (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2009: 117).

Nessa perspectiva, a tradução/ interpretação é abordada como um ato enunciativo-discursivo, pois se constitui de uma prática de linguagem que medeia a interação entre diferentes sujeitos. A interação entre o locutor e o interlocutor, em uma situação de interação que envolve línguas diferentes, em que os enunciadores desconhecem a língua um do outro, só é realizada por meio do ato da tradução/interpretação, isto é, por este ato de enunciação que constrói a ponte discursiva entre locutor e interlocutor.

Encarar a tradução/interpretação como ato enunciativo-discursivo a partir da perspectiva dialógica de estudo da linguagem, significa enxergar a materialidade produzida nesse ato como um enunciado concreto, concebido como uma unidade real na constante cadeia de comunicação discursiva. Esse enunciado concreto é composto, legitimamente, por discursos que estão para além da estrutura das línguas envolvidas nesse ato, de suas unidades e de seus elementos; é composto pelo uso de seus falantes em determinadas situações e momentos históricos.

SOBRAL (2008:70) acentua a questão da tradução/interpretação como enunciado concreto ao afirmar que traduzir significa " [...] mobilizar um texto por meio de outro discurso" e que o tradutor /intérprete, ao dirigir-se a um público que um autor não pode dirigir-se, cria, necessariamente, novas relações enunciativas e discursivas, isto é, uma nova relação entre o autor e o público.

A especificidade da tradução está no fato de que, em primeiro lugar, o discurso passa a ter, além do locutor e dos interlocutores "originais", um interlocutor que também é locutor (o tradutor) e outro grupo de interlocutores (os leitores da tradução). O discurso a ser traduzido não pode incorporar diretamente esse outro grupo de interlocutores, assim como o discurso gerado pela tradução não pode incorporar os leitores do "original". (SOBRAL, 2008: 70).

A tradução/interpretação, enquanto ato enunciativo-discursivo, e realizada em situações concretas de interação entre sujeitos organizados socialmente e que ultrapassam a dimensão linguística, os aspectos lexicais, morfológicos, sintáticos, textuais, pois "[...] essas relações entre enunciações plenas não se prestam à gramaticalização, uma vez que, reiteramos, não são possíveis entre as unidades da língua, e isso tanto no sistema da língua quanto no interior do enunciado" (BAKHTIN, 2010: 276 ).

No entanto, o tradutor /intérprete, como enunciador /mediador em uma interação entre sujeitos que não têm acesso aos discursos nas línguas originais, seleciona os recursos linguísticos mais adequados para conduzir o discurso da língua fonte à língua alvo a partir de um espaço-tempo específico. Sua tradução/interpretação, isto é, a enunciação por ele realizada, não se estagna no nível linguístico, pois se assim fosse, sua prática seria limitada aos seus componentes abstratos (fonéticos, morfológicos, sintáticos, etc.), e a relação limitar-se-ia na busca de correspondências terminológicas entre as línguas envolvidas em um ato tradutório/interpretativo. Essa enunciação subsiste na dimensão discursiva e ideológica, na passagem da significação linguística para a o uso real do discurso, ou seja, nas situações concretas de mediação entre esses interlocutores discursivamente estranhos (NASCIMENTO, 2011).

Se os enunciados concretos nascem, vivem e morrem no processo de interação social entre os participantes da enunciação, e sua forma e significado são determinados basicamente pela forma e caráter desta interação (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1997), a tradução e interpretação deve ser estudada, analisada e avaliada a partir das situações reais de produção e interação considerando os sujeitos envolvidos nessa interação, os discursos a serem mobilizados, tanto em língua fonte como em língua alvo, e a concretude da realização.

Nesse sentido, a escolha do corpus desta pesquisa seguiu as diretrizes metodológicas bakhtinianas de estudo da língua e da linguagem que se caracterizam em 1) não separar a ideologia da realidade material do signo; 2) não dissociar o signo das formas concretas da comunicação social; e 3) não dissociar a comunicação e suas formas de sua base material (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2009).

O objeto específico de análise foi o processo de interpretação da língua portuguesa para a língua brasileira de sinais. A esfera ideológica escolhida para observar-se esse ato enunciativo foi a esfera televisiva. E o gênero do discurso no qual esse ato enunciativo aconteceu foi o gênero jornalístico.

Desse modo, nossa escolha buscou abarcar a totalidade da interpretação nessa esfera, a partir desse gênero, para mapear, descrever e pontuar os elementos verbo-visuais presentes que interferem e/ou colaboram na prática de interpretação da língua de sinais.

O corpus escolhido para essa pesquisa constitui -se do recorte de uma edição do Programa Sentidos. Produção telejornalística produzida pela Organização Não Governamental (ONG) AVAPE - Associação para Valorização e Promoção da Pessoa com Deficiência - exibida, por meio da rede concessionária de televisão NET - Cidade e disponibilizada, posteriormente, na internet por meio do site de reprodução de vídeos Youtube, mais especificamente no canal virtual http://www. youtube. com/tvsentidos.

3. Movimento exotópico para enfrentamento, descrição, delimitação e análise do corpus

AMORIM (2004), partindo dos pressupostos bakhtinianos, afirma que o objeto do pesquisador na verdade é sujeito sendo, portanto, um sujeitoobjeto constituído de vozes confrontadas com aquilo que o pesquisador deseja encontrar nele. As vozes do texto instituídas em um constante processo de tecelagem discursiva se encontram e instituem novas vozes por meio do encontro entre aquilo que o pesquisador deseja olhar e o que o corpus realmente apresenta. Essa busca do pesquisador pelo seu outro monta e remonta uma arena dialógica: o pesquisador, que também é um outro, caçando o que o outro tem a dizer.

Na busca desse outro "[...] e preciso pensar que há na pesquisa um movimento em direção à alteridade posto que, até no sentido estritamente matemático, há sempre um desconhecido, isto é, uma incógnita" (AMORIM, 2004: 29). Este movimento em direção ao outro da pesquisa é iniciado a partir de uma extraposição, de um lugar fora do texto, que desloca o pesquisador em um movimento bidirecional: ele se direciona até o seu sujeito-objeto ao mesmo tempo em que o sujeito-objeto deixa revelar-se por meio da sua materialidade linguística, enunciativa e discursiva.

O movimento apresentado por AMORIM (2004) é o conceito bakhtiniano de exotopia, construído por Bakhtin no ensaio "O autor e o herói" (escrito entre 1922 e 1924) e publicado na coletânea Estética da Criação Verbal ([1979] 2010) e que se constitui, essencialmente, de dois movimentos. Primeiro, o de tentar captar o olhar do outro, de tentar entender o que o outro olha, como o outro vê. Segundo, de retornar ao lugar, que é necessariamente exterior à vivência do retratado, para sintetizar ou totalizar o que vê, de acordo com seus valores, sua perspectiva, sua problemática (AMORIM, 2008).

Nesta pesquisa o processo de busca do outro envolve outro tipo de alteridade. Se o pesquisador desloca-se do seu lugar em busca do outro presente em seu corpus e encontra esse outro nas vozes discursivas do texto, aqui o movimento em direção ao outro exige um enfrentamento de si mesmo, visto que o pesquisador é o mesmo sujeito empírico presente no corpus. Desse modo, o pesquisador está de frente ao outro de si mesmo, já que "[...] o outro se torna estrangeiro pelo simples fato de eu pretender estudá-lo" (AMORIM, 2004: 31).

Para descrever e analisar o corpus nesta pesquisa, realizamos um movimento exotópico: de deslocamento do lugar de pesquisador para encontrar o sujeito do corpus. No entanto, esse mover-se em direção ao sujeito-objeto exigiu um desprendimento do conceito de que o sujeito presente no corpus é o mesmo sujeito que se direciona até ele. Partimos do pressuposto de que o sujeito do discurso presente como intérprete do Programa Sentidos difere-se do sujeito do discurso que olha para sua produção discursiva, o pesquisador. O corpo empírico e o mesmo, mas os papéis sociais e, portanto, discursivas assumidos nesses dois espaços, diferem-se um do outro. O enfrentamento do corpus nessa perspectiva justifica-se pelo movimento "semicircular" em que o intérprete descola-se de seu cronotopo (espaço-tempo) no corpus para assumir um novo cronotopo olhando a si mesmo como outro, isto é, como pesquisador.

No entanto, mesmo assumindo que os sujeitos discursivas diferem-se um do outro pelas condições de espaço/tempo/situação/esfera de produção do discurso, apesar de estarem empiricamente no mesmo corpo, não deixamos de considerar a tensão discursiva existente neste tipo de análise. O enfrentamento, por parte do pesquisador, com aquilo que o seu outro apresenta no corpus (as escolhas linguísticas, seu estilo discursivo e seus possíveis "erros" de produção de sentido, realizados justamente pelas escolhas tradutórias) afetam o olhar, obrigando o pesquisador a considerar e assumir todos os aspectos presentes, não higienizando aquilo que o corpus apresenta, e, portanto, não silenciando o que o corpus tem a dizer.

Pelos motivos explicitados, referir-nos-emos ao sujeito presente no corpus como TILSP, por vezes como intérprete, mas colocando-o no lugar de terceira pessoa, visto que aquele que fala, o sujeito-objeto deste corpus, é outro que não o próprio pesquisador.

4. A totalidade verbo-visual do Programa Sentidos

O Programa Sentidos é uma produção telejornalística, do tipo revista eletrônica, e mostra ações sociais realizadas por pessoas que trabalham pela promoção da igualdade e inclusão social de pessoas com deficiência e vulnerabilidade social.

O programa é exibido no tempo total de 27'30" (vinte e sete minutos e trinta segundos) e é divido em dois blocos: o primeiro de 11'57" (onze minutos e cinquenta e sete segundos) e o segundo de 14'21" (catorze minutos e vinte um segundos). Esse tempo de exibição e divisão dos blocos varia de acordo com as extensões das reportagens e com o tempo usado em cada quadro. Possui um apresentador que permanece no estúdio de onde grava as chamadas cabeças, que são as entradas para as reportagens exibidas no decorrer do programa, e duas repórteres que gravam as externas, que são as matérias gravadas em locus específico fora do estúdio do programa e, na maioria dos casos, fora da institituição financiadora, a AVAPE.

Visualmente o Programa Sentidos é composto por elementos que constituem o gênero jornalístico e o caracterizam como tal (figura 1). O uso de elementos como o Gerador de Caracteres (GC), o posicionamento do apresentador no estúdio e sua movimentação, e as tomadas feitas pela camera são características de um jornalismo menos formal, mas interativo com o telespectador, provocando o encurtamento da distância discursiva entre locutores presentes no programa e o telespectador que está, como auditório social, do outro lado da tela.

A edição do Programa Sentjdos escolhida como corpus dessa pesquisa foi a de número 354. Delimitamos, para analisar a materialidade linguística, enunciativa e discursiva do ato interpretativo, a matéria sobre o Museu Afro Brasil, por apresentar maior interferência de elementos verbo-visuais durante a exibição. Porém, a análise desse bloco foi relacionada com os outros blocos ao pontuarmos as especificidades dos elementos verbo-visuais. Este bloco inicia-se com a cabeça dos cantatas e é sequenciada com a matéria supracitada no tempo total de 5'32" 59.

Para chegarmos aos discursos e sentidos produzidos por meio da interpretação da língua de sinais na esfera televisiva, gênero jornalístico, partimos da materialidade linguística e enunciativa. Para tanto, foi necessário transcrever essa materialidade para, então, lê-la, buscando encontrar, a partir de lentes dialógicas, os sentidos produzidos por meio desse ato enunciativo.

Para transcrever a materialidade linguística da interpretação da língua de sinais no corpus optamos por utilizar o sistema de transcrição de língua de sinais ELAN (EUDICO Language Annotator) desenvolvido pelo Max Planck lnstitute for Psycholinguistics e utilizado no grupo de pesquisa Estudos da Comunidade Surda: Lfngua, Cultura e História da Universidade de São Paulo (USP), nos grupos de pesquisas sobre Língua de Sinais e no curso de Letras/Libras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A escolha desse sistema justifica-se pelo seu uso atual nas pesquisas relacionadas à língua de sinais em diversas faces: descrição linguística da libras, análise do processo de aquisição de linguagem por crianças surdas, criação de bancos de dados em línguas de sinais, sistematização de um sistema de transcrição de línguas na modalidade gestual-visual-espacial, etc. Além de ser um sistema de transcrição que possibilita transcrever e descrever marcas de sinais manuais e de sinais nao manuais que ocorrem simultaneamente, abrangendo maiores aspectos das línguas sinalizadas (MCCLEARY, VIOTTI, LEITE, 2010; Quadros, LILLO-MARTIN, PICHLER, 2011; QUADROS & PIZZIO, 2007).

Organizamos nossa transcrição no ELAN em trilhas subsequenciadas, nas quais cada aspecto da libras foi transcrito separadamente, com o objetivo de mapear a produção lexical e sintática da libras no ato interpretativo, e a simultaneidade da interferência dos elementos verbo-visuais nessa produção linguístico-enunciativa, utilizando, em algumas trilhas, o recurso dos vocabulários controlados, que constitui -se de um repertório fechado de possibilidades de anotação que pode ser previamente inserido e depois utilizado como base para todos os arquivos de anotação. O texto em língua fonte (português) também foi transcrito em uma trilha no sistema ELAN com base na proposta do Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta de São Paulo - Projeto NURC-SP/Núcleo USP (2003).

5. O processo interpretativo: totalidade verbo-visual na sintaxe e no léxico

O bloco escolhido para transcrição e análise apresenta, na vinheta de abertura, a inserção de elementos visuais e verbo-visuais. O intérprete, em vez de interpretá-los, direciona seu corpo para a imagem que aparece ao lado direito da tela realizando um apontamento para a construção verbo-visual disposta ao lado de sua imagem. A direção do olhar também acompanha a rotação do corpo e o apontamento para o texto disposto na tela.

O momento sem produção discursiva do intérprete é o período em que o G.C permanece na tela. O mesmo enunciado que é verbo-visualmente disposto (programasentidos@avape.org.br) é verbalizado pelo apresentador, mas não é interpretado para a lfngua de sinais, havendo, portanto uma interrupção na produção da sintaxe em libras (figura 2). No momento em que o apresentador verbaliza o texto visualmente disposto na tela, o intérprete direciona-se para frente e não realiza nenhuma produção discursiva.

Esse fenômeno também ocorre na sequência da vinheta de abertura quando o apresentador pede ao telespectador que também entre em contato por meio do Twitter. O intérprete também escolhe não realizar a interpretação do endereço do programa nesta rede social e, assim como no anúncio do e-mail, realiza uma apontação para o texto verbo-visual. No entanto, essa apontação diferente do movimento realizado anteriormente, não é feito apenas para o lado direito, mas para o canto superior direito, visto que a imagem com endereço do Programa no Twitter ocupa toda a tela (figura 3). A escolha do intérprete em não realizar a interpretação dos textos verbais em lingua portuguesa justifica-se pela sua disposição visual ao lado da tela, não necessitando de uma transliteração em lfngua de sinais, visto que a informação verbo-visualmente disposta nao teria uma equivalência lexicalizada na libras, necessitando, portanto, da soletração das letras do português na língua de sinais.

O estilo do Programa Sentjdos, que se caracteriza por um jornalismo informal, parece ser um fator que possibilita essas escolhas realizadas pelo intérprete, já que a inserção desses elementos como facilitadores para a apreensão da informação por parte do telespectador é amplamente utilizada no jornalismo televisivo do tipo revista eletrônica. Ao escolher não interpretar o texto verbo-visualmente disposto e apenas apontá-lo, o intérprete acaba por integrar sua imagem na totalidade desta produção telejornalística, realizando mais que uma interpretação: sua imagem integra a produção do programa.

A edição final do Programa Sentjdos é realizada com um planejamento para a inserção do intérprete: o G. C. e as imagens que ocupam toda a disposição da tela e todos os possíveis elementos verbo-visuais são organizados buscando não ocupar o espaço destinado para a interpretação. Nesse ponto, percebemos que a totalidade extralinguística determina a organização sintática da libras na interpretação desta produção telejornalística.

No processo de interpretação da libras observada no corpus notamos que a referência para o discurso presente na língua alvo não é realizado na própria libras, o intérprete direciona a atenção do interlocutor para os aspectos extralinguísticos. Nesse caso, a compreensão por parte do interlocutor surdo do enunciado verbo-visualmente disposto está condicionada ao conhecimento da língua portuguesa na modalidade escrita.

Se "[...] compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar seu lugar adequado no contexto correspondente" (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2009: 137) o intérprete parece, então, qualificar o interlocutor surdo, pressupondo a sua compreensão da língua portuguesa e oferecendo a ele a possibilidade de apreensão total das informações verbovisualmente organizadas na tela. Caso o enunciado verbal fosse transliterado para a libras, a compreensão do interlocutor em relação ao canal de contato do Programa estaria prejudicado, pois o telespectador surdo perderia a informação visual em detrimento da atenção dispensada na compreensão da soletração deste mesmo texto, haja vista a competição visual que se estabeleceria entre o texto disposto na tela e o discurso em língua de sinais.

A ação de "direcionar a cabeça e os olhos (e talvez o corpo) em d reção a uma localização particular simultaneamente com o sinal de um substantivo ou com a apontação para o substantivo" (QUADROS e KARNOPP, 2004: 128) também determina a produção sintática da língua de sinais brasileira. Nos recortes do corpus apresentados notamos a movimentação do tronco, o direcionamento do olhar e a apontação para os textos verbo-visualmente dispostos, como aspectos constitutivos da sintaxe construída na interpretação do português para a libras nesse gênero.

Na materialidade transcrita observamos a modificação de outro elemento: a direção do olhar. Esse aspecto, que é apontado por Quadros e Karnopp (2004) como elemento que constitui as expressões não manuais e que compõem os parâmetros linguísticos da língua de sinais brasileira, altera-se em poucos momentos e está fixado sempre para frente, em direção à câmera. Há uma grande recorrência de sinais em que a direção do olhar está para frente. No entanto, notamos alteração desse elemento quando o TILSP utiliza o recurso de tridimensionalidade (LAWRENCE, 2007) para pontuar as locações espaciais dos locutores no discurso em língua fonte (entrevistador à direita, repórter à esquerda, por exemplo) ou quando constrói uma sentença à sua frente na altura do peito ou da cintura, realizando simultaneamente uma apontação para essa mesma construção. A direção do olhar e as apontações são realizadas predominantemente em sincronia, principalmente quando o TILSP quer marcar espacialmente algum léxico ou soletração.

No corpus desta pesquisa notamos que há uma recorrência do uso do recurso de tridimensionalidade devido às variações de turno dos falantes em língua fonte, implicando mudanças significativas na produção sintática da interpretação em libras, pois, para referenciar os diferentes locutores do discurso, o TILSP utiliza esse recurso, posicionando-se nos diferentes espaços, direcionando seu olhar e realizando apontações de acordo com o posicionamento discursivo desses locutores na tela e a alteração do turno na língua fonte. Segundo LAWRENCE (2007), o recurso de tridimensionalidade presente nos discursos em línguas de sinais é frequente quando os sinalizadores querem representar personagens no discurso, marcando-os especificamente em cada ponto no espaço. O direcionamento do olhar dependerá de quem será a personagem, bem como de sua ação no discurso.

A incorporação do discurso do outro nesse processo de interpretação, isto é, de marcação das falas de cada um dos participantes do discurso em língua fonte é importante para a produção de sentido na libras. Caso o intérprete realize uma interpretação literal mantendo o discurso da libras (língua alvo) o mais próximo possível das formas linguísticas da língua portuguesa (língua fonte), o discurso das personagens não poderia ser identificado, pois se em língua portuguesa marcamos a mobilização do discurso do outro utilizando terceira pessoa para uma citação indireta, por exemplo, na libras essa marcação é realizada no espaço por meio da mudança no posicionamento do corpo.

Na interpretação da libras, em especial no genero jornalístico televisivo, a apreensao do outro na produção discursiva sinalizada é determinante para a transmissão do projeto discursivo instituído pelos locutores presente nesse gênero: o repórter, o entrevistado, o apresentador, etc. No caso do corpus aqui observado, essa apreensão aparece marcada pela alteração da direção do olhar, como pontuamos, pela rotação do corpo e pela locação da produção sintática que pode variar iniciando no espaço à direita e sendo finalizada na esquerda ou mantida em um desses lados, marcando, desse modo, o discursos de um dos locutores.

Uma marca de interferência desses elementos no discurso em libras acontece por meio da incorporação das imagens produzidas na reportagem. Observamos essa marca na figura (4), quando o intérprete realiza uma expansão do texto em língua fonte (... tem realmente esse objeto ai preso no pescoço ...) para a descrição gestual, nao lexicalizada, no espaço de sinalização à frente do corpo, na altura do peito, com mudança na direção do olhar e no direcionamento do corpo seguida da sinalização em volta do pescoço do TILSP, mostrando que a ausência de um léxico equivalente na libras para o texto produzido em língua portuguesa, separada apenas pela sinalização do verbo TER faz com que o TILSP busque nas imagens da reportagem, isto é, nos elementos verbo-visuais presentes na totalidade da produção telejornalfstica, possibilidades de construção de sentidos daquilo que está sendo falado pelo locutor. (figura 4)

QUADROS e KARNOPP (2004) observam que no espaço em que são realizados os sinais, o estabelecimento nominal e o uso do sistema pronominal são fundamentais para as relações sintáticas. Desse modo, a construção nominal e pronominal na interpretação da libras no corpus apresenta grande interferência dos elementos verbo-visuais contidos no todo da reportagem, sendo afetada e alterada de acordo com a presença desses elementos durante o discurso falado pelo locutor na língua fonte.

As marcas linguístico-enunciativas da interpretação da libras pontuadas no corpus nos direcionam para a leitura dos discursos instaurados a partir deste ato de enunciação determinado pela esfera de produção, pela situação sócio-histórica e pela interação entre os falantes da língua fonte. Percebe-se que o TILSP constrói a ponte interativa para a passagem dos sentidos como enunciador/mediador entre a produção audiovisual e o interlocutor surdo a partir de grande apreensão da totalidade imagética contida no todo da reportagem.

Percebemos que os elementos verbo-visuais pontuados alteraram a produção sintática, pois causaram uma interrupção na continuidade linguístico-enunciativa da interpretação em libras, mas não interromperam a fluidez discursiva, visto que o discurso foi composto pela presença dos elementos verbo-visualmente dispostos durante a totalidade da reportagem. O gerador de caracteres, as imagens da reportagem e os elementos dispostos em toda a tela ofereceram para o intérprete a possibilidade de criar sentidos discursivas a partir da presença deles, qualificando o telespectador surdo como capaz de apreender as informações verbais visualmente dispostas na tela e incorporando na interpretação em libras o todo da produção áudio visual.

6. Consideracões Finais

Os estudos e pesquisas sobre a interpretação da língua de sinais estão em expansão. A análise aqui realizada sobre a interpretação da língua de sinais a partir do gênero jornalístico televisivo foi marcada pelo encontro da descrição da materialidade desvelada durante a análise e da nossa experiência enquanto TILSP nesse campo. Não queremos esgotar as discussões e possibilidades de propostas para atuação nessa esfera e gênero, pelo contrário, esperamos contribuir para a formação de TILSP para atuação nesse campo em expansao.

O que percebemos atualmente é que as esferas de atuação para o TILSP estão sendo constituídas independentes do preparo destes profissionais para lidar com as coerções que nelas circulam. Os surdos estão sendo incluídos, e pessoas que, muitas vezes, não são profissionais da área e que têm apenas um conhecimento raso desta língua, estão sendo contratadas para atuar junto aos surdos, sem preparo, sem conhecimento linguístico e dos aspectos tradutórios e interpretativos. Porém, diferente de outras esferas, a televisão ainda está em processo de adequação às normas de acessibilidade e legislação, configurando, portanto, a possibilidade de formar tradutores/ intérpretes de libras/português para que, quando esse campo estiver consolidado, haja profissionais qualificados e preparados para atuar nele.

Essa pesquisa surgiu da inquietação oriunda da nossa atuação prática enquanto TILSP nessa esfera, no gênero jornalístico, e que nos motivou a sair do empirismo para descrever, a partir de um lugar epistemológico e científico, o processo de interpretação da língua de sinais. Porém, durante esse processo de descrição, descobrimos muito mais do que uma materialidade linguística, enunciativa e discursiva que apontassem caminhos de formação e atuação do TILSP nessa esfera. Descobrimos que interpretar libras/português significa transitar na zona de conflito da mediação discursiva e subjetiva de sujeitos que se expressam por línguas tão distintas. Significa construir pontes dialógicas entre sujeitos singulares, descontruir e reconstruir enunciados, produzir sentidos e aproximar olhares e culturas. Descobrimos que ser intérprete é ser mediador de mundos.

Notas

58 Minha pesquisa de mestrado foi financiada pela CAPES e defendida em dezembro de 2010, sob a orientação da Profa. Dra. Beth Brait: NASCIMENTO, M. V. B. Interpretação da língua brasileira de sinais a partir do gênero jornalístico televisivo: elementos verbo-visuais na produção de sentidos. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada e Estudos da Linguagem). São Paulo: LAEL/PUC-SP, 2011.
59 O bloco descrito e transcrito está disponível no canal da TV Sentidos no YouTube, mais especificamente no link: http://www.youtube.com/watch?v=1D0q5vmqd1c (Acesso em 18 de junho de 2010).

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