porsinal  
ArtigosCategoriasArtigos Científicos
Mnica Conforto Gargalaka
Mnica Conforto Gargalaka
Especialista em Traduo/Interpretao e Ensino de Libras
O uso do BLOG como recurso pedaggico no ensino de LIBRAS: As possibilidades das palavras nesse Ciberespao
0
Publicado em 2012
Libras em estudo: ensino-aprendizagem, FENEIS-SP, p79-103
Mnica Conforto Gargalaka
  Artigo dispon�vel em vers�o PDF para utilizadores registados
Resumo

A partir do reconhecimento da Lngua Brasileira de Sinais Libras como lngua da comunidade surda brasileira, por meio da Lei 10.436 (BRASIL, 2002) e do Decreto 5.626 (BRASIL, 2005) que tornou o ensino de Libras obrigatrio nos cursos de graduao, uma nova demanda de cursos surge no universo de ensino de segunda lngua. O presente trabalho procura analisar criticamente o uso do blog, espaos de informaes constitudos na Internet sobre os mais diversos temas, como recurso pedaggico no ensino da Libras para alunos adultos ouvintes em cursos bsico e intermedirio. Esta pesquisa foi fundamentada terica e metodologicamente na perspectiva histrico-cultural, luz da teoria enunciativa de Bakhtin e da teoria da construo do conhecimento de Vygotsky. A anlise qualitativa foi realizada pela leitura e descrio das partes constituintes do blog, como layout, postagens, comentrios, ilustraes, uso de recursos miditicos e tambm por entrevistas com os professores/produtores do blog. Tais anlises nos levaram a concluir que o blog pode se constituir um recurso pedaggico atraente, capaz de alcanar alunos e facilitar a aprendizagem. Pode tambm ser usado de outras formas, como veremos no corpo deste artigo.

O ensino de segunda língua: caminhos percorridos

O ensino de línguas tem passado por várias transformações, desde a concepção do que é língua até o que significa ensinar e aprender uma nova língua. Richards (2006) revela que o ensino de segunda língua ou língua estrangeira se utilizou de vários métodos e abordagens, desde processos de apropriação pela memorização de estruturas sintáticas, conforme previa o método direto (áudio-oral) ou método da tradução até chegarmos às abordagens mais atuais, onde se tem investido no estudo de métodos mais próximos da realidade social dos alunos, com foco no desenvolvimento de habilidades comunicativas. Richards (2006) “Em vez de utilizar atividades que exigiam repetições precisas, memorizações de sentenças e de modelos gramaticais, as atividades levavam os alunos a negociar significados e a interagirem de forma significativa”.

As instituições de ensino de segunda língua têm usado recursos tecnológicos visando proporcionar aos seus alunos atividades e interações significativas por meio de novos softwares, sites interativos, fóruns, dicionários on-line, blogs com atividades e informações extracurriculares.

Dentre estas muitas soluções tecnológicas, Gomes (2005) indica que o blog é um recurso acessível a qualquer professor, independente da instituição em que atua. Dessa forma, muitos educadores passam a vê-lo como uma possibilidade de um recurso ou estratégia pedagógica. Para a autora, os blogs podem ser usados enquanto “recurso pedagógico” ou como “estratégia pedagógica”. Ela desenvolveu uma distinção entre essas funções.

Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:

  • Um espaço de acesso à informação especializada,
  • Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.

Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:

  • Um portfólio digital.
  • Um espaço de intercâmbio e colaboração.
  • Um espaço de debate – role playing.
  • Um espaço de integração.

(GOMES, 2005, p. 312 e 313)

O ensino da Libras no Brasil é algo recente, visto que seu próprio reconhecimento como língua da comunidade surda em 2002, por meio da lei federal nº 10.436 (BRASIL, 2002). O processo de formação de professores de língua de sinais, a produção de material didático e os recursos pedagógicos são bastante incipientes. A formação específica é recente e escassa, sendo disponibilizados cursos de capacitação em alguns estados brasileiros, e um primeiro curso de graduação a distância oferecido pelo Ministério da Educação e Cultura em Letras Libras, que teve as primeiras turmas de professores surdos e ouvintes formadas em 2010. Consequentemente, a quantidade de material didático para o ensino dessa língua é insuficiente, não proporcionando continuidade dos estudos em diferentes níveis; geralmente é disponibilizado apenas um livro para o nível básico. Os professores por sua vez, vêem a necessidade de desenvolver seu próprio material didático (ALBRES, 2010).

Temos observado recentemente que além da produção de material como apostilas para cursos específicos de Libras, alguns professores têm se apropriado da tecnologia e desenvolvido blogs para fins de ensino da língua. Dessa forma, temos como objetivo analisar dois blogs utilizados para o ensino de Libras. Para tal análise faremos uso do referencial teórico histórico cultural, principalmente nas questões do uso da enunciação e interação verbal.

BLOG: Conceito, origem e principais funcionalidades

Com o crescente uso da Internet as pessoas sentiram necessidade de um espaço que pudessem de uma forma descomplicada relatar suas ideias, seus saberes e devaneios. Surgiram assim, os blogs, como diários on-line que permitem aos usuários postarem de forma simples diversos conteúdos e aos leitores registrarem seus comentários sobre os assuntos postados.

De acordo com Gomes (2005), blog é a abreviatura do termo original da língua inglesa weblog, uma página na web que pode ser atualizada com grande frequência por meio da inserção de mensagens (posts). São páginas constituídas por

Imagens e/ou textos de pequenas dimensões (muitas vezes incluindo links para sites de interesse e/ou comentários e pensamentos pessoais do autor) apresentadas de forma cronológica, sendo as mensagens mais recentes apresentadas em primeiro lugar. A estrutura natural de um blog segue, portanto, uma linha cronológica ascendente (GOMES, 2005, p.1).

Jorn Barger desenvolveu este sistema em meados de 1997, o primeiro weblog 3 da história ainda mantém sua forma original e pode ser visitado na rede. O uso efetivo dos blogs começou em 1999, quando os chamados blogueiros (escritores de blogs) começaram a construir blogs para relatar temas diversos, deixaram então de ser simples “diários virtuais” e passaram a conter assuntos mais abrangentes e conteúdos mais relevantes. As pessoas passaram a construir blogs cada vez mais atraentes e expor ao mundo seus pensamentos, coisa nunca imaginada tempos atrás. Novaes afirma que:

A moda dos blogs começou mesmo no ano de 1999, quando muitos blogueiros começaram a construir blogs para tratar sobre diversos assuntos, alguns para fazer um “diário virtual”, outros para fazer humor, política, e assim por diante; mesmo com conhecimentos intermediários em linguagens de programação e design, os blogueiros se sentiam importantes com seus blogs, eles o tratavam como joias raras e mostravam para todo mundo como se os assuntos apresentados ali fossem algo do interesse de todos (NOVAES, 2007–2008, s.p.).

O sucesso dos blogs está associado ao fato de serem espaços constituídos na Internet facilmente criados por usuários sem conhecimentos aprofundados em programação e construção de websites, e frequentemente sem custos, uma vez que vários sites disponibilizam sistemas de criação, gestão e armazenamento gratuitos. Além disso, o blog também possibilita a inserção de inúmeros recursos, o que faz com que se tornem mais atraentes e dinâmicos. Arquivos em áudio, vídeos, imagens e ainda, a alteração de seu modelo são alguns exemplos que podem auxiliar na caracterização desse ambiente virtual estabelecendo, inclusive, a sua identidade. Hoje, podemos usar especificamente blogs só para postar vídeos, os videologs ou vlogs, ou só para postar fotos, os fotologs ou flogs.

Komesu (2004) em seu texto aponta:

[...] a facilidade para a edição, atualização e manutenção dos textos em rede foram – e são – os principais atributos para o sucesso e a difusão dessa chamada ferramenta de autoexpressão. A ferramenta permite, ainda, a convivência de múltiplas semioses, a exemplo de textos escritos, de imagens (fotos, desenhos, animações) e de som (músicas, principalmente) (KOMESU, 2004, p. 111).

O conceito de blog vem se ampliando, deixando de ser apenas um registro de simples acontecimentos da vida cotidiana para se tornar espaços de informações aprofundadas dos mais diversos temas, ferramentas pedagógicas no processo de ensinoaprendizagem de diferentes cursos, espaços comerciais de propagandas e comércio de produtos variados.

O presente artigo se propõe analisar especificamente blogs criados para serem utilizados como recurso pedagógico. Por serem páginas de fácil edição e publicação, permitem aos leitores uma fácil interação com o autor. Aos alunos democratiza o acesso aos conteúdos, facilita os trabalhos interdisciplinares e transdisciplinares constituindo alternativas interativas e de suporte a projetos que envolvam a escola e até a família e a comunidade, ajudando a construir redes sociais e redes de saber.

Os professores podem propor a criação de um blog para diferentes atividades como discussão de temas abordados na escola, elaboração de projetos de determinadas disciplinas, usá-los como portfólio de atividades, dentre outros. A possibilidade dos alunos se expressarem dinamiza naturalmente um espaço, no qual a produção de escrita eletrônica pode ampliar a motivação e o diálogo, tornando professores e alunos aliados no processo de ensino-aprendizagem (MERCADO, 2008).

O referencial teórico

Para o diálogo que fundamenta esta pesquisa elegemos os teóricos Lev S. Vygotsky e Mikhail Bakhtin. Apropriamos-nos do texto “Pensamento e Palavra” de Vygotsky (1998) e “Interação Verbal” de Bakhtin/Volochínov (1992) que nos conduziram nas reflexões dessa pesquisa.

Compreendemos que a linguagem humana vai além da palavra, da formalização do signo linguístico. Para Bakhtin/ Volochínov (1992), quem diz algo, diz para alguém e com uma intenção. Assim como quem escreve algo, usando a língua materializada na palavra escrita também o tem.

Essa orientação da palavra em função do interlocutor tem uma importância muito grande. Na realidade, toda palavra comporta duas faces. Ela é determinada pelo fato de que procede de alguém, como pelo fato de que se dirige para alguém. Ela constitui justamente o produto da interação do locutor e do ouvinte. Toda palavra serve de expressão a um em relação ao outro (BAKTHIN/ VOLOCHÍNOV, 1992, p. 113).

Nesta direção, o professor faz uso do ciberespaço para expor suas ideias, seus argumentos e pretende encontrar esta interação na leitura que o aluno faz dos conteúdos. Pretende também que esta interação se efetive, na devolutiva proposta aos alunos, em forma de comentários e opiniões. Segundo Bakthin/Volochínov (1992), “não é a atividade mental que organiza a expressão, mas, ao contrário, é a expressão que organiza a atividade mental, que a modela e determina sua orientação” (BAKTHIN/VOLOCHÍNOV, 1992, p. 112).

Ao fazer uso do blog, o professor tem a seu favor múltiplos recursos midiáticos que podem enriquecer seu repertório de atividades e proporcionar novas formas de apresentar um conteúdo, inserindo-o no mundo real, fazendo assim, uso de várias formas de expressão para alcançar seus reais objetivos. Ao fazer isto, o professor também reelabora os conceitos que tinha de tais conteúdos. “Qualquer enunciação, por mais significativa e completa que seja, constitui apenas uma fração de uma corrente de comunicação verbal ininterrupta (concernente à vida cotidiana, à literatura, ao conhecimento, à política, etc.)” (BAKTHIN/ VOLOCHÍNOV, 1992, p. 123).

Todo este material colocado no blog não é estático, não fica estagnado. Constatamos que mesmo depois do término do curso, continuam sendo acessados e comentados, fazendo com que o conteúdo se transforme permanentemente na mente dos que dele tem acesso. “Em consequência, todo o itinerário que leva da atividade mental (o conteúdo a exprimir) à sua objetivação externa (a enunciação) situa-se completamente em território social” (BAKTHIN/ VOLOCHÍNOV, 1992, p. 117).

Estes significados se constroem constantemente pelo fato do blog estar disponível num ambiente social de livre acesso e sem restrições de tempo e espaço, para que tal construção se efetive. Neste ambiente, fazer uso da palavra e de seus significados é um grande desafio para o professor. Toda palavra é dotada de significado que está intrinsicamente ligado ao pensamento e a linguagem, segundo Vygotsky (1991).

O significado duma palavra representa uma amálgama tão estreita de pensamento e linguagem que é difícil dizer se se trata de um fenômeno de pensamento, ou se se trata de um fenômeno de linguagem. Uma palavra sem significado é um som vazio; portanto, o significado é um critério da palavra e um seu componente indispensável. (VYGOTSKY, 1991, p. 118)

O uso do blog como recurso pedagógico nos remete ao conceito de mediação trazido por Vygotsky. Para ele, a atividade humana é mediada pelo uso de ferramentas, que estão para a evolução cultural como os genes estão para a evolução biológica. Cada indivíduo alcança a consciência da atividade mediada por essas ferramentas, que unem a mente com o mundo real dos objetos e dos acontecimentos.

A relação com o social, a aquisição da cultura e a individualização fazem com que, por meio da mediação, o indivíduo passe de formas elementares de ação (automáticas, biológicas, naturais) a mais complexas, como as funções mentais superiores (intencionais, controladas), dotadas de recursos mediacionais internalizados. Quando o sujeito entra em contato com conceitos mais abstratos, vai ampliando suas funções mentais, acrescentando às funções elementares as funções mentais superiores, desenvolvendo assim ações controladas, intencionais e conscientes.

A mediação caracteriza a relação do homem com o mundo e com os outros homens. É por meio desse processo que as funções psicológicas superiores, especificamente humanas se desenvolvem. Podemos então pensar no blog como uma ferramenta de mediação que auxiliará no desenvolvimento de novas ações e novas aquisições de conhecimento. Segundo Vygotsky (1934-1998)

Da mesma forma como o primeiro uso de instrumentos refuta a noção de que o desenvolvimento representa o mero desdobrar de um sistema de atividade organicamente predeterminado da criança, o primeiro uso de signos demonstra que não pode existir, para cada função psicológica, um único sistema interno de atividade organicamente predeterminado. O uso de meios artificiais – a transição para a atividade mediada- muda, fundamentalmente, todas as operações psicológicas, assim como o uso de instrumentos amplia de forma ilimitada a gama de atividades em cujo interior as novas funções psicológicas podem operar (VYGOTSKY, 1934-1998, p. 63 e 64).

Ao analisar novos temas, como o uso da tecnologia nos processos de ensinoaprendizagem, concordamos com Vygotsky (1991) quando afirma que estudar alguma coisa historicamente significa estudá-la no processo de mudança. Ao usar o blog como ferramenta de interação entre professores e alunos inseridos num mundo virtual, ambos construindo seu conhecimento, percebemos um novo momento histórico nas relações de protagonismo dos atores deste processo. Vygotsky (1991) afirma:

Numa pesquisa, abranger o processo de desenvolvimento de uma determinada coisa em todas as suas fases e mudanças – do nascimento à morte – , significa, fundamentalmente, descobrir sua natureza, sua essência, uma vez que “é somente em movimento que um corpo mostra o que é” (VYGOTSKY, 1994, p. 68).

Metodologia

A produção do conhecimento requer um posicionamento do pesquisador quanto ao paradigma em que se inscreve ao seu objeto de estudo, aos seus objetivos e a metodologia de trabalho.

Estamos envolvidos com a temática da educação e do uso da tecnologia, concordamos com Shaff (1995) quando afirma que “é atribuído aqui um papel ativo ao sujeito submetido por outro lado a diversos condicionamentos, em particular às determinações sociais, que introduzem no conhecimento uma visão da realidade socialmente construída” (SHAFF, 1995, p. 75).

Trabalhamos por anos com o uso da tecnologia na educação de surdos. A temática de ensino de Libras fazendo uso de recursos tecnológicos como o blog ainda foi pouco explorada em pesquisa.

Consideramos que o pesquisador analisa o objeto e é ao mesmo tempo influenciado por ele. Seguindo as proposições de Shaff (1995) “esta interação produz-se no enquadramento da prática social do sujeito que aprende o objeto na – e pela – sua atividade” (SHAFF, 1995, p. 75).

Inscrevemo-nos na abordagem histórico-cultural que tem como princípio a dialética. Como indica Engels (apud VYGOTSKY, 1998) “A abordagem dialética, admitindo a influência da natureza sobre o homem, afirma que o homem, por sua vez, age sobre a natureza e cria, através das mudanças nela provocadas, novas condições naturais para sua existência.” (ENGELS apud VYGOTSKY, 1998, p. 80).

Da mesma forma que o homem criou instrumentos que modificaram sua vida na era primitiva, na atualidade o homem cria a tecnologia, os computadores, os softwares, os recursos midiáticos que transformam suas relações de aprender e interagir. Nesta pesquisa, as perguntas que nos impulsionaram foram:

  1. Qual a função do blog no ensino de Libras?
  2. Como é proposta a participação do aluno no blog?
  3. De que forma o blog contribui para a formação do aluno em Libras?

O objetivo desta pesquisa é analisar uso de dois blogs utilizados em cursos de Libras para adultos ouvintes. A seleção das páginas para fazer parte do corpo da pesquisa seguiu o critério de ser blog usado em cursos de Libras destinados a adultos ouvintes e produzidos pelo próprio professor como um recurso pedagógico.

Realizamos o levantamento na Internet de páginas com estas características, selecionamos dois objetos que se enquadravam nas especificações e eram vinculados a pessoas que se dispuseram a responder nossas entrevistas e fornecer dados sigilosos, como estatísticas de acessos. Após a seleção, foi desenvolvida uma descrição das partes constituintes do blog. Lemos atentamente todas as postagens, analisamos o conteúdo, as ilustrações, o modo de apresentação, e os comentários.

Os blogs analisados tinham como objetivo principal, inicialmente, informar, debater e transmitir tarefas aos alunos matriculados nos cursos de Língua Brasileira de Sinais – Libras para alunos ouvintes de duas Instituições de ensino.

O blog A, denominado Aprendo Libras: Uma viagem ao mundo visual e especial (figura 1) foi criado pelo professor da disciplina 4, como recurso pedagógico de um curso de graduação, onde a disciplina Libras se fez obrigatória partir do Decreto-lei nº 5.626/05. Os alunos deste curso estavam no nível básico de Libras, eram iniciantes.

O blog B denominado CSS: Curso de Libras Intermediário (figura 2) foi criado, pelo consultor do curso 5 e implementado pelo próprio professor da disciplina 6, como recurso pedagógico num curso intermediário de Libras, numa associação de surdos de uma cidade do Estado de São Paulo.

Para além da descrição, como aponta Vygotsky (1998) está a atividade do pesquisador em trabalhar com a explicação, buscando as relações dinâmico-causais subjacentes ao fenômeno.

Ao desenvolver a apreciação fomos construindo o texto explicativo organizado em categorias de análise. Entre elas:

  1. Blog como espaço de mediação para a aprendizagem;
  2. Apresentação da língua – gramática e comunicação;
  3. Interação professor-aluno – recados dos alunos no blog;
  4. Estatística dos blogs;
  5. As vozes dos produtores dos blogs.

No decorrer da análise percebemos que faltava algo, faltava a palavra dos que do blog participaram, na perspectiva do professor ou na perspectiva do aluno. Definimos que realizaríamos entrevistas com os professores/produtores. Na busca de compreender de que maneira os blogs no curso de Libras poderiam se constituir como uma possibilidade de formação ao aluno-aprendiz desta língua, realizamos duas entrevistas. Uma com a professora de Libras criadora do blog “Aprendo Libras” e outra com a consultora que criou o blog “CSS – curso intermediário”. As perguntas foram enviadas por e-mail e respondidas por escrito. As questões norteadoras da entrevista foram:

  1. Quais foram seus objetivos e expectativas ao criar o blog? Eles foram alcançados?
  2. Como foi sua interação com os alunos do site?
  3. Qual foi sua maior dificuldade durante o processo de construção e uso do blog?
  4. O que mudou na sua pratica pedagógica depois desta experiência? As respostas das entrevistas foram analisadas e os dados copilados no corpo deste artigo.

Análise dos dados

a) Blog como espaço de mediação para a aprendizagem

Por muito tempo, tínhamos apenas a figura do professor como mediador no processo de ensino aprendizagem. É papel inerente do professor se colocar como facilitador, incentivador ou motivador da aprendizagem. Com o uso das tecnologias em educação, todos os recursos midiáticos, podem ser usados como uma ponte que efetivamente colabora para que o professor alcance seus objetivos propostos. Segundo Perez e Castillo (1999, p.10), “a mediação pedagógica busca abrir um caminho a novas relações do estudante: com os materiais, com o próprio contexto, com outros textos, com seus companheiros de aprendizagem, incluído o professor, consigo mesmo e com seu futuro”.

São características da mediação pedagógica: provocar inquietações, trocar experiências, debater ideias, dúvidas, suposições, apresentar perguntas orientadoras expor diferentes pontos de vista, provocando inter-relações entre diferentes assuntos e temas acadêmicos e sociais, ampliando assim o horizonte dos educandos e oferecendo um leque infinito de relações e correlações feitas a partir de novas provocações. Estas características e muitas outras sempre trabalhadas por meios convencionais podem agora fazer uso das novas tecnologias e de recursos que utilizados de maneira consciente, auxiliam o professor nestas tarefas.

Para Masetto (2010), por novas tecnologias em educação, entende-se o uso da informática, do computador, da internet, do CD-ROM, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas para educação a distância – como chats, grupos ou listas de discussão, email, etc.

O Blog pode ser um espaço efetivo de mediação de novas aprendizagens. Os recursos audiovisuais e a leitura fazem com que o aluno possa ter experiências diversas neste processo de busca de conhecimento e informação. Todos estes recursos cooperam para o processo de aprendizagem a distância, virtual, colocando os alunos trabalhando, discutindo, pesquisando, perguntando e respondendo muitas vezes em tempo real de diferentes lugares do planeta.

Freitas (2009) adverte que “o conceito de mediação é central em sua teoria e, para melhor compreendê-lo, é preciso partir do que o autor considera como instrumento. A noção de instrumento não pode ser considerada desvinculada da perspectiva do desenvolvimento humano visto como o entrelaçamento do natural, biológico com o cultural” (FREITAS, 2009, p. 4).

Sabemos que o blog é um espaço de mediação de novas aprendizagens, mas poderia também, ser um espaço de mediação para a aprendizagem da Libras e questões relacionadas à surdez?

Freitas (2009) analisa que “a criação do computador e a partir dele da internet são o resultado de um esforço do homem que, interferindo na realidade em que vive, constrói esses objetos culturais da contemporaneidade, que são, ao mesmo tempo, um instrumento material e um instrumento simbólico.” (FREITAS, 2009, p. 4)

Ao analisar os blogs escolhidos sob o aspecto da mediação, percebemos que:

O blog A foi criado em fevereiro de 2009 e inicialmente os conteúdos postados eram referentes a vocabulário em Libras, gramática e aspectos históricos da educação de surdos. Com o passar do tempo, o conteúdo foi se tornando mais diversificado indicando aspectos sobre a comunidade e cultura surda, literatura complementar e links correlacionados ao tema. Percebemos aqui, o uso do blog como recurso pedagógico, onde o aluno, dependendo do seu interesse, pode se aprofundar no assunto e realizar as suas próprias buscas e descobertas sobre a Libras e a comunidade surda, mediando o conteúdo trabalhado em sala de aula e o vasto conteúdo disponível na Internet.

O blog B foi criado em junho de 2009 e pareceu estar mais voltado aos aspectos do curso, da aula, suas postagens retomam interações e os conteúdos trabalhados com os alunos. Servindo muitas vezes como opção de reforço, e sugerindo tarefas de fixação.

b) Apresentação da língua – gramática e comunicação

O uso do blog como recurso pedagógico é pertinente no ensino da Libras. Sendo esta uma língua de modalidade viso-espacial, os recursos midiáticos fornecem muitas possibilidades como, no blog, o uso de imagens atrativas, vídeos que reproduzem os sinais, fotos que mostram referências. Percebemos que os autores utilizaram amplamente tais recursos, ambos tiveram a preocupação em apresentar a estrutura gramatical da língua de sinais, por meio do uso de uma linguagem simples e objetiva.

Fizeram uso de recursos gráficos, usando muitas imagens (desenhos) para ilustrar o conteúdo abordado e facilitar a internalização da sintaxe da Libras. Abaixo temos exemplos do uso de recursos em vídeo e figuras para explicar o conteúdo gramatical e comunicativo: ver figura 3.

Nesta atividade é apresentado um vídeo onde várias pessoas se apresentam, digitam seu nome e o propõem aos alunos do curso de Libras que treinem a leitura do alfabeto digital, descobrindo assim qual o nome digitado. Este mesmo blog tem notas de gramática no decorrer das postagens, sendo gradualmente apresentado.

Na figura 4, ilustramos a apresentação de um tópico de gramática do blog, voltado ao ensino da estrutura de sentença interrogativa na Libras. Comparamos ao tópico de gramática do blog B, com o mesmo conteúdo de ensino. O autor do blog A, utilizou da transcrição da Libras para o português (Glosa) e de desenhos da sinalização em Libras retirados de livro didático e referenciado ao final da mensagem postada no blog.

O uso da glosa para fazer transcrições da Libras para a Língua Portuguesa tem se mostrado como um elemento facilitador na aprendizagem dos alunos ouvintes. Buisson (2007) revelou em suas pesquisas que a glosa pode servir como “ponte” entre a língua de sinais (ASL) e a língua oral (Inglês), em seu estudo envolvendo surdos e ouvintes, investigou como o uso da glosa pode facilitar a aprendizagem da American Sign Language – ASL, para tanto desenvolveu um site em que usava a glosa em exercícios pré-estabelecidos. Os resultados mostraram uma melhora de 39% para 71% sobre o conhecimento da gramática da ASL, revelando assim que o uso de glosas em as aulas on-line é um elemento facilitador na formação de professores.

A figura 5 mostra aos alunos uma forma, regular de construção de frases interrogativas em Libras, sempre com o pronome interrogativo no final.

O autor do blog B fez uso da transcrição de Libras e de um software que possibilita criar personagens com as características singulares de alguns alunos, o que aproxima e personaliza ainda mais suas imagens.

Analisamos também o layout de cada blog, pois há que se atentar a qualidade gráfica e definições adequadas de fotos e vídeos quando fazemos uso de tais recursos.Um vídeo ou fotos de baixa resolução, bem como cores muito fortes e poluição visual podem produzir um efeito contrário aquele desejado pelo professor.

c) Interação professor-aluno – recados dos alunos no blog

Outro recurso que pode ser amplamente explorado é o da interação entre os usuários do blog. Estes contatos podem ser estabelecidos por meio de comentários, fóruns para debate de conceitos e opiniões, chats para conversas on-line e listas eletrônicas que propiciam uma conexão virtual permanente entre o professor e os alunos/usuários fornecendo informações adicionais aos conceitos trabalhados em sala, novas orientações bibliográficas, esclarecendo dúvidas e propondo novas tarefas e pesquisas.

Todos estes mecanismos de interação levam a uma aprendizagem colaborativa, fazendo com que os educandos assumam um papel dinâmico pela busca de novos saberes. Estimula os usuários a serem protagonistas e saírem do simples papel de recebedores de informações. A aprendizagem deve ser significativa, desafiadora, instigante e problematizadora, provocando no educando o desejo de buscar soluções. Para Moraes (1997), o processo de aprendizagem colaborativa precisa ter claro que a interação reconhece:

Que sujeito e objeto são organismos vivos, ativos, abertos, em constante intercâmbio com o meio ambiente, mediante processos interativos indissociáveis e modificadores das relações sujeito-objeto e sujeito-sujeito, a partir dos quais um modifica o outro, e os sujeitos se modificam entre si. É uma proposta sociocultural, ao compreender que o “ser” se constrói na relação, que o conhecimento é produzido na interação com o mundo físico social, a partir do contato do individuo com sua realidade, com os outros, incluindo aqui sua dimensão social, dialógica, inerente à própria construção do pensamento (MORAES, 1997, p. 66).

Todos estes recursos, disponíveis para interação, podem ser acessados por alunos do curso e todos os usuários da Web. No mundo globalizado, sem barreiras de tempo e espaço cabe ao autor do blog acionar os mecanismos disponíveis para limitar o acesso a estas ferramentas. Observamos que o blog A utilizou efetivamente estes expedientes, propondo atividades que levaram os alunos e também os blogueiros, em geral, a participarem com comentários e opiniões, veja abaixo a resposta de um usuário à indicação de leitura do livro “Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos” e sobre as aulas em geral. Ver figuras 6,7 e 8.

Constatamos que para além dos alunos dos cursos a quem se destinavam os blogs A e B, há recadinhos de outros internautas no blog, pois acompanham o material postado e participam.

Estas trocas de informações, opiniões e diálogos, nos remetem a Pereira (apud Bakhtin, 2003) quando diz,

Não há palavra que seja a primeira ou a última, e não há limites para o contexto dialógico (este se estende ao passado sem limites e ao futuro sem limites). Nem os sentidos do passado, isto é, nascidos no diálogo dos séculos passados, podem jamais ser estáveis (concluídos, acabados de uma vez por todas): eles sempre irão mudar (renovandose) no processo de desenvolvimento subsequente, futuro do diálogo. Em qualquer momento do diálogo existem imensas e ilimitadas de sentidos esquecidos, mas em determinados momentos do sucessivo desenvolvimento do diálogo, em seu curso, tais sentidos serão relembrados e reviverão de forma renovada (em novo contexto). Não existe nada absolutamente morto: cada sentido terá sua festa de renovação. Questão de grande tempo (BAKHTIN, 2003, p. 410 apud PEREIRA, 2010, p. 69).

As palavras postadas no blog, usando o recurso da mensagem ou do mural de recados revelam esta dialogia. Cada sujeito que toma este blog a sua frente faz uma leitura do material neste momento e sua mente trabalha com relação aos outros espaços (uma aula, uma leitura, uma vivência), mesmo que o sujeito leia novamente não poderá reiterar este momento.

d) Estatística dos blogs

Durante as entrevistas, além das muitas percepções acerca da elaboração e construção dos blogs, os autores nos deram acesso a algumas informações que apenas os administradores possuem. Entre elas, estão as estatísticas de acesso e tráfego.

Observando a figura 9, concluímos que o blog “Aprendo Libras” apesar de ter encerrado as turmas de Libras em junho de 2010, no segundo semestre de 2010 e em 2011 continua recebendo vários acessos, não tanto quanto no período de aulas que atingiu quase 9.000 acessos, mas percebemos que se tornou referência para aqueles que buscam informações sobre o assunto.

Já o blog da “CSS”, tendo um público menor, chegou ao máximo de 100 acessos quando o curso estava em andamento e atualmente é pouco consultado (figura 10). Estes resultados nos levam a perceber que por ter um conteúdo mais abrangente o blog A continuou sendo acessado por visitantes e que por ter o conteúdo mais diretamente voltado aos temas do curso, o blog B teve diminuição no numero de acessos depois da conclusão do curso.

e) As vozes dos produtores dos blogs

Este espaço é dedicado às palavras dos criadores do blog, a partir das entrevistas realizadas por e-mail aos seus criadores/produtores. Quando os criadores do blog foram questionados sobre seus objetivos e expectativas ao criar o blog, a autora do “Aprendo Libras” refere em suas respostas que seus objetivos foram amplamente alcançados.

“O objetivo era criar um espaço para colocar informações gerais sobre a comunidade surda, atividades, eventos e colocar a par do andamento da matéria para os alunos que faltassem uma ou outra aula. Alguns alunos da disciplina de Libras até participaram de alguns eventos sociais como a festa junina da Escola Instituto Santa Teresinha e a Reatch. Encontrei com os alunos nestes lugares e disseram ter ido por conta da divulgação”.

Quanto à interação, esta não estava em evidência, pois se dava nas aulas presenciais e o espaço usado era prioritariamente de informação.

“Não tinha muita interação, era espaço de informação apenas. Apesar de lá ter um espaço de recado, não funcionava como espaço de interação, para isso os alunos poderiam usar o e-mail do professor ou as conversas presenciais em sala de aula”.

A autora não sentiu nenhuma dificuldade na criação, muito pelo contrário, sentiu-se desafiada a dominar mais esta ferramenta. Por fim, relatou que o blog se constituiu em um portfólio das atividades realizadas em sala de aula.

“Não senti dificuldade. Acredito que o instigante era que no começo não sabíamos muito como funcionaria este espaço virtual e depois ficamos impressionados do número grande de acessos. Senti que o blog era de certa forma o registro do trabalho em sala de aula, pois o que era postado nele estava relacionado com os temas de aula, com as discussões feitas em sala, com uma pergunta ou comentário de algum aluno em algumas das salas”.

A organizadora do blog “CSS – curso intermediário” relatou em suas respostas que o objetivo ao criar esta página foi suprir a falta de um material didático, inexistente no curso.

“Como neste curso não tínhamos um material didático, o objetivo era que os alunos pudessem ter acesso ao conteúdo das aulas por meio do blog, que pudessem imprimir os textos e explicações de gramática, pudessem ver os vídeos passados em sala de aula, sem necessariamente baixar o vídeo”.

Seus objetivos foram parcialmente alcançados, uma vez que a demanda gerada com a criação de material, preparação de aulas e alimentação do blog excedia o tempo que tinha reservado para realizar tais tarefas.

“Os objetivos foram parcialmente alcançados. Visto que pela falta de um material didático e pela necessidade do professor planejar a aula, criar material e postar para os alunos no blog, por vezes o material a ser postado não era feito ou era feito atrasado, já que o mais importante era a preparação para a aula”.

Aqui também não havia a preocupação com a interação com os alunos, pois o blog era usado como livro didático e de tarefas, e a interação se dava presencialmente.

“A proposta era também de envio de atividades dos alunos pelo blog, mas não tinha um espaço para o feedback, por vezes o feedback era feito em sala. Então, o blog funcionava como uma possibilidade de espaço para envio de tarefa e de estudo pelo aluno, como o livro didático e o livro de tarefas de cursos de línguas”.

Enfim, relata a experiência como positiva, uma vez que este espaço compartilhado tornou a prática do professor mais leve e mais fluída, disponibilizando assim materiais para consulta e para estudo.

Percebemos por meio da análise destas respostas uma estreita relação entre o pensamento e a palavra, estas relações se modificam continuamente neste ciberespaço, onde a proposição de uma atividade e de uma informação pode desencadear nos usuários outros desdobramentos e inquietações. Vygotsky (1991) ao relatar palavra e pensamento, afirma:

As palavras não se limitam a exprimir o pensamento: é por elas que este acede à existência. Todos os pensamentos tendem a relacionar uma determinada coisa com outra, todos os pensamentos tendem a estabelecer uma relação entre coisas, todos os pensamentos se movem, amadurecem, se desenvolvem, preenchem uma função, resolvem um problema (VYGOTSKY, 1991, p. 124).

Apreendemos que a experiência relatada pelos professores/criadores dos blogs, proporcionou a cada um deles, uma nova postura frente às novas tecnologias e aos novos significados que podemos dar a estes recursos no processo de ensinoaprendizagem que surgem diante de nós a cada dia no universo educacional o qual estamos inseridos. Para José Manoel Moran (2010),

Tanto nos cursos convencionais como nos cursos à distância teremos que aprender a lidar com a informação e o conhecimento de formas novas, pesquisando muito e comunicando-nos constantemente. Isso nos fará avançar mais rapidamente na compreensão integral dos assuntos específicos, integrando-os num contexto pessoal, emocional e intelectual mais rico e transformador. Assim poderemos aprender a mudar nossas ideias, nossos sentimentos e nossos valores onde isso se fizer necessário (MORAN, 2010, p. 61).

Por fim, concluímos que todas estas novas possibilidades que nos advêm quando adentramos ao universo das novas tecnologias, requererá de nós, professores, disposição para aceitar, elaborar e utilizar “o novo”. Aceitar os novos recursos tecnológicos e tirar o melhor proveito de seu uso nos tornará aptos a proporcionar a nossos alunos inúmeras possibilidades de aprendizagem.

Considerações finais

O objetivo desta pesquisa foi refletir sobre o uso e a apropriação de recursos midiáticos para uma nova prática pedagógica. Como podemos por meio do uso de instrumentos simples, enriquecer nossas estratégias, despertar em nossos alunos o interesse por determinado conteúdo, ou acrescentar informações dando oportunidade de aprofundamento no tema, abrindo caminho para que ele por meio de pesquisas possa complementar seus conhecimentos.

O desafio imposto a nós professores é quebrar velhos paradigmas e mudar o eixo de ensinar para optar pelos novos caminhos que levam ao aprender. O desejo de mudança, a busca por novas estratégias e a apropriação de práticas inovadoras nos leva a instigar em nossos alunos o desejo de buscar novas experiências, passando a ser descobridores, transformadores e produtores do conhecimento. Moran (2010) afirma que “o professor tem um grande leque de opções metodológicas, de possibilidades de organizar sua comunicação com os alunos, de introduzir um tema, de trabalhar com os alunos presencial e virtualmente, de avaliá-los” (MORAN, 2010, p. 32).

Ao final deste trabalho, concluímos que o blog pode ser usado como um recurso pedagógico atraente, capaz de alcançar os alunos e facilitar sua aprendizagem. Pode ser usado como portfólio de atividades, como material didático virtual e interativo, e como recurso de ensino a distância.

Especialmente no ensino de Libras, ao fazer uso dos recursos visuais de vídeo e foto, se constitui um grande aliado no processo de ensino e aprendizagem. A interação professor-aluno é estabelecida pelo criador do recurso, dando maior ou menor espaço para que isto aconteça. Ressaltamos aqui, a possibilidade de participação de visitantes que não fazem parte do grupo classe, o que proporciona uma nova perspectiva de interação e aprendizagem.

Tais recursos e possibilidades produzem ganhos para todos os atores envolvidos neste processo. O professor que cria e alimenta o blog e o aluno que dele faz uso se beneficiam igualmente, por se sentirem desafiados a cada postagem, a cada tarefa e cada etapa vencida.

Cada docente pode encontrar sua própria maneira de adequar os recursos midiáticos encontrados nas novas tecnologias aos conteúdos e objetivos de sua disciplina, transformando sua prática pedagógica num ensino inovador. Todos estes recursos estão em constante transformação, o que hoje é novidade, dentro de pouco tempo se tornará obsoleto. Nossa tarefa é pela busca incessante de caminhos que levem nossos alunos a crescerem e se apropriarem dos novos conhecimentos de forma efetiva e significativa.

Notas

4 Professor ouvinte com proficiência na Língua Brasileira de Sinais.
5 Professor ouvinte com proficiência na Língua Brasileira de Sinais.
6 Professor surdo fluente na Língua Brasileira de Sinais.

Bibliografia

ALBRES, N.A. A Libras Improvement Course: Santa Terezinha Institutes Experience. 21st International Congress on the Education Of the Deaf. In: Abstract Book ICED2010. Partners in Education.

BAKTHIN, M. (Volochínov). Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1992.

BAKTHIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BRASIL. Decreto-lei n. 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei n. 10.098, de 19 de dez. 2000. Disponível: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm>. Acesso: 10 out. 2010.

______. Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Disponível: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2002/L10436.htm>. Acesso: 10 out. 2010.

BUISSON, G. J. "Using Online Glossing Lessons for Accelerated Instruction in ASL for Preservice Deaf Education Majors." American Annals of the Deaf 152.3 (2007): 331-343. Project MUSE. Web. 10 Oct. 2011. <http://muse.jhu.edu/>.

FREITAS, M.T.A. A perspectiva sócio-histórica: uma visão humana da construção do conhecimento: In: FREITAS, M.T.A.; JOBIM E SOUZA, S & KRAMER, S. (orgs.), Ciências Humanas e Pesquisas, 2. ed. São Paulo: Cortez, 2003.

______. Janela sobre a utopia: computador e internet a partir do olhar da abordagem histórico-cultural. Trabalho aceito para ser apresentado no GT 16-Comunicação na 32.a. Reunião Anual da ANPED em Caxambu em outubro de 2009. http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT16-5857--Int.pdf

GOMES, M.J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. VII Simpósio Internacional de Informática Educativa – SIIE05. Universidade do Minho. Leiria, Portugal, 2005. Disponível em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. Acesso em: 10 out. 2010.

KOMESU, F.C. Blogs e as práticas de escrita sobre si na internet. In: MARCUSCHI, L.A; XAVIER, A.C. Hipertexto e gêneros digitais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004

MASETTO, M.T. Mediação Pedagógica e o uso da tecnologia. In: MORAN, J.M, MASETTO, M.T e BEHRENS, M.A., Novas tecnologias e mediação pedagógica, 17ª ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2010.

MERCADO, L.P.L, NASCIMENTO, E.F. e SILVA, L.R. O uso do Blog na prática pedagógica. Maceió: EDUFAL, 2008. Disponível em: http://www.moodle.ufba.br/file.php/8937/textos/blog_na_pratica_pedagogica.pdf . Acesso: 22, nov. 2010

MORAES, M.C. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 1997.

MORAN, J.M. Ensino e Aprendizagem inovadores com tecnologias audiovisuais e telemáticas. In: MORAN, J.M, MASETTO, M.T e BEHRENS, M.A., Novas tecnologias e mediação pedagógica, 17ª ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2010.

NOVAES, C. A história dos Blogs, 2007/2008. Disponível em: http://www.brogui.com/a-historia-dos-blogs/ Acesso em: 27 jun 2011.

PEREZ, F.G. e CASTILLO, D.P. La mediación pedagógica. Buenos Aires: Ciccus, 1999.

PEREIRA, M.L. Blogs literários no trabalho com professores de Língua Portuguesa: as possibilidades de palavras e contrapalavras. In: FREITAS, M. T. A, RAMOS, B. S. (orgs.), Fazer pesquisa na abordagem histórico-cultural: metodologias em construção, Juiz de Fora: UFJF, 2010.

RICHARDS, J.C. O Ensino Comunicativo de Línguas Estrangeiras. São Paulo: SBS, 2006.

SCHAFF, A. A sociedade informática. São Paulo: Brasiliense, 1995.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1934-1998.

______, L.S. Problemas de Método. In:________. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. SP: Martins Fontes, 1994, p.67-85.

______, L.S. Pensamento e Linguagem. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991. Série Psicologia e Pedagogia.

Coment�rios