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Joaquim Melro
Joaquim Melro
Professor Investigador
Escola Inclusiva: Uma histria de amor (nem) sempre bem contada
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Publicado em 2003
(Dissertao de mestrado, CdRom). Departamento de Educao da Faculdade de Cincias da Universidade de Lisboa (DEFCUL), Lisboa
Joaquim Melro
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Resumo

O direito Educao tomou-se, de alguns anos a esta parte, um direito de cidadania (Benavente, 1994; Freire, 1982, 1991, 1997; Sampaio, 1999). Deste modo, a Escola de e para todos, a Escola Inclusiva, um dos maiores desafios para todos aqueles que so responsveis pela educao das crianas, dos jovens e dos adultos, j que o acesso a uma escola de qualidade fazem, efectivamente, a diferena. Ter ou no ter acesso Educao, pode fazer a diferena entre aqueles que tm uma vida pessoal social bem sucedida, e aqueles que so objecto de exciuso, de discriminao e de segregao. Por isso, as exigncias da Escola hclusiva devem ser: (1) No desistir de ningum; (2) Pedir muito a todos; (3) Adaptar-se a cada um (Cunha, 1994). Assim, novos desafios se colocaram Escola: Incluir em vez de segregar e excluir; Educar em vez de apenas instruir. Pretende-se que a Escola valorize a diversidade e faa com que os diferentes tenham direito sua diferena e, simultaneamente, a um lugar na escola e na sociedade (Ainscow, 2000; Benavente et al., 1993; Csar, in press; Evans e Lunt, 2002). Exige-se que a Escola encare a diferena como uma mais valia e que, de uma vez por todas, se afirme de e para todos (Ainscow, 1997; Ainscow, Farrell e Tweddle, 2000; Bailey e Pleiss, 1997; Csar, 2000; Porter, 1997). Contudo, a passagem dos ideais expressos nos documentos de poltica educativa para as prticas que efectivem a promoo da incluso, levanta dvidas, e obriga a uma necessria vontade poltica e individual, dado que sem a colaborao activa de todos os agentes da cena educativa no se implementam prticas inovadoras. Assim, preciso passar do querer/dever fazer para o saber fazer. preciso conceber e viver a diferena como algo de positivo e de que se gosta, e levantar, deste modo, muitas das barreiras que impedem as escolas de adoptarem polticas e prticas mais inclusivas que levem a que a Escola se afirme cada vez mais como comunidade educativa inclusiva (Hegarty e Alur, 2002; Melro, 1999; Melro e Csar, 2002; Rodrigues, 2000, 2001; Silva, 1987). neste contexto que deve ser situado o nosso estudo, uma vez que um dos seus principais objectivos perceber a passagem dos ideais s prticas, pretendendo analisar e compreender o modo como a incluso concebida numa escola secundria da grande Lisboa, onde se integra um ncleo significativo de alunos ditos com NEE - surdos. Assim, os objectivos deste estudo consistem em possibilitar-nos, entre outros aspectos, (1) compreender que concepes tem esta escola dos princpios e prticas da Escola Inclusiva; (2) Analisar reflexivamente as modificaes introduzidas por esta comunidade educativa no que concerne incluso de alunos com NEE no ensino regular; (3) Descrever que agentes, que projectos e estratgias so delineados por esta escola para que a incluso de alunos com NEE se tome uma realidade efectiva; (4) Interpretar que consequncias tem a incluso de alunos com NEE no ensino regular na vida da escola e, sobretudo, na vida acadmica e pessoal dos alunos com e sem NEE; (5) Enunciar que barreiras persistem prtica dos princpios da escola inclusiva e que importa ultrapassar. Assim, as questes que aqui procuramos responder adequam-se mais a ser exploradas atravs de metodologias qualitativas que, ao sublinharem a importncia dos contextos e da experincia subjectiva na construo do mundo social, do nfase ao que de relativo, de nico e de singular tem a natureza social do mundo (Bryman, 1995; Merriam, 1988; Yin, 1994, 2001). Bogdan e Bliken (1994) e Cohen e Manion (1994) referem outros aspectos fundamentais das metodologias qualitativas: Desenvolvem-se numa situao natural; so ricas em dados descritivos; tm um plano aberto e flexvel; focalizam a realidade de forma complexa e contextualizada; aproximam o investigador do meio em que ocorre o fenmeno em estudo, colocando-o em contacto directo com os principais intervenientes no estudo. Do desejo de entender um fenmeno social to complexo como a incluso de alunos com NEE nas escolas do ensino regular, surgiu a necessidade de se utilizar a estratgia de pesquisa que nos pareceu ser a mais adequada s questes, objectivos e finalidades do nosso estudo: O estudo de caso. Tal opo prende-se, por um lado, com a natureza das questes desta pesquisa que assume a forma do "como" e "por qu" e, por outro, com o facto do enfoque temporal incidir sobre fenmenos contemporneos dentro de contextos da vida quotidiana em que eles decorrem (Bruyne et al., 1991; Richardson, 1999; Trivifios, 1987; Yin, 1994, 2001). Os resultados da investigao emprica levam-nos a reconhecer a necessidade de a Escola ser orientada pelos princpios da Escola Inclusiva e a encar-los como um factor da melhoria do seu desempenho e, por conseguinte, da qualidade de Educao e do Ensino (Ainscow, 2000; Hegarty, 2001; Marchesi, 2001). Para tal, urge passar das intenes aos actos, dos ideais s prticas e instaurar nas prticas das escolas o princpio de que a Escola Inclusiva o trilho que nos h-de levar a um mundo mais justo, mais fraterno e mais livre. Contudo, seguir este trilho implica que haja mudanas efectivas nos preconceitos e discriminaes apresentadas pelos professores, pais, especialistas e demais elementos da comunidade educativa. A incluso de alunos com NEE no contexto escolar do ensino regular, implica a necessidade de um maior envolvimento de todos aqueles a quem esse processo diz respeito, bem como, a necessidade de, como considera Costa (1999), pr termo dicotomia entre Ensino Especial e Ensino Regular, apostando num contexto escolar onde a diversidade seja cada vez mais entendida como um elemento fulcral para a melhoria das escolas (Ballard, 1999; Hegarty, 2001; Thomas e Loxley, 2001). As escolas, portanto, devem procurar formas bem sucedidas de educar todos os alunos incluindo aqueles que possuam deficincias profundas, identificando e construindo alternativas favorveis ao processo do seu desenvolvimento sciocognitivo, de maneira a que pais, alunos e professores sejam esclarecidos das consequncias que levam a adopo de atitudes preconceituosas e discriminatrias em relao aos alunos com NEE no ensino regular (Avramidis e Norwich, 2002; Croll e Moses, 2000; Ferreira, 1993; Slee, 1993) E, se realmente se quer que os "diferentes" tenham acesso ao conhecimento e, por conseguinte, a uma vida mais digna, preciso ultrapassar a actual estrutura educacional que aponta mais para a excluso do que para a incluso acadmica e social dos alunos. S assim possvel termos um outro olhar sobre a Educao, a Escola e o Ensino: Um olhar mais fraterno porque mais cuidado; mais global porque mais democrtico; mais inclusivo porque mais qualitativo. S assim a incluso se constitui numa preocupao humana: "Necessitando antes de mais nada, de respostas humanizadas que obviamente se reflectem e reflectiro no presente e no futuro de seres humanos. Seres humanos que, independentemente de suas condies e potenciais, tm direito s mesmas oportunidades" (Fonseca, 1995, p. 200).

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