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Língua Gestual Portuguesa 'ganha' dicionário digital e gratuito
por porsinal     
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Quinta-feira, 07 de Dezembro de 2017 às 16:41:00
Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva acolheu a sessão de apresentação do dicionário da Academia de Língua Gestual Portuguesa, uma iniciativa inserida na Semana da Inclusão. Esta inovadora ferramenta digital está disponível na próxima semana.

Um inovador dicionário bilingue em Língua Gestual Portuguesa vai estar disponível online e gratuitamente a partir da próxima semana. A novidade foi avançada, ontem, na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, pelo coordenador da Unidade de Investigação do Instituto Jacob, Paulo Vaz de Carvalho, que lamentou o facto da Língua Gestual Portuguesa "continuar a não ser tratada como uma língua". Inserida no programa da Semana da Inclusão, que decorre na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, a apresentação desta nova ferramenta de luta contra a exclusão social contou com a presença de vários docentes do ensino especial do concelho.

Paulo Vaz de Carvalho assumiu que se a língua fosse vista como tal estaria integrada no Departamento de Línguas e não no Ensino Especial. "A Língua Gestual Portuguesa é reconhecida pela Constituição há 20 anos, mas nas escolas continua a ser um vazio total, porque os alunos nunca podem estudar através da sua primeira língua, mas apenas na sua segunda língua, na qual têm muita dificuldade. Se quiserem estudar na língua materna deles não existe uma ferramenta para os ajudar", lamentou aquele responsável, defendendo que "a língua gestual não é muleta, mas uma língua e tem que ser tratada como tal".

Foi por isso, que surgiu este projecto em 2005. "Um conjunto de professores começou a sentir falta de léxico da língua para conseguir dar resposta aos conteúdos",justificou Paulo Vaz de Carvalho. O problema da maioria dos surdos, continuou o coordenador, "não é não ouvir é não lhes dar ferramentas para desenvolverem uma língua que eles já têm".

Esta ferramenta, continuou o coordenador da Unidade de Investigação, "é mais do que um dicionário, porque é um dicionário escolar e não um dicionário da língua. Está muito virado para a educação e para os temas escolares e além disso não é traduzido, tem tudo adaptado para a língua gestual". A ideia é que os alunos possam fazer "várias ligações ao google" e que o ensino seja "mesmo interactivo para conseguirem entender os conceitos".

Paulo Vaz de Cavalho foi mais longe: "trata-se de um dicionário de conceitos e as pessoas surdas precisam de ter um leque de conceitos para não ficar presos a uma imagem ou duas". Trata-se, portanto, de uma ferramenta "totalmente inclusiva", mas aquele responsável alertou: "a inclusão pode ser uma coisa muito segregadora, se a inclusão é normalização não é inclusão, porque a inclusão é exactamente primar pela diferença, abordar o que é diferente e não colocar todos iguais".

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