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O primeiro surdo no mundo com pós-doutoramento
por porsinal     
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016 às 18:08:15
O jovem Rene Gonzalez Puerto é a primeira pessoa surda no México a ter um Ph.D. (em Ciências da Educação), e o primeiro no mundo a ter um pós-doutoramento, este em Administração Educacional.

Nascido em Havana, em Dezembro de 1982, René foi diagnosticado com surdez profunda, o penúltimo nível mais grave dessa condição.

A sua mãe, Yolanda Puerto Herrera que teve que estudar uma segunda carreira \"Educação Especial\" motivada pelo amor ao seu filho, conseguiu lançar as bases que deram o impulso para alcançar os seus sonhos. Como ele reconhece, conseguiu alcançar alguns.

Também a sua tia materna, Teresita Puerto Herrera, que é o seu motor de superação, com quem viveu a sua infância e conseguiu comunicar-se com ele por escrito. Graças a isso, ele aprendeu a ler e escrever. O Dr. Gonzalez é bilingue (Língua de sinais mexicana e Espanhol).

Como aprendeu a comunicar-se?

A minha mãe e a minha tia são as pessoas preparadas com técnicas de comunicação para me ensinar. Posso saber o que as pessoas dizem  lendo os seus lábios. Posso fazê-lo de longe, através de suas pronúncias e expressões de seus rostos. Sou capaz de ler lábios se a pessoa estiver de perfil.

Como foi a sua infância?

Foi uma fase muito difícil, eu nunca tive amigos do jardim de infância até o ensino médio. A minha condição tinha-me tornado numa criança com baixa autoestima. É difícil saber ao certo o que levou à minha perda auditiva, já que do lado da minha mãe não há registo de deficiências, mas sim do meu pai.

Posso dizer que não tive infância. Sofri muita discriminação, e hoje dá-me muita satisfação que haja mais técnicas, mais oportunidades para as pessoas com deficiência. Durante a minha infância era ainda mais difícil, agora há até mesmo leis especiais para nós.

Preferia ficar em casa e quando eu me preocupei com a procura de um amigo, a minha mã disse-me: \"um amigo muda ao longo do tempo, concentra-te mais no teu futuro\", e assim eu fiz. Tive a sorte de, graças à minha família, ser tratado como uma criança normal, eles não me superprotegiam.

Conte-nos sobre o seu tempo na universidade

Após de em casa me dizerem para me esforçar relativamente ao meu futuro, agora duvidavam que podesse ter uma carreira em psicologia, porque exigia comunicar-me. Recomendaram que me focasse numa carreira em educação especial, arquitectira, gastronomia ou algo assim. Porém eu estava determinado e foi-me dada uma portunidade para demonstrar que conseguia levar a cabo os meus estudos. E assim fiz. Em todas as cadeiras obtive mais de 95 pontos.

Em seguida, deram-me uma oportunidade também na Universidad del Mayab e depois aqui no Santander University, onde trabalho atualmente.

Não foi fácil encontrar um emprego depois de obter os meus títulos, porque a minha forma de falar, a minha deficiência, não abre portas com facilidade.

Temo-lo visto na política...

Eu sou um político, fui por duas vezes candidato a vereador quando Nerio Torres Arcila concorreu o mesmo número de vezes pela cidade de Mérida. Eu pertenço ao Partido Revolucionário Institucional (PRI), onde sou secretário do Cuidado à Terceira Idade e Pessoas com Deficiência no Comité Director do Estado e é o partido que me abriu as portas.

Quais são os seus planos futuros?

São muitos, mas posso mencionar um. Estou a trabalhar num projecto de pós-doutoramento para desenvolver novas modalidades e estratégias de gestão para a inclusão educativa, que visam sistematizar um modelo educacional para gerar inclusão social na educação.

Quais são os seus sonhos?

Concretizei muitos deles, mas se me perguntar agora, gostava muito de seguir uma carreira política e um dia, porque não, fundar, como têm feito em outros estados, um Instituto para Pessoas com Deficiência.

Fonte: Noticias Mérida

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