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Cristina Gil
Cristina Gil
Intérprete de LGP/Investigadora
A liderança na Comunidade Surda Portuguesa: Estudo qualitativo sobre quatro líderes Surdos
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Publicado em 2011
Cadernos de Saúde, Vol. 4, N.º 1, pp. 43-52
Cristina Gil
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Resumo

Apresentamos um estudo qualitativo antropológico da comunidade Surda 1 portuguesa. O tema incide sobre a liderança Surda. Apuraram-se quatro líderes Surdos e de acordo com uma metodologia etnobiográfica, cruzámos as suas quatro histórias de vida. O objectivo foi obter as características da liderança Surda e delinear o perfil destes quatro líderes.
Contrastando as afirmações de outros investigadores com os nossos dados, conseguimos comprovar algumas variantes como a presença dinâmica entre o mundo ouvinte e o mundo Surdo que o líder Surdo deve alcançar e manter. São exemplos disso a constante desmistificação de preconceitos na esfera social em relação à pessoa Surda, tal como as acções de contínua sensibilização no mundo ouvinte. A militância pelos direitos de cidadania plena é o que torna estes homens em líderes.

I. Introdução

Este artigo baseia-se na dissertação da autora para obtenção do grau de mestre pela Universitat de Barcelona, no âmbito do mestrado Comunidad Sorda, Educación y Lengua de Signos sob a orientação a orientação de Maria Pilar Fernández-Viader e a co-orientação de Maria José Freire.

Este estudo tem uma base qualitativa e não pretende ser exaustivo mas introdutório à investigação na área dos Deaf Studies, mais concretamente sobre o fenómeno da liderança na comunidade Surda portuguesa. Interessou-nos o cruzamento de vidas de quatro líderes Surdos seguindo uma perspectiva antropológica e etnobiográfica. Pretendemos apresentar uma percepção da pessoa Surda e não como portadora de uma deficiência auditiva, pois essa é uma perspectiva médica. Assim, propusemo-nos averiguar o que tinham estes líderes em comum, o que distinguia este tipo de liderança da liderança comum do mundo ouvinte. Como objecto de estudo contemplámos o que tornaria estes participantes líderes da comunidade Surda portuguesa e não outros. Procurámos refutar ou corroborar as variáveis das investigações prévias através do estudo e análise das vidas destes quatro líderes. Perguntámo-nos se as variáveis seriam comuns a nível internacional, ou seja, transversais às diversas comunidades Surdas mundiais. O que é a liderança Surda? Que características devem apresentar os líderes? As características são imperativas, facultativas ou podem eclipsar-se alternando consoante a necessidade? Existem graus de liderança ou é algo absoluto e homogéneo?

II. Enquadramento do Tema

Lawson (1981) demonstra que o magnetismo e vontade de interacção social são muito fortes entre os surdos ou Surdos, mesmo até aqueles que são afastados da realidade da cultura e comunidade Surda (Kyle y Woll, 1985). A cultura é todo um legado de vivências e experiências com a partilha de uma língua, rituais e costumes. Há um sentimento de pertença das pessoas à comunidade e os outros olham para eles igualmente como seres integrantes.

Assim sendo, Stokoe, Casterline e Croneberg (1965) referem o critério linguístico, ou seja, a competência e utilização da língua gestual e também a escolarização em escolas para pessoas Surdas. Passando a descrever um pouco a nossa amostra – os nossos quatro participantes: três demonstram ser modelos quanto à sua língua gestual para os demais e no decorrer das suas vidas apresentam momentos em que exerceram a actividade de docência de língua gestual tanto para surdos como para pessoas ouvintes. Exercer este tipo de funções dentro da comunidade Surda é dignificante pois demonstra um envolvimento e interesse pela causa da defesa e da democratização da Língua Gestual Portuguesa. Quanto ao quarto elemento, sendo um falante de língua gestual num nível básico e funcional, apesar de não ser tão eloquente nesta língua, apresenta um elevado nível de compreensão (participante B). Este conhece melhor a língua oral do seu país de origem, algo relacionado com a sua surdez pós--linguística e este elemento é algo que propicia a ponte com a comunidade ouvinte, contudo, é de considerar que defendeu sempre a causa da igualdade de estatuto da Língua Gestual Portuguesa. Podemos concluir através do reconhecimento dos seus pares e da sua obra que, apesar de não ter um elevado nível de proficiência em língua gestual, pode-se considerar um líder da comunidade Surda portuguesa, o que nos remete para a questão dos níveis de liderança que abordaremos mais tarde nas conclusões. Podemos então adiantar que nos nossos resultados desvendámos que a proficiência não é decisiva para ser membro da comunidade Surda e também não o é para ascender à liderança desta. O que é sem dúvida um critério para a liderança é a defesa da língua gestual e a aceitação dos seus pares como membro da comunidade, como líder e por consequência, lutador na causa da dignificação da língua gestual.

O segundo critério apontado por Stokoe, Casterline e Croneberg (1965) tem um cariz histórico que vale a pena assinalar: a escolarização em escolas para Surdos. Os líderes já consagrados, como estes participantes do nosso estudo, são contemporâneos às investigações científicas que, como se sabe, começaram a emergir em força desde a segunda metade do século XX. Estas possibilitaram que muito fosse logrado nesses anos sendo esses mesmos líderes educados em sistemas educativos de internato para crianças Surdas, algo que hoje em dia é raro. Dos líderes Surdos que estudámos, todos sem excepção frequentaram o ensino em escolas para Surdos. Outro resultado que obtivemos e que adiantamos desde já é que este critério confirma-se. Sabemos no entanto que o fenómeno da liderança está em constante mutação por influência das constantes mudanças históricas, avanço económico e social e neste caso em específico, um avanço nas teorias no âmbito educacional. Sabemos que no futuro continuarão a existir líderes em relação aos quais este critério não se confirmará.

Baker e Cokely (1980 in Kyle e Woll, 1985) referem como critérios de pertença à comunidade Surda e consequentemente à liderança desta: a perda auditiva, o nível de competência linguístico em língua gestual. À semelhança de Stokoe, Casterline e Croneberg (1965), apresentam também o critério social, ou seja, a participação na vida social das pessoas Surdas e o critério político que contempla a influência na organização da comunidade. O líder deve apresentar-se como um que pertence ao grupo mas que ao mesmo tempo se destaca, como ao longo deste artigo poderá corroborar. Quanto mais intensos estes critérios se apresentarem no indivíduo, mais tendência terá para ser impulsionado para o centro da comunidade onde sentirá um fortalecimento do seu compromisso para com os seus semelhantes. No topo desse nível de compromisso, encontram-se os líderes da comunidade Surda. O compromisso é uma característica imprescindível.

Morales (2008) afirma que a tomada da liderança na comunidade Surda pode chegar a ser conflituosa. Dentro do mundo associativo observamos a existência de 5 níveis em pirâmide como é típico da organização das sociedades. Vejamos o panorama nacional:

(ver figura 1)

Legenda da Pirâmide:

1.º Líder ou líderes que existam em determinado momento na comunidade;
2.º Seguidores do líder, possíveis futuros líderes, interessados na política associativa, e algum dinamismo no mundo Surdo e a ponte com o mundo ouvinte;
3.º Surdos que praticam desporto, competem entre si, organizam eventos desportivos. O gosto pelo desporto reúne todos os tipos de Surdos, mais ou menos oralizados, com maior ou menor fluência em língua gestual;
4.º Surdos que fazem teatro, monólogos, debates, filmes e outras actividades que estão relacionadas com a língua gestual;
5.º Surdos que participam e assistem a eventos de Surdos, sem compromisso. (Surdos oralizados incluídos);

Tratando agora de perfis de liderança, são líderes interculturais aqueles que mantêm contactos com relativa facilidade dentro da comunidade ouvinte, normalmente são Surdos adquiridos pós-linguísticos de famílias ouvintes e o facto de estarem mais confortáveis com a língua oral que outros, ajuda a que possam lutar nas esferas do mundo ouvinte para os objectivos da comunidade Surda. Existem os culturally centered leaders que são filhos de pais Surdos, com alta competência em língua gestual que é a sua língua nativa e tendo a associação de Surdos como segunda casa.

Estes dois perfis não são estanques, não se eclipsam e podem coexistir em diferentes momentos, é ainda importante tomar em consideração outras características individuais como o carisma, a capacidade de gerir pessoas e de motivá-las, entre outras. Estes indivíduos são líderes porque não só buscam inspiração para a sua comunidade, como têm uma forte identidade Surda e um bom conhecimento sobre a sua Deaf heritage (Lane, Hoffmeister e Bahan, 1996).

Martínez (1999) explica que o líder executa as suas funções através de uma organização não governamental (ONG), sendo assim indispensável um bom nível de comunicação com os associados dessa mesma ONG. Para o líder é indispensável o reconhecimento na lei do seu país da sua língua gestual. Este avanço legal poderá servir de plataforma para outros objectivos ao nível político e social. Para o líder é muito importante o ensino da língua gestual, a formação de intérpretes, a formação de professores de língua gestual que sirvam como modelos Surdos. É neste seio académico que é usual nascer a investigação da língua gestual, com os professores desta língua, falantes nativos, que vão tirando conclusões das suas reflexões metalinguísticas. Este processo, se não for protagonizado pelo líder, é pelo menos encorajado.

Martínez (1999) afirma que o líder Surdo apresenta uma amplitude de áreas de intervenção como a educação, a política, a difusão cultural e a área desportiva. Deve ser alguém com o dom da comunicação, que permita o desenvolvimento, que seja responsável, solidário, diplomata, que ouça os que o rodeiam, carismático, trabalhador, confiante, capaz de controlar, conhecedor sobre a cultura e identidade Surdas, com a abertura suficiente e objectivos claros. Para ser alguém capaz de atribuir justamente o dinheiro, que separe os aspectos afectivos dos profissionais, que permaneça em contacto social contínuo, que tenha conhecimentos de psicologia básicos e que desperte nos outros a liderança (Martínez, 1999 in Skliar).

Além destas características e destes arquétipos de liderança, existe ainda a teoria de Kramm-Larew et. al (2008) a qual foi apresentada após um estudo do estilo de liderança apresentado por Irving King Jordan 3. A Path-Goal Theory of Leadership faz parte de uma das Major Transformational Leadership Theories onde se presume que a recompensa da pessoa é proporcional ao seu esforço e que o trabalho cognitivo do indivíduo está directamente relacionado com o benefício que venha a obter. Um transformational leader é aquele que não só é um modelo, um ícone para a sua comunidade, mas também é um agente de mudança e mobiliza os outros, mesmo quando não está presente. É alguém inspirador, alguém que leva o próximo pelo mesmo caminho, transformando outros em líderes. É esse o grande legado do transformational leader.

House e Mitchell estabeleceram em 1994 quatro estilos de liderança, nomeadamente o directivo, o de suporte, o participativo e o orientado para o objectivo. O líder directivo é aquele que dá instruções aos que o rodeiam para que façam as tarefas necessárias para alcançar o objectivo. O líder de suporte é amigável e mais próximo de todos, tendo uma perspectiva mais humana do que é a liderança. O líder participativo deixa que os que o rodeiam façam parte do seu processo de decisão, fazendo com que os membros da equipa se sintam mais realizados ao terem algo a dizer sobre o processo de decisão e um papel importante no caminho para o objectivo a que se propuseram.

Finalmente, o líder orientado para o objectivo: achievement-oriented leadership, é um líder que propõe desafios com altas fasquias, provocando actos de alta performance nele próprio e na sua equipa para alcançar o objectivo. O mesmo indivíduo pode apresentar todas as características previamente enunciadas pois estas surgem e desvanecem-se consoante o momento, não sendo fonte de conflito se coexistirem. Assim acontece com os nossos participantes.

Em 1996 House, a título individual, apresenta mais algumas conclusões que vêm complementar o seu estudo anterior. House aponta para o líder como facilitador do processo da decisão em grupo, um representante do grupo, um conector para o networking e deve apresentar “value based leader behaviour 4

Northouse (2004) define ainda dentro das Major Transformational Leadership Theories que o líder deve ser dominante, competente, deve impor um modelo de referência – role-model, deseja influenciar, tem valores muito fortes (value based leader behaviour), expressando confiança e comunicando grandes expectativas.

Confirmando o que já sugeriam Lane, Hoffmeister, Bahan (1996) e Ladd (2003): mesmo quando uma pessoa Surda cresce fora da sua comunidade, mesmo escolarizada em escolas para ouvintes, mesmo quando suprimem da sua vida tudo aquilo que é próprio da sua cultura e identidade, existe sempre da parte dessa pessoa um impulso, um chamamento interior para a redefinição de si mesmo, a transição do rótulo de “deficiente auditivo” para “Surdo”.

Já em 1998, Perlin aponta a Identidade Surda Híbrida: surdos que nasceram ouvintes e mais tarde ao ensurdecerem adquirem a outra identidade, se pós-linguísticos têm a língua oral onde se podem apoiar. A identidade Surda de Transição: pessoas que sofreram a hegemonia ouvinte e transitam para a identidade surda. A Identidade Surda Incompleta: pessoas surdas que vivem submetidas à cultura ouvinte e reproduzem a identidade ouvinte, evitando a comunidade Surda e o contacto com outros surdos. A Identidade Surda Flutuante: pessoas surdas que podem ou não estar conscientes da sua diferença, querem a todo o custo ser ouvintes, não aceitam a sua condição de surdos e desprezam a comunidade Surda e a sua cultura. E finalmente a Identidade Surda Plena: pessoas surdas com a identidade definida, forte e sólida, com orgulho e uma militância em serem Surdos. Sentem-se unidos entre si por uma espécie de parentesco visual. Os filhos Surdos de pais Surdos costumam incidir neste tipo de identidade, no entanto não é exclusivo destes.

III. Método e Participantes

Como já mencionámos acima, este estudo empreende uma abordagem metodológica, numa perspectiva antropológica própria de uma minoria cultural e linguística como é a comunidade Surda portuguesa.

A amostra é assim composta por quatro indivíduos do sexo masculino, nascidos entre 1943 e 1965. Dois deles são Surdos adquiridos pós-linguísticos e dois são dois Surdos congénitos pré-linguísticos sendo que todos com diferentes idades de aquisição de língua gestual, já que não partilham a etiologia da surdez. Tendo em conta a sociedade patriarcal em que vivemos e esta comunidade Surda se integra, não é de estranhar a tendência de serem todos do sexo masculino. Todos foram escolarizados em escolas para crianças Surdas, todos foram presidentes da associação portuguesa de Surdos, todos adquiriram a LGP, apresentando diferentes níveis de proficiência, e dois têm familiares Surdos (que não os pais).

Afirmamos portanto que a vida dos nossos quatro participantes cruza-se ao longo do tempo com a Associação Portuguesa de Surdos, a associação de Surdos portuguesa com mais tradição em Portugal. Esta associação reúne uma massa heterogénea que se dirige à associação para usufruir dos serviços de interpretação, para formações, ou simplesmente para convívio (Gil, 2009). A pessoa Surda, no seio da associação, não sente pressão para integrar-se, nem pressão para comunicar numa língua que não é a sua, pertence a este espaço e esse ambiente é-lhe natural. Os nossos quatro participantes tiveram ao longo das últimas décadas um papel incontornável na história da comunidade Surda portuguesa e de relevo associativo em prol da comunidade Surda portuguesa.

Esquematização da amostra:

Participante A – Surdo profundo adquirido pós--linguístico, filho de pais ouvintes. Aluno de escolas de crianças surdas a partir do momento em que ficou surdo. Casado com esposa Surda. Desempenhou vários cargos associativos importantes.

Participante B – Surdo profundo adquirido pós--linguístico, filho de pais ouvintes. Aluno de escolas de crianças surdas a partir do momento em que ficou surdo. Casado com esposa Surda. Desempenhou vários cargos associativos importantes.

Participante C – Surdo profundo congénito pré--linguístico, filho de pais ouvintes. Aluno de escolas de crianças surdas desde a primeira infância. Desempenhou vários cargos associativos importantes.

Participante D – Surdo profundo congénito pré--linguístico, filho de pais ouvintes. Aluno de escolas de crianças surdas. Casado com esposa Surda. Desempenhou vários cargos associativos importantes.

Após a filmagem de quatro entrevistas semi--estruturadas com questões abertas, reuniu-se um corpus de cerca 6 horas e 15 minutos, perfazendo um total de 80 páginas de transcrições que foram posteriormente introduzidas no programa de tratamento de dados Nvivo8. O Nvivo8 é um software propriedade da QSR International Pty Ltd e certificado pela Microsoft.

Este programa permite o tratamento de dados transcritos textualmente com hiperligações a documentos em vários suportes como imagens, vídeos, documentos, jornais, entre outros. O corpus obtido foi trabalhado neste programa utilizando a metodologia que é familiar neste género de software, designadamente a utilização de Nodes e Atributes que nos permitem posteriormente fazer Queries ao programa que nos indica as respostas consoante o corpus e o tratamento dado. Posteriormente é facilitada a função do investigador na elaboração de imagens, tabelas, gráficos pois o programa fá-los praticamente autonomamente.

O material bibliográfico que reunimos sobre os participantes é escasso quando falamos em livros, mas mais rico se falarmos em publicações e material realizado no seio associativo. Também reunimos material audiovisual sobre estes líderes e muito do material foi obtido graças à colaboração do Centro de Documentação da Associação Portuguesa de Surdos em Chelas. Não nos debruçaremos neste artigo tanto sobre a metodologia, mas sim sobre os resultados que encontrámos. Nesta fase do estudo, começámos a reformular algumas das questões de partida, após reflexão sobre a bibliografia especializada no tema.

Seria a proficiência em língua gestual um pré--requisito indispensável para ascender à liderança na comunidade Surda portuguesa? A escolarização entre Surdos fundamental? É um líder mais legítimo se for Surdo profundo? É relevante ser pré-linguístico ou pós-linguístico? Como se ascende à liderança? Ascende-se pela área de intervenção do desporto? Se a família é Surda ou ouvinte, é relevante? São os quatro entrevistados líderes interculturais, culturally centered leaders ou Transformational Leaders?

Quanto à competência na língua gestual, embora todos a defendam, o nível de conhecimento dos quatro participantes é heterogéneo. Um dos participantes (participante B) é relatado como indivíduo com pouco domínio de língua gestual, apesar de conseguir comunicar funcionalmente com outros cujo meio de comunicação primordial era a Língua Gestual Portuguesa (LGP). Os outros participantes, são professores 5 de Língua Gestual Portuguesa. Todos foram escolarizados juntamente com colegas Surdos, alguns deles em determinados anos foram mesmo colegas directos.

Sobre a escolaridade, alguns estiveram em regime de internato e outros de externato, mas sem dúvida podemos afirmar que o internato cria uma identidade Surda forte para posterior ascensão à liderança. Sabemos que nas gerações seguintes este ponto terá de ser revisto tendo em conta as profundas alterações do sistema educativo. Ser pré-linguístico ou pós-linguístico não é um factor determinante tal como não é a proficiência, mas a proficiência obviamente será um facilitador e um factor de destaque.

Todos os participantes são surdos profundos e estão vinculados fortemente à comunidade Surda seja ainda no activo, seja pela memória indelével dos seus feitos na história da mesma. Os quatro participantes combatem pelas suas causas de cariz humanista, em prol da comunidade Surda, foram presidentes da associação portuguesa de Surdos e tiveram grande relevância nesta associação e alguns deles, noutras associações relevantes para a comunidade Surda, tanto a nível nacional como internacional. Este tipo de empenho pela comunidade Surda é determinante para ascender à liderança.

IV. Resultados

Na fase dos resultados averiguámos as evidências da nossa investigação e cruzámos com conclusões de outros autores. Apresentamos e confirmamos as seguintes variantes de Stokoe, Casterline e Croneberg (1965): objectivos humanistas, relevância no movimento associativo, competência e utilização da língua gestual, escolarização juntamente com pessoas Surdas, forte vinculação à comunidade Surda.

Analisemos as variáveis de Lane, Hoffmeister e Bahan de 1996: Surdos pós-linguísticos de pais ouvintes como são dois dos nossos participantes que são pós-linguísticos, mas é de assinalar que mesmo os pré-linguísticos são de pais ouvintes. Capacidade de oralizar e escrever a língua oral, é verificado sim, apesar dos níveis de competência diferentes. Todos apresentam conhecimento cultural da comunidade Surda e conhecimento da língua gestual mesmo que o nível de proficiência seja diferente, alguns deles conhecem mesmo mais que uma língua gestual. Os líderes devem obter uma posição na associação de Surdos e os nossos participantes realizaram várias funções dentro de algumas associações, e especialmente destacamos que todos foram presidentes da Associação Portuguesa de Surdos. Estes líderes reúnem ainda: carisma, capacidade de gerir pessoas, motivação, aponta Martínez (1999) como referimos no enquadramento. Todos frequentaram escolas para Surdos desde pequenos, ou pelo menos, desde o início da surdez.

A apontar que após análise e reflexão sobre os dados obtidos nos confrontámos com o facto de a motivação diminuir nos líderes pós-linguísticos, sendo que estes diminuem a intensidade da sua intervenção mais cedo que os pré-linguísticos. No entanto, pelo padrão da vida destes quatro participantes e pelo que lemos na bibliografia, é natural existirem picos de actividade tanto nos líderes pré-linguísticos como nos pós-linguísticos. Um dos nossos participantes (participante B) iniciou a actividade tarde e ausentou-se relativamente cedo, sendo que ainda realiza alguns projectos com menor projecção. Quanto a outro, quase podemos dizer que não existe diferença entre a liderança e a sua vida pessoal, são indissociáveis, com picos de actividade constantes. Relativamente a um outro, podemos apontar que os picos de actividade coincidem com os cargos de representatividade associativa que desempenham. Apontamos novamente que a competência em língua gestual não está relacionada com o activismo.

Analisando as variantes de Martínez (1999) a mais rica em ocorrências foi a de tentativa/logro na melhoria dos recursos e acessibilidade.

Todos os participantes trabalharam ou trabalham activamente para a criação da formação tanto de docentes (anteriormente chamados de formadores) como de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. Alguns deles exerceram este papel directamente ao formar docentes e/ou intérpretes de Língua Gestual Portuguesa. Para todos estes líderes o investimento na educação foi algo natural e que viria a dar os frutos que hoje são irrefutáveis. Um dos nossos líderes chegou ainda a realizar um curso de alfabetização de adultos Surdos. Dois destes líderes foram dos primeiros em Portugal a ter alguma formação no ensino superior (apesar de ministrada no estrangeiro). Estes mesmos colaboraram com a Faculdade de Letras de Lisboa na realização da primeira publicação em Portugal que se debruça sobre a LGP: “Mãos que falam” um livro da autoria de Maria Isabel Prata (1980). Anos mais tarde aquando a colaboração com o Center for Deaf Studies de Bristol surgiu outra revolução para a história da formação de formadores de LGP. Em Portugal, a primeira instituição no Ensino Superior que se dedicou à formação de futuros técnicos de apoio ao ensino em Língua Gestual Portuguesa foi a Escola Superior de Educação de Coimbra.

Podemos concluir que a área da educação teve sempre grande destaque e prioridade para os nossos quatro líderes, mas nunca descurando a difusão cultural, a área política e o movimento associativo.

Sobre a área desportiva, um dos nossos líderes não realizou de todo qualquer actividade nem iniciativa desportiva, nomeadamente o participante B. O participante C organizou vários eventos, não praticando ele próprio desporto, Os outros dois sim, o participante A e D organizaram e dedicaram-se pessoalmente à área desportiva.

Resta dizer que as variáveis de Martínez são as que podemos confiar como mais próximas da realidade portuguesa, já que a realidade da comarca da Catalunha tem uma história bastante mais próxima da portuguesa do que a comunidade Surda norte-americana, por exemplo. Não invalidando a utilização de investigações de qualquer parte do mundo, cremos que existem semelhanças muito marcadas na história destas duas comunidades.

Se nunca houver distanciamento da comunidade Surda, nem cessação do activismo dentro desta, podemos dizer que a variável “convite aos demais” e a de “despertar a outros líderes” se mantém com estabilidade durante a vida dos líderes.

Kramm-Larew (2008) mencionam características como: ícone, modelo, aquele que mobiliza os seus seguidores. House e Mitchell (1994) traçaram os perfis dos líderes directivos, de suporte, orientados para o objectivo e Freeman, Corbin e Boese (1981) explicam-nos a importância de iniciativas que podem parecer menores mas que têm a sua relevância como ler, produzir e protagonizar revistas que circulem nos contextos associativos e a participação em outras iniciativas culturais e criativas como o teatro de Surdos.

Os nossos participantes satisfazem todas as variantes, apenas nas últimas duas variam entre serem ou não actores amadores de teatro para Surdos (50% sim) e no caso das revistas/jornais alternam funções, como produzir, escrever para essas publicações, sendo que nem todas para a Associação Portuguesa de Surdos, mas também no seio de outras organizações não governamentais. Além disso, alguns dos participantes foram alvo de entrevistas para publicações de distribuição a nível nacional como representantes do colectivo da comunidade Surda (especialmente os participantes A, C e D). Confirmamos que as variantes que House apresentou em 1996 são apresentadas pelos nossos líderes, faseadamente durante os seus picos de actividade.

Para a pessoa Surda é comum casar-se ou manter uma relação amorosa com outra pessoa Surda, esta dinâmica tem sido alvo, ao longo do tempo e nas comunidades Surdas de vários países, de vastas investigações. Altshuler em 1953 (cit Marchesi 1987) aponta para 86% dos homens Surdos preferem casar-se com esposas Surdas. Em 1982, Kyle e Allsop (in Marchesi 1987) apresentam que 92% das pessoas Surdas estão casadas com outras pessoas Surdas. E nesta área em Portugal Joana Pereira (2008) confirma a tendência de que esta prática é comum. Os nossos líderes também são prova destas evidências, sendo que três deles estão casados com mulheres Surdas e um deles é solteiro.

Como definem Baker e Padden (1978) “attitudinal deafness” é demonstrada por sujeitos que também demonstram identidade Surda plena. Quando uma pessoa sente que pertence à comunidade Surda, vive num mundo visual, com uma língua, uma cultura a defender. A “attitudinal deafness” é algo que os líderes demonstram mesmo quando não estão no momento mais activo da sua liderança.

Dois dos nossos participantes, designadamente os participantes A e B, sentiram a incorporação na comunidade Surda apesar de não serem conhecedores da língua gestual. Podemos dizer isto até sobre três dos nossos líderes, isto porque um deles, o participante D, destaca o facto de a sua comunicação ser basicamente feita através de labialização e deíticos até ter encontrado outros Surdos na escola. Este fenómeno descrito por Lawson (1981) determina que a pessoa não precisa de dominar a língua gestual, basta ser surdo, os seus companheiros integrá-lo-ão, e, rapidamente será falante e um entre os outros, que sentem a surdez e a língua gestual como identidade. É disto que falamos quando descrevemos a absorção na comunidade escolar com alunos Surdos. Naturalmente que a absorção no movimento associativo tem contornos ligeiramente diferentes e é usual acontecer em indivíduos já adultos. Normalmente só filhos Surdos e ouvintes de pais Surdos são habituados a frequentar a associação de Surdos desde o berço.

Northouse em 2004 apresenta-nos variáveis que satisfatoriamente, mais uma vez, os nossos líderes conseguem cumprir. São estas: “dominante”, “competente”, “impõe modelos de referência – role-models”, “deseja influenciar”, “valores muito fortes”, “expressa confiança”, “comunica grandes expectativas”. Apenas no caso daqueles líderes que se afastam da comunidade Surda, é que existe uma quebra destes valores, em especial do papel de role-model que poderia manter. Este sim é totalmente quebrado pela inactividade e afastamento.

Kannapell, em 1994, fala-nos da identidade linguística, pessoal, social, da identificação e/ou rejeição da cultura Surda e/ou ouvinte. Ou seja:

Fenómeno: Participante A Participante B Participante C Participante D
Identificação com a cultura Surda E ouvinte Sim Sim Parcial Não
Identificação com a cultura ouvinte E Rejeição da cultura Surda Não Não Não Não
Identificação com a cultura Surda E Rejeição da cultura ouvinte Não Não Parcial* Parcial*
Fracasso de identificar-se com qualquer das duas culturas Não Não Não Não

* Podemos dizer que não é que rejeitem a cultura ouvinte para contactos, rejeitam-na no caso de adoptá-la como sua.

Quanto às identidades, um dos participantes não apresenta a identidade linguística, assinaladamente o participante D, e apresentam os quatro a identidade pessoal e social que descreve o estudo.

É curioso observar que um dos líderes pré--linguísticos indica que se sente bastante integrado na cultura ouvinte, apesar da sua cultura basilar ser a cultura Surda. Na grande maioria, nos Surdos pré--linguísticos, é usual haver uma ligeira (ou quiçá nem sempre assim tão ligeira) rejeição da comunidade ouvinte, já que sempre foram Surdos, não sentem qualquer afinidade com a cultura maioritária com outra língua e outros costumes nem sempre compatíveis com a surdez. Mas existem alguns que mantêm contacto e boas relações com este mundo ouvinte, sem perder a sua própria identidade e raiz cultural, conseguem integrar-se e mover-se habilmente entre aqueles que ouvem, uma vez transposta a barreira comunicacional.

Uma das vivências mais marcantes para a vida destes quatro indivíduos foi a escolaridade. Essa idade deixou marcas indeléveis nas suas memórias, sendo este um tópico dos mais mencionados e com palavras de maior carga emocional durante as entrevistas. A escolaridade das crianças Surdas em escolas para Surdos permite um desenvolvimento da cultura, da língua, da identidade, este desenvolvimento é fulcral para emergirem estas personalidades dinâmicas que serão os líderes da comunidade. É neste contexto e também na associação, que a pessoa Surda vê as suas oportunidades, começa a crer nele mesmo, começa a sentir-se contagiado e inspirado por outros e traça o seu próprio caminho. O internato é uma realidade que já não é comum existir hoje em dia, no entanto, é das realidades que provoca o efeito que explicámos acima com maior intensidade.

Quando questionados sobre os modelos e pessoas inspiradoras, os participantes apontam desde os professores a outros Surdos, também estes líderes na sua época, e alguns Surdos que apesar de não serem líderes políticos, eram-no nalguma valência dentro da comunidade Surda, usualmente pela sua potência como falante da língua gestual. Também é atribuída alguma importância a investigadores (Surdos e ouvintes) que aplicando a ciência à comunidade Surda, e principalmente à sua língua, levaram ao desenvolvimento social, à melhoria da qualidade de vida e ao benefício das comunidades Surdas ao nível mundial (por exemplo, William Stokoe).

Sobre as identidades, tema explorado por Gladis T.T. Perlin (1998), sobre a Identidade Surda Plena. Perlin refere que este tipo de personalidade é típico de Surdos filhos de pais Surdos, mas sabemos que estes são uma pequena percentagem – 5% das crianças Surdas nascem em famílias Surdas (Fernández-Viader, 2004), sendo que 95% dos Surdos nascem em famílias ouvintes. Assim sendo, e sabendo nós que a maioria dos nossos participantes apresentam este tipo de identidade e fazem parte dos 95%, reflectimos. Concluímos que, se só chegam a este tipo de identidade 5% dos Surdos, não seria esta incidência mínima? Onde estaria a Comunidade Surda nos nossos dias se assim fosse?

Os dois Surdos pré-linguísticos apresentam a Identidade Surda Plena, dos outros dois, um apresenta a Identidade Surda Híbrida e outro consideramos que transitou da identidade Surda Híbrida para a Identidade Surda Plena.

Relevância dada durante a entrevista a cada tema
Participante A Vida associativa Língua Gestual Portuguesa Comportamento de líder
Participante B Comportamento de líder Colégio Imaculada Conceição Língua Gestual Portuguesa
Participante C Vida associativa Comportamento de líder Barreiras
Participante D Vida associativa Comportamento de líder Barreiras

Tabela do tema mais relevante por participante.

A liderança é um fenómeno que afecta as massas de uma forma mística, é quase como um feitiço que nos encanta. O líder Surdo deve mover-se bem entre os dois mundos, o Surdo e o ouvinte. São estas as palavras que melhor reflectem o espírito de sacrifício destas pessoas. Citando alguns comentários dos nossos participantes:

– “Lutei, lutei”, “trabalhar e a ganhar terreno”, “Sempre vivi a vida na comunidade Surda mais que a minha vida privada” – participante A.

– “Militar na causa das pessoas Surdas”, “minhas preocupações, a educação e a formação profissional das pessoas Surdas” – participante B.

– “Lutámos”, “preferia a LGP”, “ensino e investigação da LGP”, “ensino da LGP”, “Sempre me senti melhor com a Comunidade Surda”, “lutar para que o governo nos apoie a todos os níveis” – participante C.

– “Reconhecimento da LGP”, “Professor de LGP”, “Activista no movimento associativo”, “eu cresci com a comunidade Surda” – participante D.

V. Conclusões

Desde a época em que os nossos participantes eram crianças muito mudou. Hoje em dia como é a infância de um líder não havendo aquele espírito nas escolas como havia naquele período? Será que o tipo de escola que frequentam os jovens Surdos de hoje em dia altera a dinâmica da liderança destes? São as novas tecnologias algo que ajuda ou dificulta à liderança? Sabemos que vários Surdos a nível nacional e internacional se queixam da desertificação das associações de Surdos devido ao aparecimento das novas tecnologias como o telemóvel. Não permitir a existência de escolas para Surdos é por isso uma forma de controlo da Comunidade Surda, estrangulando-a, como afirma Perlin (1998) e Ladd (2003) e é isto o Colonialismo. Aliás, nestas escolas devem existir técnicos, funcionários, docentes todos gestuantes, e na sua maioria Surdos, podendo assim providenciar um modelo Surdo adulto a estas crianças e jovens. Para que as crianças Surdas venham a ter um conhecimento delas próprias, da sua cultura, da sua língua, salutar e essencial para o seu desenvolvimento cognitivo e mesmo social.

Admitimos por agora, que apesar de a surdez ser imprescindível, o grau não é determinante para ser líder, mas sim factores como:

– Compromisso;
– Forte vinculação e conhecimento cultural da comunidade Surda;
– Carisma, motivação, diplomacia, capacidade de gerir pessoas;
– Mover-se na esfera social, política e cultural, attitudinal deafness;
– Valores muito fortes, inspira futuros líderes, objectivos claros;
– Impõe modelos de referência, comunica grandes expectativas;
– Defesa da causa da língua gestual (independentemente do seu grau de competência nesta, o importante é defender a causa da língua gestual);

Outro factor que observámos, é que a opressão aumenta a intensidade da liderança, ironicamente. A opressão sociológica que advém de uma condição clínica, a discriminação própria desta minoria linguística e cultural, proporciona a existência de um fenómeno natural, a coesão entre a minoria e o incremento da liderança dentro da comunidade Surda. A liderança é, assim, o antídoto mais eficaz contra a discriminação.

Linhas futuras:

Qual é o líder do século XXI? Hoje em dia vê-se felizmente já bastantes alunos Surdos no ensino superior em Portugal, alguns deles já dão os primeiros passos na investigação académica na área dos Deaf Studies como por exemplo na Universidade Católica Portuguesa. Esta mudança é extremamente positiva, a investigação, por exemplo, da Língua Gestual Portuguesa por falantes nativos com conhecimentos académicos e capacidade de pensamento metalinguístico é muito mais rica e idónea.

Entre estas questões anteriormente referidas, gostaríamos em investigação futura de ampliar o estudo à Península Ibérica, quiçá à Europa. Pretendemos também traçar o perfil do líder Surdo contemporâneo e averiguar a liderança Surda também no feminino e posteriormente ter corpus e bases suficientes para fazer um estudo de contraste entre a liderança e o género.

Notas

1 Utilizaremos sempre, de acordo com a norma das investigações em Deaf Studies a letra maiúscula (Surdo) para designar aquela pessoa que não só não ouve, como gestualiza e apresenta rasgos de identidade Surda e da cultura da comunidade Surda.
3 Ex-presidente da Universidade Gallaudet em Washington, o primeiro presidente Surdo que esta instituição teve.
4 Comportamento baseado nos bons valores, na integridade.
5 A designação de Professor de LGP é relativamente recente, sendo que previamente designava-se formador de LGP. Hoje em dia já existe o curso de docência de LGP no ensino superior nacional, sendo uma das instituições a ministrar este curso o Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa com a Licenciatura PRO_LGP.

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