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Ester Barbosa Fidelis
Ester Barbosa Fidelis
Especialista em Tradução/Interpretação e Ensino de Libras
Classificação Global do Artigo
Uma análise da interpretação da Bíblia para a LIBRAS à luz dos procedimentos técnicos da tradução
Publicado em 2012
Libras em estudo: tradução/interpretação, FENEIS-SP, p195-212
Autor(es): Ester Barbosa Fidelis
  Artigo disponível em versão PDF para utilizadores registados
Resumo

Este trabalho tem por objetivo analisar a tradução da Bíblia para a Libras, identificando quais procedimentos técnicos da tradução descritos por Heloisa Barbosa (1990) são mais utilizados na interpretação da carta de Paulo aos Colossenses feita por Marília Moraes Manhães. Para tanto, foi feita a transcrição de alguns trechos selecionados a fim de enfatizar as escolhas tradutórias da intérprete e sugerir outras possibilidades a partir de uma visão dinâmica da tradução, que consiste na transmissão do sentido da mensagem. Considerando a diferença entre a estrutura do português e da Libras, além da sensibilidade do texto bíblico, observou-se que alguns procedimentos são mais apropriados do que outros. Percebeu-se, por exemplo, que a Reconstrução de Períodos e a Explicação têm um papel importante, uma vez que podem, ao mesmo tempo, introduzir novos conceitos e vocabulários da Língua Original para a Língua Traduzida, além de ampliar as possibilidades de compreensão da mensagem.

Tradução da Bíblia, uma tarefa desafiadora

Desde a época da qual se tem registro de iniciativas envolvendo as línguas de sinais, observa-se o interesse pela transmissão da mensagem bíblica para os surdos. Oliver Sacks (2000) relata que o Abade L’ Epée, ao ver os surdos pobres que vagavam pelas ruas de Paris, preocupou-se em transmitir-lhes a mensagem do evangelho, “[o Abade] não podia tolerar a ideia de as almas dos surdos-mudos (sic) 3 viverem e morrerem sem ser ouvidas em confissão, privadas do Catecismo, das Escrituras, da Palavra de Deus; […]” (p.29, grifo da autora).

Ao longo da história, entretanto, observa-se que o desenvolvimento do trabalho de transmissão da mensagem bíblica para os surdos acabou limitando-se às interpretações nos encontros religiosos, sendo poucas as iniciativas que buscam a organização de uma tradução da Bíblia.

O interesse pelo presente tema surge da experiência como intérprete de Libras na igreja Presbiteriana da qual faço parte e do interesse pessoal pela tradução do texto bíblico para as línguas de sinais. Buscou-se aprofundar a análise da interpretação de Marília Moraes Manhães da carta de Paulo aos Colossenses para a Libras que foi realizada no trabalho de conclusão de curso da Graduação em Letras-Tradução, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Mais recentemente, no decorrer do curso de Pós-Graduação em Ensino e Interpretação de Libras pelo Instituto de Ensino Superior de Agudos, o contato com o trabalho da professora Neiva de Aquino Albres (2006) sobre as produções acadêmicas brasileiras de 1980 a 2006 envolvendo a Libras fez despertar novamente a atenção para o fato de não haver registro de pesquisa científica envolvendo a tradução religiosa para a Libras.

A partir da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 na qual “é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais – Libras e outros recursos de expressão a ela associados”, os estudos em torno dessa língua ganham força além de serem fomentadas pesquisas na área de tradução/interpretação das línguas. Com base em uma série de leis específicas levando em consideração que a acessibilidade para a comunidade surda é garantida por meio do acesso à informação, entende-se a relevância deste trabalho de análise.

Visto isso, propõe-se um estudo comparado do texto bíblico em português da carta de Paulo aos Colossenses com sua respectiva interpretação para a Libras. Esse estudo tem base na proposta de recategorização dos procedimentos técnicos da tradução apresentados por Heloisa Gonçalves Barbosa em seu livro “Procedimentos Técnicos da Tradução” (BARBOSA, 1990).

Primeiramente, deve-se observar que os procedimentos propostos por Barbosa foram pensados para as línguas orais e que alguns deles não se aplicam às línguas de sinais, como é o caso da Transliteração, a qual envolve a substituição de uma convenção gráfica por outra. Assim, outros procedimentos são indicados, a fim de melhor atender à interpretação entre as diferentes modalidades de língua.

Além disso, é preciso considerar que o texto interpretado é um texto sensível.

Segundo Simms (1997):

Nenhum texto é sensível a menos que pensem nele como tal. Esse “pensamento” está intrínseco à língua como é experimentada por humanos, contudo, podemos dizer que todos os textos são ao menos potencialmente sensíveis. Se esse potencial se torna real ou não, depende da eventualidade histórica ou cultural [...] (SIMMS, 1997, p. 3, tradução da autora).

Para Simms (1997), o que faz os textos sagrados como o texto bíblico serem considerados sensíveis é a visão que se tem de um “Autor Original” que não se pode confundir com o “autor do texto”, considerado como um mero escriba inspirado a escrever a “Palavra Originária”.

Assim, o objetivo geral desse trabalho é analisar a interpretação do texto bíblico para a Libras com base nos procedimentos técnicos da tradução listados por Barbosa e identificar a eficácia dessas escolhas na transmissão da mensagem.

Quanto aos objetivos específicos, busca-se:

  • Contribuir com a produção de bibliografia na área da interpretação de textos religiosos/bíblicos para a Libras;
  • Incentivar a reflexão sobre as práticas de interpretação no contexto religioso;
  • Sugerir quais estratégias/procedimentos técnicos são mais apropriados a esse contexto (texto religioso/bíblico/sensível).

Material e análise

O material analisado, neste trabalho, consiste em: “A Bíblia em Libras – Carta de Paulo aos Colossenses”, uma interpretação para a Libras gravada em DVD no ano de 2005 pela intérprete Marília Moraes Manhães, pedagoga e líder do ministério com Surdos da Junta de Missões Nacionais da Igreja Batista do Brasil. É importante considerar que o texto utilizado como original pela intérprete é uma versão em áudio da Bíblia na Nova Tradução da Linguagem de Hoje, esse material foi concedido pela biblioteca para cegos do Rio de Janeiro. Assim, foi feita a interpretação simultânea do texto em áudio (ver figura 1).

Tendo em vistas o material a ser analisado, primeiramente, foram observados os Procedimentos Técnicos da Tradução apresentados por Heloisa Gonçalves Barbosa (1990). Após essa observação, foi feita a seleção dos trechos a serem analisados de acordo com cada procedimento. Esses trechos foram transcritos com base nas regras de transcrição propostas no livro “Libras em Contexto” (2007).

Após a descrição dos respectivos procedimentos propostos por Barbosa, como forma de disposição da análise, foi organizada uma tabela com o título do trecho selecionado, especificando-se o capítulo e o número do versículo, o texto original em Língua Portuguesa que foi utilizado como original pela intérprete, a respectiva transcrição da interpretação para a Libras, a análise dos recursos utilizados e, por fim, foram dadas algumas sugestões de interpretação.

De acordo com Nida e Taber (1982), a tradução pode ser classificada de duas maneiras: “Dynamic Equivalence” (Equivalência Dinâmica) e “Formal Correspondence” (Correspondência Formal). A Equivalência Dinâmica está centrada no receptor da língua de chegada, de como ele reage à mensagem, buscando provocar a “mesma reação” do leitor da língua de partida no leitor da língua de chegada, já a Correspondência Formal prioriza a forma e o estilo do texto da língua de partida. Diante dessa informação, a proposta desta análise tem base na ideia de uma interpretação mais dinâmica e intercultural, na qual prevalece a transmissão do sentido.

Identificação dos procedimentos técnicos da tradução segundo Heloisa Barbosa

Existem vários estudos que tratam dos procedimentos técnicos da tradução.

Entretanto, Heloisa Barbosa propôs em seu trabalho a recategorização desses procedimentos, de maneira que estabelecesse um “consenso” entre as várias teorias e nomenclaturas que os diferentes autores propõem.

Passamos agora para a análise de alguns trechos selecionados nos quais foram identificados alguns procedimentos técnicos da tradução. Vale ressaltar que alguns procedimentos não foram contemplados, alguns deles, por tratarem de questões específicas das línguas orais, como a grafia das palavras, por exemplo.

Tradução palavra-por-palavra

É caracterizada, segundo a definição de Aubert, como:

A tradução em que determinado segmento textual (palavra, frase, oração) é expresso na LT [Língua Traduzida], mantendo-se as mesmas categorias numa mesma ordem sintática, utilizando vocábulos cujo semanticismo seja (aproximadamente) idêntico ao dos vocábulos correspondentes no TLO [Texto da Língua Original] (AUBERT apud BARBOSA, 1987, p. 15).

De acordo com Barbosa (1990), esse procedimento “corresponde à expectativa que muitos têm a respeito da tradução”. No entanto, observa-se que quase não há o emprego desse procedimento na interpretação para a Libras, uma vez que apresenta uma estrutura diferente do português. Foi identificado um pequeno trecho que segue o padrão palavra-por-palavra:

Trecho Selecionado: Colossenses 2:20
Morrer e viver com Cristo (2min39)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Vocês morreram com Cristo […] VOCÊ+ MORRER COM JESUS
Observação Análise Sugestão
Cada palavra da língua original teve um correspondente na língua alvo. tradução palavra-por-palavra foi adequada, pois a estrutura da língua alvo foi respeitada. a possibilidade seria fazer uma tradução mais dinâmica, interpretando o significado de “morrer com Cristo”. Além disso, as palavras Cristo e Jesus têm significados distintos, apesar de se referirem a mesma pessoa. A tradução pode manter essa distinção ou não, inclusive com sinais já existentes na Libras, mas que ainda geram controvérsias 4

Tradução literal

Se a tradução palavra-por-palavra corresponde à expectativa que muitos têm a respeito da tradução, a tradução literal corresponde à ideia mais difundida a respeito da tradução e, todos os autores revisados por Barbosa têm uma definição para a mesma. Segundo Aubert apud Barbosa (1987, p. 15) tradução literal é “aquela que mantém a semântica estrita, adequando a morfossintaxe às normas gramaticais da LT.”

Trecho Selecionado: Colossenses 2:1
A missão e a mensagem de Paulo (3min29)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Pois quero que saibam o quanto eu tenho trabalhado por vocês […] PORQUE 1pQUERER [omissão] VOCÊ SABER [omissão] 1pTER TRABALHAR + 1sAJUDAR2s VOCÊ
Observação Análise Sugestão
Houve fidelidade semântica, adequando a morfossintaxe às normas gramaticais da LT. que”- existe na Libras por influência do português, portanto foi omitido aqui.
o quanto” – nota-se que esse termo vem incorporado ao próprio sinal “TRABALHAR” feito com maior intensidade e expressão, respeitando a estrutura da Libras, em vez de  fazer o sinal “MUITO”, por exemplo, que também seria uma influência do português.
Uma possibilidade seria acrescentar o verbo “entender” no final da frase para dar maior ênfase ao verbo “saber”, conforme segue: PORQUE QUERER VOCÊ + SABER EU TRABALHAR + 1sAJUDAR2s VOCÊ + ENTENDER?

 

Transposição

De acordo com Barbosa (1990), “a transposição consiste na mudança de categoria gramatical”. Esse procedimento é facilmente identificado na tradução de língua oral para língua oral, entretanto, na tradução para uma língua de modalidade gestual-visual há controvérsias. Isso ocorre pela carência de estudos consistentes de descrição linguística da Libras e principalmente por conta da dificuldade de registro da língua de sinais, ou seja, de sua transcrição. Não há, por exemplo, uma notação que identifique a desinência verbal na Libras. Assim, na interpretação do português para a Libras fica difícil de ser identificado o procedimento de transposição, uma vez que há casos em que um mesmo sinal pode ser utilizado tanto com a função de substantivo quanto com a função de seu respectivo verbo, como podemos observar a seguir:

Trecho Selecionado: Colossenses 2:13
A vida em união com Cristo
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Antigamente vocês estavam espiritualmente mortos […] PASSADO PARECER MORRER ALMA
Observação Análise Sugestão
Não podemos afirmar se houve ou não a mudança gramatical do advérbio “espiritualmente” e do adjetivo “mortos” para o verbo “MORRER” e o substantivo “ESPÍRITO”, respectivamente A tradução parece ser mais dinâmica, pois “vocês estavam” foi interpretado como “PARECE”. Já o trecho: “espiritualmente mortos” traduzido por MORRER ESPÍRITO me parece ser o ideal, pois transmite a ideia não simplesmente de morrer, mas espiritualmente. PASSADO VOCE DENTRO
(próximo ao peito) ESPÍRITO MORRER

Como podemos observar no trecho acima, a transcrição “MORRER” diz respeito ao adjetivo “mortos”, entretanto, apesar de por convenção a transcrição empregar o infinitivo, não podemos afirmar que todo sinal transcrito dessa forma exerça a função de verbo. Da mesma forma, não podemos afirmar que o sinal “ESPÍRITO” não esteja exercendo a função do advérbio “espiritualmente”.

A transcrição parece não dar conta do registro da Língua de Sinais, uma vez que no original temos o emprego do imperativo e na transcrição da interpretação os verbos são apresentados no infinitivo. Além dessas questões, existem outros elementos a serem considerados nas línguas de sinais, tais como a expressão do olhar, por exemplo, que não são notados na transcrição. Percebe-se, portanto, a necessidade de um aperfeiçoamento no sistema de transcrição da Libras de maneira a contemplar o registro desses elementos tão importantes nas línguas de sinais e a necessidade de estudos linguísticos mais aprofundados da Libras que possibilitem a identificação desse procedimento de tradução.

Modulação

Conforme Barbosa (1990), a modulação consiste na reprodução da mensagem do texto original no texto da língua traduzida, mas sob um ponto de vista diverso, refletindo as diferentes formas de interpretações que as línguas têm da experiência do real.

Trecho Selecionado: Colossenses 3:5
A vida velha e a vida nova (4min19)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Portanto, matem os desejos deste mundo que agem em vocês, isto é, a imoralidade sexual, a indecência, as paixões más, os maus desejos e a cobiça, […] AGORA VOCÊ ABANDONAR 2sSEDUZIR1s MUNDO O-QUÊ? VONTADE INTERESSE SEXO INTERESSE MOSTRAR ERRADO idSEDUZIR ieSEDUZIR OLHAR VONTADE MAL
Observação Análise Sugestão
A expressão: “matem os desejos”, que é bem compreendida no português, foi traduzida sob um ponto de vista diverso para a Libras por: ABANDONAR 2sSEDUZIR1s Além disso, a expressão: “Isto é”, própria do português, foi traduzida pela expressão da Libras: “O-QUÊ?”. Neste trecho o verbo “matar” deu lugar ao verbo “ABANDONAR” e o substantivo “desejos” foi substituído por “2sSEDUZIR1s ” que faz menção de alguém sendo “seduzido” ou “tentado”, no sentido mais geral da palavra, demonstrando, assim, os diferentes pontos de vista das línguas em questão. Se a frase fosse mantida conforme o texto original, por meio de uma tradução literal, não faria sentido na Libras. Pelo contrário, poderia inclusive dar margem a uma interpretação totalmente divergente. “MATAR DESEJO” poderia ser compreendido em Libras por desejo de matar. A interpretação de “isto é” por “o quê” foi feliz, pois dá justamente essa ideia de explicar o que está sendo dito. Uma sugestão seria substituir o verbo “matar” por “DESTRUIR” ou “AFASTAR” e substituir a expressão: “O QUÊ?” pelo recurso da bóia 5 a fim de explicar quais são os desejos do mundo referido ou mesmo utilizar o sinal “EXEMPLO” em vez de: “O QUÊ?”
acrescentando, ainda, o que Leite (2008) chama de finalizador, como o sinal: “TUDO”, por exemplo.

Equivalência

Barbosa (1990) descreve a Equivalência como sendo a substituição de um segmento de texto da LO (Língua Original) por outro segmento da LT (Língua Traduzida), sem realizar uma tradução literal, mas com função equivalente. Como exemplos desse procedimento não foram identificados clichês, expressões idiomáticas, provérbios, ditos populares como os que a autora propõe, mas consideramos aqui elementos que evidenciam uma equivalência devido à diferença das línguas.

Trecho Selecionado: Colossenses 3:20
Viver bem com os outros (1min19)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Filhos, o dever cristão de vocês é obedecer sempre ao seu pai e à sua mãe porque Deus gosta disso. FILHOS SEMPRE OBEDECER SEU PAI PORQUE VOCÊS CRENTES DEUS 3sOLHAR2s SATISFEITO
Observação Análise Sugestão
Uma equivalência ideal foi feita aqui, na com o uso do espaço mental sub-rogado 6 do personagem Deus em vez de mantê-lo na terceira pessoa como ocorre no português. Uma tradução literal da expressão “Deus gosta disso” poderia dar margem a uma interpretação errada da mensagem, como, por exemplo, “DEUS GOSTAR VOCÊ” e mesmo que fosse entendido o apontamento: “ISSO”, não transmitiria o verdadeiro significado que foi bem traduzido pela intérprete com o uso do espaço mental sub-rogado. Uma opção aqui seria fazer uma inversão na ordem da frase, podendo ser mantida, assim, a expressão: “Deus gosta de”. DEUS GOSTA PESSOA CRENTE OBEDECER PAI MÃE PRECISA.

Omissão

Esse procedimento é definido por Barbosa como a omissão de elementos do TLO na LT, por serem considerados desnecessários ou excessivamente repetitivos, como se pode notar no trecho a seguir:

Trecho Selecionado: Colossenses 2:1
A missão e a mensagem de Paulo (3min29)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Pois quero que saibam o quanto eu tenho trabalhado por vocês […] PORQUE 1pQUERER [omissão] VOCÊ SABER 1pTER TRABALHAR + 1sAJUDAR2s VOCÊ
Observação Análise Sugestão
Foi empregado o procedimento de omissão do termo “que” Apesar de existir no léxico da Libras, o termo “que”, se faz desnecessário nesse contexto, mesmo porque sua utilização reflete a influência do português. Uma possibilidade seria acrescentar o verbo “entender” no final da frase para dar maior ênfase ao verbo “saber”, conforme segue: PORQUE QUERER VOCÊ + SABER EU TRABALHAR + AJUDAR VOCÊ + ENTENDER?

Explicitação

A explicitação é o processo inverso da omissão, ou seja, o que na LO é omitido, na LT deve, às vezes, obrigatoriamente, ser explicitado.

Trecho Selecionado: Colossenses 1:13
Oração em favor dos Colossenses (4min02)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Ele nos libertou do poder da escuridão e nos trouxe em segurança para o Reino do seu Filho amado. DEUS SALVAR TIRAR TIRAR-DAMENTE PECADO TIRAR DAR F-É FORÇA CONFIANÇA JUNTO JESUS FILHO 3sDELE
Observação Análise Sugestão
Os termos “Ele” e “seu” foram explicitados por Deus e Jesus, respectivamente. A explicitação de Deus é quase obrigatória, pois quando se faz referencia a Deus há o apontamento para “Ele” acima da cabeça. Já no caso da explicitação de Jesus, parece que a intérprete considerou necessária a explicitação que Jesus é o filho de Deus. Poderia ser feito o apontamento para o espaço mental toke 7 “Deus” com a mão direita acima da cabeça e o pronome “DELE” com a mão esquerda sendo direcionada para a mão direita.

 

Trecho Selecionado: Colossenses 1: 8
Oração em favor dos Colossenses (3min)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Foi ele quem nos contou do amor que o Espírito de Deus deu a vocês. HOMEM E-P-A-F-R-A-S 3sFALAR1s DEUS DAR ESPÍRITO VERDADE AMOR VOCÊS
Observação Análise Sugestão
O pronome “ele” foi explicitado, sendo substituído pelo nome “Epafras” a quem se referia. Provavelmente foi utilizada a Explicitação pelo fato de o pronome ter ficado muito distante do nome “Epafras” referido no versículo anterior. Entende-se que a intérprete
fez a melhor escolha.
Poderia ser utilizado aqui, o espaço mental token, o qual estabelece um local a ser apontado quando determinado “personagem” for referido, mas corre-se o risco de o personagem não ser retomado pela distância do pronome.

Reconstrução de Períodos

A reconstrução de períodos pode ser utilizada para redividir ou reagrupar os períodos e orações do original ao passá-los para a LT. Distribuindo, por exemplo, orações complexas em períodos mais curtos ou vice-versa.

Trecho Selecionado: Colossenses 3:22
Viver bem com os outros (2min10)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Escravos, em tudo obedeçam àqueles que são seus donos aqui na terra. Não obedeçam apenas quando eles estiverem vendo vocês, procurando com isso conseguir a aprovação deles. Mas obedeçam com sinceridade, por causa do *temor que vocês têm pelo Senhor. PESSOAS TRABALHAR SERVIR ESFORÇO SEMPRE 1sOBEDECER2s SENHOR DEUS ESCOLHER 1SOBEDECER2S SI CHEFE (espaço subrogado) 1sOLHAR2s VOCÊ (espaço subrogado) ACEITAR 1SOBEDECER2S NÃO SEMPRE 1SOBEDECER2S NORMAL VERDADE MENTIRA-NÃO VERDADE PORQUE VOCÊ 1SOBEDECER2S DEUS
Observação Análise Sugestão
O período foi reconstruído alterando o enunciado da terceira pessoa do plural com a utilização do espaço sub-rogado, no qual a intérprete se posiciona conforme as personagens presentes no texto Ao optar em não fazer referência às personagens na terceira pessoa, mas lhes dar vida por meio do espaço sub-rogado, a intérprete torna sua tradução mais próxima do que tipicamente é utilizado pelos usuários da Libras. ESCRAVO SENHOR SEU AQUI MUNDO CHEFE 3SMANDAR2S + 1SOBEDERCER3S TUDO OBEDECER SÓ CHEFE VER ADMIRAR NÃO OBEDECER VERDADE PORCAUSA VOCÊ+ OBEDECER SENHOR DEUS

 

Trecho Selecionado: Colossenses 2:10
A vida em união com Cristo
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
[…] e, por estarem unidos com Cristo, vocês também têm essa natureza. Ele domina todos os poderes e autoridades espirituais. UNIR JESUS TER PODER FAZER TOD@ COISA+ PORQUE JESUS TER PODER PRÓPRI@ TUDO
Observação Análise Sugestão
O período foi reconstruído de maneira mais resumida. O resumo das informações deixou de especificar sobre a “natureza” e o domínio sobre os “poderes e autoridades espirituais”. Poderia ser interpretado da seguinte forma: POR CAUSA UNIR JESUS VOCÊ JEITO 1SIGUAL3S PODER ESPIRITO DEUS SENHOR TUDO

Transferência

Em geral, a transferência consiste em utilizar termos da LO no TLT. Uma das formas que ela pode assumir é o Estrangeirismo + uma explicação de seu significado diluído no texto.

Estrangeirismo

O Estrangeirismo é a transferência de vocábulos ou expressões da LO para o TLT que se refiram a conceitos, técnicas ou objetos mencionados no Texto Original que sejam desconhecidos aos falantes da LT. No texto escrito, essa expressão ou vocábulo aparece entre aspas, em itálico ou sublinhado marcando o itálico. No caso de uma explicação diluída no texto, ela poderá aparecer entre vírgulas, entre travessões, entre aspas ou entre parênteses.

Observa-se que na Libras os casos de transferência são demonstrados principalmente pela datilologia, ou seja, a soletração manual.

Nelson Pimenta (2009) explica que “Na língua de sinais brasileira, o alfabeto manual é usado, normalmente, para soletrar nomes próprios. […] O alfabeto manual também é usado para informar o endereço de algum lugar, soletrando-se o nome da rua […]”. (PIMENTA e QUADROS, 2009, p. 99).

Trecho Selecionado: Colossenses 4:13
Últimas saudações (0min43)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Eu posso afirmar que ele tem trabalhado muito em favor de vocês e pela gente de Laodicéia e de Hierápolis. EU FALAR CERTEZA HOMEM E-P-A-F-R-A-S VOCÊS TAMBÉM AJUDAR PESSOA CIDADE L-A-O-D-I-C-E-I-A TAMBÉM CIDADE H-I-E-R-A-P-O-L-I-S
Observação Análise

Sugestão

O alfabeto manual foi utilizado para soletrar nomes de lugares e nome próprio. Houve uma identificação por parte da intérprete de que os nomes soletrados eram, ora de um homem: “Epafras” ora de duas cidades: Laodicéia e Hierapólis. Observa-se também, que o termo CIDADE não aparece no texto original, mas consiste em uma explicação. A simples menção de que os nomes se tratavam de cidades ou pessoa foi bem empregada.

Além disso, a datilologia é empregada quando não há um sinal correspondente a determinado vocábulo e se quer fazer uso do termo original. Esse termo pode vir com uma explicação ou não. Nesse aspecto, pode-se citar o seguinte exemplo:

Trecho Selecionado: Colossenses 2:11
A vida em união com Cristo (0min03)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Por estarem unidos com Cristo, vocês foram *circuncidados não com a circuncisão feita no corpo, mas com a circuncisão feita por Cristo, pela qual somos libertados do poder da natureza pecadora. PORQUE UNIR JESUS VOCÊ JÁ C-I-R-C-U-N-C-I-D-A-D-O-S TAMBÉM JÁ C-I-R-C-U-N-C-I-S-Ã-O O-QUÊ? JESUS FAZER 1SDAR2S LIBERDADE PECADO 1SDAR2S SALVAÇÃO VIDA VOCÊS
Observação Análise Sugestão
Foi utilizada a Datilologia para expressar os termos circuncidado e circuncisão, que são estrangeirismos, os quais não possuem um sinal próprio em LIBRAS. A explicação do termo “CIRCUNCISÃO” vem após a pergunta “O QUÊ?” muito utilizada em Libras como uma espécie de parênteses para uma explicação da palavra soletrada manualmente. É interessante notar que a interprete utiliza o próprio TO como explicação de um dos termos soletrados quando soletra manualmente circuncisão podem apresentar dificuldades para os receptores da mensagem, que podem desconhecer não apenas o vocábulo como também seu significado, por se tratar de algo específico da cultura judaica. Manter os termos soletrados manualmente e acrescentar uma explicação sobre o primeiro termo circuncidados que apresenta, no próprio TO, a explicação de que se trata da circuncisão feita no corpo. Poderia, então, ser feita uma explicação do que vem a ser essa circuncisão no corpo.

É importante fazer aqui um “parêntesis” para observarmos especificamente o termo “circuncisão” que aparece por diversas vezes ao longo do texto bíblico e as soluções que são empregadas em termos de explicação para que o mesmo seja compreendido pelo receptor da mensagem.

O Dicionário Houaiss (1990) traz a seguinte definição para circuncisão: “1. retirada cirúrgica do prepúcio 2. cerimônia judaica em que se pratica ritualmente tal ato”. Observa-se que o termo recebe duas definições distintas, mas, uma vez que se deseja realizar uma tradução dinâmica em que o receptor da mensagem efetivamente a compreenda, é importante que se observe na interpretação a que aspecto se faz referência nos diferentes contextos.

A tradução da Bíblia para o português, utilizada pela intérprete como TO, é a versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (1993) que traz ao final um auxílio para o leitor com um glossário. Sobre o termo circuncisão há a seguinte definição:

Cerimônia religiosa em que é cortada a pele, chamada prepúcio, que cobre a ponta do órgão sexual masculino. Os meninos israelitas eram circuncidados no oitavo dia após o seu nascimento, como sinal da aliança que Deus fez com o povo de Israel. (Gênesis 17:9-14; Gálatas 5:2). A circuncisão também era praticada por outros povos antigos. Em algumas passagens, a circuncisão quer dizer uma nova natureza, que é livre do poder da natureza pecadora e é obediente a Deus. (Romanos 2:29; Colossenses 2:11; Filipenses 3:3). (Bíblia Nova Tradução da Linguagem de Hoje, 2005, p.1279, grifo da autora).

A explicação acima é muito extensa para ser inserida no momento de uma interpretação, o desafio não está apenas na explicação do que é circuncisão do ponto de vista físico, mas no tempo levado para uma explicação que contextualize esse ato do ponto de vista cultural e religioso de maneira “diluída” na interpretação. Na interpretação analisada, foi feita uma boa escolha ao adaptar o próprio texto de uma forma que o termo fosse explicado com as informações ali presentes, mas isso ocorreu apenas com o termo “circuncidar” no sentido de libertação dos pecados, ficando omissa a interpretação do que vem a ser a circuncisão do ponto de vista físico. Uma solução seria omitir o termo e utilizar o procedimento da Explicação.

Foram identificados ainda os estrangeirismos: V-E-Z, B-E-M e J-U-D-E-U-S, N-Ã-O.

Aclimatação ou Estrangeirismo Aclimatado

De acordo Pei apud Barbosa (1990), a Aclimatação é o processo por meio do qual os empréstimos são adaptados à língua que os toma. Este procedimento também pode ser denominado “Decalque”. Crystal apud Barbosa (1990) explica que nesse procedimento um radical estrangeiro é adaptado à fonologia e morfologia da língua que o importa.

Alguns trechos foram considerados exemplos de aclimatação, pois além de as palavras serem soletradas manualmente, obedecem a outras regras da Libras como movimento e ponto de articulação.

Nelson Pimenta (2009) trata desse mesmo fenômeno como lexicalização como pode ser observado a seguir:

Outro efeito do contato entre essas duas línguas é observado por meio da soletração total de uma palavra do português que se lexicaliza na língua de sinais. Por exemplo, os sinais NUNCA, BAR, CHOPP, PAI, ALUNO, etc. em algumas regiões do país são tão usados que foram perdendo alguns elementos da soletração e foram se tornando sinais que já fazem parte do léxico da língua de sinais. (PIMENTA e QUADROS, 2009, p. 99).

Esse procedimento pode ser observado no trecho a seguir:

Trecho Selecionado: Colossenses 2:16
A vida em união com Cristo (1min19)
Língua Portuguesa Transcrição da Interpretação em Libras
Portanto, que ninguém faça para vocês leis sobre o que devem comer ou beber, ou sobre os dias santos, e a *Festa da Lua Nova, e o sábado. AGORA PESSOAS MOSTRAR L-E-I PRECISAR PROIBIDO VÁRI@S COISA + BEBER VÁRI@S-COISA + COMER NÃO MANDAR L-E-I COISA + D-I-A ESPECIAL D-I-A FESTA LUA D-I-A FESTA SÁBADO
Observações Análise Sugestão
Foi utilizada a Datilologia para expressar os termos “leis” e “dias”. Os termos: “leis” e “dias” possuem sinais sem o uso da datilologia em outras regiões do Brasil como São Paulo, por exemplo. O uso da datilologia, neste caso, tem a ver com o que é usual no Rio de Janeiro, onde foi feita a interpretação. ENTÃO, PESSOA NINGUÉM PODER

Cabe ressaltar, que além dos termos apresentados no trecho acima, ao longo da interpretação, também foram identificados os seguintes sinais: V-A-I, P-A-Z, P-A-I e D-E-U-S, que podem ser sinalizados sem o uso da datilologia. Esse fato pelo que é explicado por Pimenta (2009), “o uso da soletração é mais intenso em algumas regiões do que em outras. Isso também reflete a variação linguística existente no país. Por exemplo, no Rio de Janeiro o uso do alfabeto manual é muito mais comum do que no norte ou no sul do país” (PIMENTA e QUADROS, 2009, p. 99).

Fica o desafio

Nota-se que ainda há um longo caminho a ser percorrido em termos de tradução da Bíblia para a Libras, apesar disso, já existem alguns materiais que podem servir para estudo e encorajamento de novas iniciativas de tradução/interpretação.

Esta pesquisa, embora restrita, buscou traçar alguns pontos importantes no que se diz respeito ao fazer tradutório, principalmente quando se trata de um texto sensível, como o texto bíblico, além do fato de envolver duas línguas de modalidades distintas, de um lado o português, uma língua oral, e do outro a Libras que é uma língua visualgestual.

A análise dos trechos aqui selecionados nos faz refletir sobre as particularidades da Libras que favorecem a utilização de determinados procedimentos em detrimento de outros, tornando-se evidentes a importância de aspectos como o espaço mental e demais recursos utilizados na Libras.

Considera-se que os intérpretes de Libras têm realizado trabalhos a partir do conhecimento construído empiricamente, sem ter, muitas vezes, acesso às diretrizes de base científica que possam contribuir para seu desenvolvimento profissional. Esta produção acadêmica vem colaborar como referência neste tema.

Durante a seleção e análise dos trechos em Libras, percebeu-se que a tradução palavra-por-palavra e a tradução literal foram procedimentos quase não empregados, pois as estruturas das línguas poucas vezes coincidem. A Transliteração não se aplica às línguas de sinais, uma vez que consiste na substituição de uma convenção gráfica por outra. Além disso, não foram identificados os seguintes procedimentos: Compensação, Melhorias, Decalque e Adaptação.

Observou-se, portanto, que os seguintes procedimentos foram mais utilizados: transposição, modulação, explicitação, omissão e transferência (Estrangeirismo e Aclimatação). Esse último, especificamente, é apresentado na forma de datilologia, recurso mais comum em algumas regiões como o Rio de Janeiro, onde foi feita a interpretação analisada.

Por fim, a Reconstrução de períodos e a Explicação são procedimentos utilizados principalmente com o objetivo de transmitir a mensagem. Esses recursos podem, ao mesmo tempo, introduzir novos conceitos e vocabulários da língua original para a língua traduzida. Alguns procedimentos, entretanto, são particulares da Libras, como o espaço mental token e o espaço mental sub-rogado, podendo ampliar ainda mais as possibilidades de compreensão da mensagem.

Sabe-se que o assunto apresentado neste trabalho ainda merece maior atenção, mas diante das pesquisas já existentes envolvendo a tradução de línguas orais, como é o caso do trabalho de Heloisa Barbosa, pode-se buscar procedimentos que se apliquem às línguas de sinais. Assim, esta pesquisa se faz relevante para os estudos da tradução/interpretação para a Libras, como material de análise das possibilidades de aplicação desses procedimentos tradutórios já conhecidos e que podem dar conta não apenas de um texto sensível, como também das singularidades e especificidades de uma língua de modalidade gestual-visual.

Notas

3 O termo surdo-mudo não é adequado, pois se a maioria dos surdos não fala é porque não ouvem e precisam do auxílio de profissionais professores e fonoaudiólogos para aprenderem a falar (muitas vezes de maneira limitada) a língua oral nativa do país em que vivem, o que não significa, entretanto, que necessariamente não possuam um aparelho fonador “preservado”, comprovamos isso, pelo simples fato de por vezes estarmos conversando em sinais com um surdo e durante a conversa ele emitir vários sons.
4 A controvérsia aqui diz respeito ao sinal CRISTO que comumente é usado nas igrejas, de acordo com o manual “O Clamor do Silêncio”. Neste manual, o sinal de Cristo é descrito da seguinte forma: Sinal: Uma das mãos em C, toca o ombro, em seguida na cintura. Significado: caracterizado pelo manto que usava. (BAHIA, 1999, p. l46). A questão ainda vai mais longe. Há um sinal para Cristo que já vem sendo empregado por opção de alguns surdos que não concordam com a “motivação” do sinal anterior, que fazia referência a Jesus como embaixador ou simplesmente ao seu manto. O “novo” sinal é feito com a mão em C em movimento circular sobre a cabeça, buscando fazer referência ao sinal UNGIR (ÓLEO em movimento circular sobre a cabeça), este último sinal, tem mais a ver com o significado de “Cristo”, ou seja, “O ungido de Deus”.
5 Funcionamento da bóia de listagem: A bóia (mão esquerda) permanece suspensa no espaço de sinalização; enquanto a mão direita continua sinalizando, até que o último item listado seja realizado; ao término da lista é indicado por outro item lexical, o finalizador, que aparece como uma generalização de todos os itens previamente listados, por exemplo, finalizar com o sinal TUDO, ESSES, etc. Leite (2008).
6 O espaço mental sub-rogado é a conceitualização de algo acontecido ou que acontecerá. Em geral, as línguas naturais usam esse espaço para narrar eventos que não estão ocorrendo no momento da enunciação. Segundo Liddell (2003) e Liddell & Metzger (1998), o espaço subrogado também é um espaço integrado ao espaço real, e é bastante usado tanto pelos ouvintes quanto pelos surdos, para contar histórias, narrar diálogos, citar a fala de alguém. (MOREIRA, 2007, p. 49)
7 O espaço mental token é um espaço integrado, em que as coisas das quais se quer falar são representadas sob a forma de um ponto fixo no espaço físico. As entidades tokens são invisíveis (apenas pontos associados a alguma representação mental) e são integradas ao espaço mental real (MOREIRA, 2007, p. 47).

Bibliografia

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